O número de casos do coronavírus mundo afora e os efeitos que ele tem causado na economia brasileira e mundial são crescentes e ainda é difícil mensurar o quanto os reflexos do Covid-19 vão perdurar e com qual intensidade.
A cada dia a constatação de como as economias estão interligadas e têm forte dependência da China, hoje um dos principais hubs do planeta, é reforçada. Resultado: crescem as preocupações de segmentos que vendem e compram dos asiáticos.
Um dos setores que teme os desdobramentos desta “nova gripe” é o farmacêutico que, segundo fontes ouvidas pela coluna, tem na China o seu principal fornecedor de insumos usados na fabricação de medicamentos. No caso de alguns compostos, os chineses fornecem até 70% da matéria-prima para companhias que atuam no Brasil.
Com a paralisação de muitas fábricas no país onde o Covid-19 teve sua origem, compostos químicos diversos podem não chegar às nossas indústrias farmacêuticas, fazendo com que medicamentos fiquem mais caros e até faltem no mercado nacional. Quando isso vai acontecer e o impacto nos preços dos remédios não foi revelado por nenhuma fonte. Todas foram unânimes em dizer que é cedo para quantificar as consequências.
Sem entrar em detalhes dos números, um empresário capixaba do ramo - que prefere não ser identificado - diz que multinacionais já estão se mostrando receosas sobre como ficará a oferta de remédios como omeprazol, cefazolina e ceftriaxona.
“Tem laboratório que tem estoque para um ano. Mas não sabemos quanto cada indústria tem de matéria-prima para garantir a produção normalizada. O coronavírus pegou todos de surpresa. Ninguém estava preparado, não sabemos se a situação pode piorar, então, todos estão sem saber qual estratégia adotar.”
FEIRA PODERÁ SER TERMÔMETRO DO MERCADO
De acordo com uma fonte, agora no mês de março acontece em São Paulo uma feira anual do setor hospitalar e, para ela, o evento será um termômetro de como o segmento vai reagir aos possíveis impactos no mercado.
CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO NO ES
O Espírito Santo não tem uma indústria farmacêutica forte. Os Estados que se destacam na área são principalmente: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Minas Gerais, de acordo com informações da Anvisa. Mas por aqui existem diversas empresas que fazem a distribuição para municípios capixabas e também para diferentes partes do país. “Certamente se o problema continuar, poderemos ver o faturamento das nossas empresas ser comprometido”, avaliou outra fonte que prefere não se identificar.
NÃO É HORA DE ALARMISMO
A preocupação maior é como ficará a oferta de medicamentos que são utilizados e/ou vendidos em farmácias, clínicas e hospitais. Mesmo assim a empresária e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos do Espirito Santo (Sindiquímicos), Zilma Bauer, pondera que cautela não deve ser confundida com alarmismo.
“Não podemos descartar a possibilidade de haver aumento de preços ou a falta de algumas medicações. Mas até agora isso é apenas uma preocupação. Não temos oficialmente nenhum anúncio de que ficaremos sem determinado remédio. Tudo vai depender do estoque de matéria-prima dos laboratórios e também de como será o controle da doença e quanto tempo a China ficará com a produção de suas fábricas interrompida. Devemos nos manter atentos, mas sem desespero", frisa.
REFLEXOS TAMBÉM PODEM CHEGAR AO SETOR DE COSMÉTICOS
Zilma, que é a fundadora da empresa Ervas Naturais, afirma que o setor de cosméticos e beleza também pode ser afetado. “Temos algumas commodities que são importadas da China, como insumos para mercado de essências, silicones e polímeros. Mas até o momento, pelo menos na minha empresa, não fomos comunicados sobre nenhum desabastecimento de insumos.”