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Relações

Brasil confia que Argentina assinará acordo Mercosul-UE, diz secretário

A campanha no país vizinho é liderada pelo oposicionista Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner

Publicado em 24 de Setembro de 2019 às 16:48

Publicado em 

24 set 2019 às 16:48
Acordo entre União Européia e o Mercosul Crédito: Divulgação | Ministério das Relações Exteriores | Arquivo

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, afirmou nesta terça (24) ter convicção de assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia mesmo em caso de mudança no governo da Argentina, que tem eleições presidenciais em outubro.

A campanha no país vizinho é liderada pelo oposicionista Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner. A assinatura da primeira versão do acordo, no fim de junho, foi feita pelo governo Maurício Macri, mais alinhado ao governo Jair Bolsonaro.

"Não sabemos o que vai acontecer na eleição de outubro na Argentina", comentou Troyjo, durante o Financial Times Commodities Summit, no Rio. "Mas tenho convicção de que a Argentina assinará [o acordo]", comentou, relacionando críticas atuais à "retórica eleitoral".

Desde a vitória da oposição nas primárias eleitorais do país vizinho, representantes do governo Jair Bolsonaro têm feito declarações de apoio a Macri. No Rio, ao dizer que o principal risco para países exportadores de commodities seria "a volta de políticas populistas", Troyjo também fez referências às eleições argentinas.

O secretário defendeu que o acordo entre Mercosul e União Europeia é positivo para o Brasil, ao abrir mercados na Europa para produtos brasileiros, e que poderá servir de base para outras negociações, como por exemplo, um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

O texto da seção econômica, que estabelece prazos para a redução de tarifas, está sendo revisado terá que ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos dos países do Mercosul antes de iniciar a vigência.

Na avaliação do governo, caso algum dos países membros demore a aprovar e assinar o acordo, existe entendimento de que outros países do Mercosul possam assinar e antecipar a vigência do cronograma de redução de tarifas.

Troyjo avalia que o espalhamento da indústria chinesa por países vizinhos criará novas oportunidades para produtos brasileiros na Ásia.

"Quando [a China] muda essa capacidade para outros países, está empoderando novos polos industriais onde o PIB per capita é muito pequeno. E, como resultado, esses países vão crescer de forma muito rápida", afirmou.

"E um dos efeitos óbvios de um crescimento de curto prazo é que as pessoas comem mais, cresce o consumo de calorias, e as pessoas constroem mais, elas constroem casas e infraestrutura", completou.

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