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Alvos do marketing

Como a geração Z foi seduzida pelo consumo disfarçado de estilo de vida

Criados na era digital, bombardeados por tendências e promessas de liberdade, os jovens da geração Z enfrentam o peso psicológico e financeiro de um sistema que os moldou antes mesmo de crescerem. E, ao contrário do que se pense, este texto é para todas as gerações

Publicado em 30 de Maio de 2025 às 09:42

Públicado em 

30 mai 2025 às 09:42
Carol Campos

Colunista

Carol Campos

Há um movimento dentro do estudo sobre consumo que é a análise de tendências de comportamento. As consultorias começam a estudar o público adolescente e jovem de hoje para saber o que eles consumirão quando entrarem no mercado de trabalho e serem donos do próprio dinheiro. Com isso, o adulto de hoje pensa que tem escolha, mas o marketing preparou o que é consumido no presente de 10 a 15 anos atrás.
Não há problema com o marketing, o problema é não haver disseminação de informação sobre o que é o marketing. Afinal, você não precisa de licença para ser livre; você pode escolher entre manter um estilo clássico ou adotar as tendências de mercado. O poder de escolha tem que ser do cidadão. Não só achar o que foi projetado para ele consumir.
A geração Z queria liberdade, mas foi comprada pelo marketing Crédito: Shutterstock
A geração Z (nascidos a partir de 1995 até aproximadamente 2010) recebe, todos os dias, uma robusta carga de informações e propagandas direcionadas exatamente para os indivíduos pertencentes à essa geração, mas que, na sua adolescência e juventude, queriam o oposto disso. Buscavam liberdade, autenticidade, simplicidade e facilidade para existir e ser quem são. São caracterizados pelo domínio das novas tecnologias e pela urgência e multiplicidade. Entretando, não são imunes ao bombardeio de propagandas diárias.
A hiperconectividade tem feito essa geração cair em armadilhas que tentaram a todo custo evitar. Militantes de questões éticas, ambientais e sociais se veem cada vez mais envolvidos pelos males do século: ansiedade e depressão. Junto com essas doenças vem um mal antigo da sociedade: a compulsão alimentar e por compras. Ambas geram vícios e rombos nos bolsos; melhor, na conta corrente.
Ademais, viver em uma dimensão entre o real e o virtual é algo desafiador. Para essa geração, não há uma base de comparação do que é viver desconectado. Esses jovens adultos já cresceram com excesso de tudo: informação, críticas, opções, contradições, soluções, velocidade, ansiedade, meias verdades. Cabe a todas as gerações conviverem e se ajudarem, porque a alta inteligência visual e cognitiva dessa geração é essencial para as gerações anteriores e será ponte para as gerações que são crianças e as que estão nascendo, como as gerações Alfa e Beta.
Papa Francisco, em suas encíclicas, catequeses e homilias, alertava sobre o excesso das conexões virtuais, sobre as distrações sistêmicas que anestesiam e paralisam o ser humano, o que gera meros receptores e não produtores de saber e de atitudes. Educar não é um processo depositário, é um processo onde ilumina-se o indivíduo e ele consegue extrair de dentro de si o conhecimento que, somado às informações fornecidas pelo educador, torna-se o produto do processo educacional.
Portanto, enxergar o melhor dessa geração, acolhê-los e educá-los para a vida financeira é vital para evitarem que toda a nobreza de sentimentos éticos, ambientais e sociais não se perca. O consumismo é uma doença e, fatalmente, pode assolar qualquer indivíduo ansioso ou deprimido, independentemente de geração. Consumo em excesso é doença e, quando esse consumo é projetado pelo marketing, é pior ainda, porque o adulto de hoje não teve como se preparar com educação financeira e estudos de neuroeconomia na escola e na universidade.
Em síntese, é sempre importante frisar que o equilíbrio da vida pessoal, da vida profissional e da vida financeira não deve ser em pratos separados. É uma vida só! Conectar, desconectar, pessoal, virtual, geração X, geração Z, Alpha, Betha. Todos um! Tutte frattelli! Aprender, ensinar, desaprender e reaprender é importante para diminuir o adoecimento cíclico de todos. Produzir para consumir, consumir em excesso para gerar uma falsa demanda, para gerar um falso crescimento, para produzir mais, para consumir mais.
Por fim, é vital que fique claro que o artigo não é somente para a geração Z, é para todos. Sempre terá alguém da GenZ ou TrueGen em algum lugar. Hoje, eles são os jovens adultos, pode ser alguém da sua família. Talvez, um empregado, um funcionário, um colega de trabalho. Ou, amanhã, serão os adultos chefes dos seus filhos ou seus netos ou bisnetos. A saúde mental e financeira dessa geração importa, e muito! Prezada geração Z, sinta-se importante! Vocês são bem-vindos em toda a sociedade!

Carol Campos

E administradora, especialista em Gestao de Recursos Humanos e profissional certificada Anbima CPA-10 e CPA-20. Tem 23 anos de experiencia com orcamento, investimentos e planejamentos previdenciario e sucessorio. Trabalha com ESG e na prevencao de lavagem de dinheiro.

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