ASSINE

Cresce procura por CNH para trabalhar

Neste ano, 16,8 mil tiveram permissão para dirigir como ofício

Publicado em 09/11/2018 às 20h48
Thiago Silva, 19, tirou a permissão em 2017 e hoje trabalha como motorista de aplicativo para pagar a faculdade. Crédito: Vitor Jubini
Thiago Silva, 19, tirou a permissão em 2017 e hoje trabalha como motorista de aplicativo para pagar a faculdade. Crédito: Vitor Jubini

 


O número de capixabas com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) que podem exercer atividade remunerada cresceu 17,3% em 2018 em relação ao ano passado. De janeiro a setembro deste ano, foram 16.807 novos motoristas das categorias B e AB aptos a dirigir como ofício, já no ano passado foram 14.324 nesse período. Na avaliação de especialistas, isso tem relação direta com o desemprego em alta e a consequente procura de pessoas para trabalharem como motoristas de aplicativo.

Apesar do crescimento, o número mais expressivo foi entre janeiro e setembro de 2016, em que foram registradas 19.671 mil novas pessoas com habilitação para exercer atividade remunerada nessas categorias no Estado. Ao todo, de 2016 até setembro de 2018, foram 63.590 motoristas a mais nessa atividade.

Segundo o diretor de Habilitação e Veículos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES), José Eduardo de Souza Oliveira, a procura mais alta para esse tipo de permissão em 2016 está ligada ao fato de que em setembro daquele ano a Uber teve o direito de exercer a atividade no Estado. Logo depois, vieram outras empresas de transporte.

“Desde 2016 essa nova atividade colocou tanto pessoas que tiraram a primeira habilitação no mercado como as que já tinham a carteira e decidiram mudar o tipo para trabalhar como motorista de aplicativo”, pontuou.

REDUÇÃO

Por outro lado, o número de pessoas que tiraram a CNH sem permissão para usá-la profissionalmente tem caído ano a ano no Estado. De janeiro a setembro deste ano, foram 28.844 habilitações, uma redução de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram emitidas 30.402 permissões.

“Essa queda na habilitação comum pode estar ligada ao crescimento de pessoas que querem na carteira a atividade remunerada. No Estado, em 2016, as pessoas viram a atividade de motorista como opção ao ficarem desempregadas devido a crise econômica”, afirma.

O presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller, admitiu que desde 2016 muitas pessoas procuraram exercer a profissão como uma segunda opção. Outras tantas ficaram desempregadas ou desejavam complementar renda. Atualmente, há 12 mil motoristas registrados em aplicativos nos oito municípios atendidos pelas empresas.

“Em média o motorista consegue tirar de R$ 2 a R$ 4 mil por mês. Mas, geralmente, quando a pessoa arruma um emprego fixo com salário igual ou superior ao do aplicativo, ela opta em deixar o serviço de motorista. Isso porque é uma atividade que pode trazer riscos devido ao número de furtos e roubos”.

O auxiliar administrativo Thiago Silva Galvão Maia, de 19 anos, conseguiu tirar a permissão em agosto do ano passado. Esperou um ano para ter a carteira de habilitação definitiva em mãos para trabalhar como motorista de aplicativo. Com essa profissão, que realiza aos finais de semana, ele tem um complemento de R$ 1 mil por mês na renda e garante o pagamento da universidade de Direito.

“Como eu consigo conciliar o serviço de motorista como o de auxiliar administrativo achei uma boa opção, mas pretendo ficar até finalizar minha faculdade. Eu vejo riscos na profissão porque a gente não sabe quem está entrando no carro. Dependendo da localidade e perfil eu prefiro cancelar”, disse.

COMO FAZER

O diretor de Habilitação e Veículos do Detran-ES explica que o condutor pode incluir a qualquer momento a informação de que exerce atividade remunerada na sua CNH, ela precisa apenas antecipar a renovação e realizar o exame psicológico, de R$ 101,45. Já a pessoa que irá tirar a carteira pela primeira vez, deve informar essa opção no exame psicológico e médico, mas não pagará nenhuma taxa a mais.

O condutor que exerce atividade remunerada na direção de veículos sem essa informação na sua habilitação comete uma infração de natureza leve, prevista no artigo 241 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), por deixar de atualizar o cadastro de registro de habilitação do condutor, com multa no valor de R$ 88,38 e três pontos na carteira.

desemprego

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.