Publicado em 16 de julho de 2025 às 19:22
BRASÍLIA - A comissão da Câmara dos Deputados criada para discutir o projeto de lei que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda a R$ 5.000 aprovou nesta quarta-feira (16) o relatório do deputado federal Arthur Lira (PP-AP), que deverá ser analisado no plenário em agosto.>
A proposta eleva a faixa de redução do IR para até R$ 7.350. O texto enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) previa uma espécie de transição entre a isenção total e R$ 7.000. Lira retomou no texto apresentado antes da votação o redutor de 34% na carga tributária para contribuintes de alta renda, como havia sido proposto pela equipe econômica.>
O dispositivo havia sido retirado do relatório apresentado pelo parlamentar na semana passada, pois, segundo ele, a Receita Federal não havia apresentado dados suficientes quanto aos possíveis efeitos fiscais do redutor.>
Esse mecanismo prevê uma combinação das cargas tributárias de pessoas físicas e jurídicas, o que afeta o quanto pessoas de alta renda, como acionistas de empresas que distribuem lucros e dividendos, pagam de imposto.>
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Havia preocupação de que a exclusão do redutor poderia elevar a tributação desses contribuintes, com alguns apontando, segundo Lira, que a alíquota nominal chegaria a 40,6%. "Não sei quanto à exatidão do percentual, mas que haverá grave aumento na tributação dos lucros e dividendos, isso é inegável", diz o advogado Gustavo Brigagão, do escritório Brigagão Duque Estrada.>
Lira disse nesta quarta (16) que decidiu reintroduzir o mecanismo redutor, mas que considera o efeito dele limitado, uma vez que as empresas usufruem de benefícios diversos, o que reduz a alíquota efetiva. Segundo o relator, a carga média efetiva das pessoas jurídicas no Brasil é de 21,7%, abaixo dos 34% nominais.>
Segundo o relator, as contas apresentadas pelo governo na véspera da votação indicam que a retomada do redutor pode consumir R$ 6,2 bilhões em 2026 e 2027, valor que estaria dentro de uma sobra de R$ 12 bilhões prevista no relatório. "Se houver algum déficit, será mínimo", afirmou.>
O relatório aprovado nesta quarta manteve a criação do imposto mínimo, que será cobrado de quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais (cerca de R$ 600 mil anuais) e também a alíquota de 10% para quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão ao ano.>
O texto aprovado na comissão especial mantém a cobrança de imposto de renda sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais, que passarão a ter o tributo retido na fonte, e a tributação de 10% sobre esses rendimentos aferidos por estrangeiros ou remetidos ao exterior.>
O ex-presidente da Câmara dos Deputados também retomou em seu relatório a possibilidade de os estrangeiros e não residentes acumularem crédito tributário sobre o Imposto de Renda retido na fonte sobre dividendos. Esses contribuintes terão um ano para pleitear esses créditos.>
A alíquota é de 10%, a mesma que será recolhida sobre dividendos mensais acima de R$ 50 mil. Lira também fixou no texto o dia 31 de dezembro de 2025 como a data limite para deliberação de pagamento de dividendos (para residentes ou não) que não estarão sujeitos à nova tributação, mesmo que o pagamento seja executado depois dessa data.>
O relator disse considerar que começar a cobrar o imposto de lucros registrados neste ano causaria insegurança jurídica. O dispositivo ainda precisará ser regulamentado, segundo o relator.>
Na última versão de seu relatório, o deputado disse ter cogitado excluir o mecanismo, mas houve resistência. Entidades que representam grandes empresas têm tentado negociar a exclusão dessa regra. O argumento é o de que o mecanismo tira competitividade do Brasil como destino de investimentos.>
Na comissão especial, Lira impôs seu estilo de trabalho controlador. Não houve abertura de prazos para emendas e ele só se reuniu com os representantes das bancadas na comissão especial quando a primeira versão de seu relatório já estava pronta.>
Nas horas que antecederam a apresentação do texto, deputados ainda não sabiam o que o relator incluiria no texto. A maioria apostava em uma redução na alíquota do imposto mínimo de 10% para 9%. Ao apresentar o relatório, Lira queixou-se de reportagens que apontavam a intenção de reduzir a alíquota para os mais ricos. Sua intenção, disse, era manter a neutralidade do texto.>
Nesta quarta (16), Lira disse que a aprovação na comissão não deve criar expectativas de que o projeto passará facilmente pelo plenário. "Aqui, claro, há um controle maior do relator, uma negociação mais clara do que é possível e do que não é", afirmou.>
Na votação na comissão, os partidos podem apresentar destaques que derrubam trechos inteiros do relatório, mas não conseguem alterar a redação. O Novo apresentou dois destaques, ambos rejeitados.>
"No plenário, todos podem destacar, todos podem apresentar emendas. Nós temos que ir para um detalhamento, um convencimento, uma tratativa mais específica. O plenário é soberano e o relator, como eu disse, não é o dono do texto.">
Negociadores de entidades empresariais, de organizações sociais e de municípios querem agora conseguir apoio para propor mudanças ao texto no plenário.>
Um desses pontos refere-se às compensações a estados e municípios. Prefeituras e governos dizem que perderão receitas porque deixarão de reter o Imposto de Renda de servidores que, hoje, estão sujeitos à cobrança.>
O governo defende que essa redução será compensada pelo aumento do repasse por meio dos fundos de participação dos municípios (FPM) e dos estados (FPE), que recebem parte da arrecadação do IR.>
Na terça (15), prefeitos estiveram com Lira para discutir o assunto e pediram que o dispositivo de compensação ficasse mais claro para que o pagamento fosse garantido. O texto do relatório aprovado nesta quarta prevê que a União usará excedentes de arrecadação para cobrir eventuais perdas desses entes.>
Caso a União tenha outros excedentes de receita, o relatório prevê que os valores sejam usados como fonte de compensação para o cálculo da alíquota de referência da CBS (Contribuição de Bens e Serviços), criada pela reforma tributária para substituir o PIS/Cofins a partir de 2027.>
O texto aprovado na comissão também altera, em relação ao projeto do governo, o que pode ou não ser considerado na definição da renda sujeita ao imposto mínimo efetivo.>
Depósitos de poupança, indenizações, pensões ou aposentadorias decorrentes de acidente de serviço ou doenças graves não integram a base, pois, segundo o relator, a inclusão de rendas isentas na base de cálculo da tributação mínima acabaria derrubada no Judiciário.>
Os rendimentos de títulos como LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letras de Crédito Imobiliários), que eram isentos na data de envio do projeto de lei, também ficaram fora da base de cálculo do imposto mínimo. A medida provisória enviada pelo governo Lula no dia 11 de junho prevê a cobrança de 5% de IR sobre esses rendimentos a partir de 2026.>
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