Com excelência de atendimento e eliminação de tarifas bancárias, bancos digitais e fintechs tem revolucionado a indústria financeira e despertado preocupação nos grandes bancos. Um fator, porém, ainda mais crucial é o processo de desintermediação no mercado de crédito, ou seja, a eliminação da figura do banco entre investidor e tomador de crédito.
Em busca de maiores rentabilidades, com a taxa básica de juros nas mínimas históricas, investidores estão migrando de aplicações bancárias, como CDBs e poupança, para investimentos na economia real, como imóveis, ações ou mesmo a abertura de negócios próprios. O novo paradigma também tem se aplicado ao mercado de crédito.
Com títulos públicos e bancários com rendimentos líquidos reais próximos a zero, investidores e fundos têm optado por emprestar dinheiro a empresas por meio de títulos privados, como CRIs, CRAs, FIDCs e Debêntures. O Crédito Privado surge para as empresas como uma oportunidade de expandir negócios ou mesmo reestruturar dívidas, com menores custos de capital e prazos alongados.
Entre as modalidades, destaca-se o CRI, ou Certificados de Recebíveis Imobiliários, que nada mais é do que a titularização e antecipação de recebíveis imobiliários, como aluguéis ou vendas de imóveis a prazo. As operações contam com a garantia do imóvel, conferindo mais segurança. Essa segurança, atrelada à eliminação dos bancos da equação, reduz as taxas para quem toma o crédito, incentivando investimentos, e contribui para o desenvolvimento econômico do país.
Emissões de CRIs somam mais de 70 bilhões de reais no Brasil, entretanto ainda são pouco conhecidas no Espírito Santo. Recentemente foi concluída a operação em uma tradicional empresa capixaba envolvendo mais de 90 milhões de reais em recebíveis. O CRI possibilitou a realização de investimentos em expansão, por meio da antecipação de aluguéis que a empresa receberia apenas no futuro.
Diante do crescente número de operações como essa, é possível afirmar que a desintermediação financeira é um caminho sem volta no novo cenário econômico do país, de juros baixos e investimentos voltados para a expansão de negócios, geração de empregos, e resultando em prosperidade econômica.
*O autor é coordenador da Câmara de Finanças do IBEF-ES e especialista em crédito privado