Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • E o Brasil continua a ser o paraíso da impunidade para corruptos?
Segunda instância

E o Brasil continua a ser o paraíso da impunidade para corruptos?

Impedir a prisão após a condenação em segunda instância leva o Brasil à singular situação de que uma prisão só poderia ser decretada após pronunciamento da Suprema Corte

Publicado em 25 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

25 out 2019 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Sessão no STF: em debate, a prisão de condenados em segunda instância Crédito: Carlos Moura/SCO/STF
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão dos condenados em segunda instância traz à tona uma relevante questão de fundo: o Brasil deseja ou não extirpar – ou, pelo menos, minimizar – a corrupção? Favoráveis à prisão após a condenação em segunda instância se perfilam os que aplaudiram de pé, na segunda metade da década de 2000, o sucesso da jornada quase solitária do ministro Joaquim Barbosa que implodiu o mensalão, o esquema de compra de votos de parlamentares que vigorou no governo de Lula.
São esses mesmos aplausos que reconhecem o êxito da Operação Lava Jato, que atingiu o coração da corrupção desenfreada e expôs as entranhas do saque sistêmico de recursos públicos patrocinado pelos governos do PT que passou a ser conhecido como petrolão.
E quem são os que se colocam contra a prisão em segunda instância? São os que pretendem se beneficiar com isto, ou seja, os já condenados em segunda instância por cometerem crimes – e, por isso, estão presos –, seus advogados – que sonham em ver aberta uma ampla avenida onde poderão trafegar recursos infindáveis que se prolongarão em tramitações até a prescrição das penas – e, naturalmente, todos aqueles que, de uma maneira ou outra, temem em ser condenados em processos já iniciados ou prestes a se iniciar.
E mais: estão no mesmo time aqueles que cometem ou sonham em cometer desvios de dinheiro público confiando na impunidade do sistema judiciário brasileiro.
Os argumentos que fundamentam a prisão após condenação em segunda instância são contundentes: todas as provas só podem ser apresentadas e julgadas nas duas primeiras instâncias; os recursos especiais apresentados na terceira instância não tratam da reanálise dos fatos mas, simplesmente, da aplicação da lei; e, mesmo preso, o réu pode continuar apresentando recursos. Impedir a prisão após a condenação em segunda instância leva o Brasil à singular situação de que uma prisão só poderia ser decretada após pronunciamento da Suprema Corte.
No voto que deu na última terça-feira, na sessão do STF, o ministro Luís Roberto Barroso resumiu bem o que está em questão: a prisão em segunda instância não aumentou a população carcerária brasileira – argumento que, insistentemente, é levantado pelos que querem impedi-la –, e, com certeza, proibi-la leva, na maioria dos casos, à prescrição da pena.
O brasileiro, que votou maciçamente nas eleições pelo combate à corrupção, apoiando os candidatos que defendiam a Lava Jato – e que vê hoje, com tristeza e frustração, que muitos deles mudaram de lado – teme, com razão, que o país volte a ser em breve o paraíso da impunidade.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maria da Penha Fernandes: inspirou a criação da lei de enfrentamento à violência contra a mulher
'Em caso de violência, não se cale', diz inspiradora da Lei Maria da Penha
Obras do Transcol na Avenida Carlos Lindenberg, que fazem parte do projeto Expresso GV, um corredor exclusivo de ônibus (BRT)
Trânsito na Avenida Carlos Lindenberg terá desvio a partir de quarta (24)
Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander e ex-secretária do Tesouro Nacional, defende a manutenção do teto dos gastos e a aprovação de reformas, como a administrativa e a triburária
Economista Ana Paula Vescovi deixa o Santander após 7 anos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados