Publicado em 28 de julho de 2025 às 14:30
BRASÍLIA - Menos de 2,5% da população brasileira estava em risco de subnutrição ou sem acesso à alimentação suficiente no triênio de 2022 a 2024, resultado que tira o Brasil do Mapa da Fome mais uma vez, após período de retrocessos nessa frente.>
O país havia voltado a figurar no Mapa da Fome no triênio de 2019 a 2021, segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), após ter saído pela primeira vez dessa estatística em 2014.>
Os novos números foram anunciados nesta segunda-feira (28) pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e agências parceiras da ONU em cúpula realizada em Adis Abeba, na Etiópia. Na ocasião, foi divulgada a nova edição do relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo".>
Tirar o Brasil do Mapa da Fome foi uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A meta do governo era alcançar esse objetivo até 2026, último ano do atual mandato.>
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No ano passado, o representante da FAO no país, Jorge Meza, já havia dito que a fome e a insegurança alimentar no Brasil estavam em trajetória de queda.>
Em meio à pandemia de Covid-19, milhões de pessoas no mundo ficaram sem emprego e renda, o que impactou diretamente o acesso a alimentos. No Brasil não foi diferente: com a crise econômica gerada pela emergência sanitária, proliferaram cenas de pessoas em busca de doações de alimentos ou até itens rejeitados pelos supermercados, como restos de carnes e ossos.>
Segundo dados da FAO, o percentual de pessoas que passaram fome ficou em 3,4% no triênio encerrado em 2021 e subiu a 4,2% no período até 2022. Para ficar fora do Mapa da Fome, o chamado PoU (sigla em inglês para prevalência de subnutrição) precisa ficar abaixo de 2,5% no triênio.>
Em 2023, o indicador já havia tido uma leve melhora, caindo a 3,9%. Ainda assim, o dado significa que 8,4 milhões de pessoas passaram fome no Brasil no período. Agora, o percentual ficou abaixo de 2,5% novamente – quando isso acontece, os números absolutos não são informados, segundo a ONU.>
A prevalência de subnutrição é uma estimativa da proporção da população cujo consumo alimentar habitual é insuficiente para fornecer os níveis mínimos de energia para suprir suas necessidades no período de um ano. A FAO define a fome como um sinônimo da subnutrição crônica.>
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, atribui a melhora dos indicadores brasileiros ao plano Brasil Sem Fome, lançado em agosto de 2023. A estratégia engloba políticas de transferência de renda (entre elas o Bolsa Família), aquisição de alimentos e incentivo à agricultura familiar. O plano tem a participação de 24 ministérios e prevê a articulação de ações com estados e municípios.>
"Essa vitória é fruto de políticas públicas eficazes. Todas as políticas sociais trabalhando juntas para ter um Brasil sem fome", disse Dias.>
Na semana passada, Lula já havia sinalizado que haveria melhora nos indicadores do país. "Vocês vão ter uma surpresa. Esta semana o Brasil vai sair do Mapa da Fome outra vez", disse durante evento realizado na quinta-feira (24) no município de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha (MG).>
O Bolsa Família, uma das principais políticas de combate à pobreza no país, conta hoje com 19,6 milhões de famílias beneficiárias. Trata-se do menor número desde a reformulação implementada pelo governo Lula em março de 2023. Segundo o governo, a redução se deu por razões positivas: quase 1 milhão de famílias deixaram o programa devido ao aumento da renda do domicílio, segundo dados do MDS.>
Considerando o período em que a política foi chamada de Auxílio Brasil, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o número de famílias é o menor desde julho de 2022, quando havia 18,1 milhões contempladas, logo antes do aumento do benefício mínimo de R$ 400 para R$ 600.>
No ano passado, o Brasil lançou, durante sua presidência no G20, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que tem como objetivo levar para outros países mais pobres recursos e experiências bem-sucedidas de redução da fome e da pobreza.>
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