Faça um exercício rápido: quando foi a última vez que você abriu a carteira física para pegar uma nota de dinheiro ou até mesmo procurar um cartão de crédito? Se a resposta custou a vir, você não está sozinho.
Em um movimento que começou de forma gradual e acelerou de maneira sem volta, o celular deixou de ser apenas a nossa central de comunicação para se consolidar como a principal carteira do brasileiro.
Dados da Abecs mostram que os pagamentos por aproximação já correspondem a 76,2% de todas as transações presenciais com cartão no Brasil, ou seja, mais do que três em cada quatro compras. E quando olhamos para quem usa essa modalidade, nada menos que 41% já realizam os pagamentos diretamente pelo smartphone ou smartwatch.
De acordo com a Pesquisa sobre Meios de Pagamento, realizada pelo Instituto Datafolha, o grande motor dessa revolução cultural e comportamental são os mais jovens. Na faixa de 25 a 34 anos, quase metade (47%) adota a carteira digital no cotidiano, acompanhada de perto pelos jovens de 18 a 24 anos (46%). Aos poucos, as notas de papel e os cartões de plástico vão virando itens de museu para as novas gerações.
Essa transição só foi possível graças à convergência entre infraestrutura e hábito. De um lado, a popularização do Pix acostumou o consumidor à fluidez do dinheiro digital. Do outro, a consolidação de carteiras como Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay, somada à agilidade das fintechs e bancos que integraram crédito, débito e Pix por aproximação em um único toque, eliminou o atrito das compras.
Além da conveniência indiscutível de sair de casa apenas com o aparelho na mão, há o fator segurança. As carteiras digitais utilizam mecanismos de criptografia e tokenização em que o número real do cartão nunca é repassado ao estabelecimento, exigindo validação biométrica a cada operação.
É claro que a inclusão ainda passa por desafios sociais e regionais, tendo em vista que o uso é maior nas classes A e B e no Sudeste, mas a tendência é irreversível. O dinheiro físico não vai desaparecer do dia para a noite, mas o espaço que ele ocupa nas nossas vidas tem diminuído.
O futuro do consumo já chegou, e ele cabe na palma da mão.
Leia mais na coluna de Isis Parteli