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Esquente os tamborins e fique por dentro dos bastidores do Carnaval de Vitória com Jace Theodoro

Chicos, negros, índios, músicos, guris, rainhas e mágicos deram um show

Sete escolas brilharam no último dia dos desfiles do Carnaval de Vitória os olhos da plateia, em um espetáculo de provocar baticuns nos corações. Que venham mais sete no próximo ano!

Publicado em 16/02/2020 às 13h46
Atualizado em 16/02/2020 às 13h49
Sete escolas de samba desfilaram no Carnaval de Vitória na noite de sábado (15). Crédito: Vitor Jubini , Rodrigo Gavini e Fernando Madeira
Sete escolas de samba desfilaram no Carnaval de Vitória na noite de sábado (15). Crédito: Vitor Jubini , Rodrigo Gavini e Fernando Madeira

Sete foi o número cabalístico deste carnaval. Sete foram as passagens pela avenida entre a noite de sábado (15) e a madrugada de domingo (16). Sete as escolas que brilharam aos olhos da plateia na torcida por seus pavilhões. O Sambão do Povo foi palco de Franciscos, negros, índios, músicos que se juntaram a guris, dom João VI e mágicos em espetáculo de provocar baticuns nos corações.

Com seus Chicos, a Piedade trouxe anjos de luz nascendo em cada primavera para semear paz, arte e resistência de todos os naipes de cores. A Mais Querida espalhou a mensagem de São Francisco de Assis retirando da avenida as pedras do ódio para oferecer flores amorosas e de esperança. E onde havia trevas fez-se a luz.

Unidos da Piedade abriu os desfiles de sábado. Crédito: Rodrigo Gavini
Unidos da Piedade abriu os desfiles de sábado. Crédito: Rodrigo Gavini

A Jucutuquara deu voz à sabedoria dos Griots ancestrais, mostrando o sangue vibrante da Mãe África, cuja cultura desenhou o arco mestiço da história do Brasil. A arte e cultura africanas passadas por gerações das Nações pretas às belezas e agruras de Machados, Carolinas, Abdias, Mercedes e Mandelas. O sorriso negro se abriu em arte maior no Sambão do Povo.

Jucutuquara foi a segunda escola a desfilar. Crédito: Rodrigo Gavini
Jucutuquara foi a segunda escola a desfilar. Crédito: Rodrigo Gavini

Os donos de terras brasilis se apropriaram da avenida com a MUG e seu santuário de lendas indígenas. Os olhos delirantes do holandês invadiram Oby com medo, curiosidade e ambição sobre a terra imaculada de riquezas. Ritos canibais ganharam luzes mais espirituais, pássaros de fogo soltaram chispas sob o céu de trovões e relâmpagos de cintilantes tribos. Um mar de verdes cobriu de belezas a passarela.

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MUG entra na avenida com o enredo
MUG entra na avenida com o enredo "Oby – O Imaculado Santuário das Lendas" . Crédito: Fernando Madeira

A Boa Vista juntou notas musicais, batidas de congo, rock, casacas e tamborins para celebrar a música capixaba provando que nem tudo o que é bom vem de fora. Lá estavam a diva Natércia, o Anjo Preto Papo Furado, os manimais Alex e Amaro Lima, a dama do samba Vera da Matta, a sanfona do Alemão do Forró e mais e mais. O capixaba voltou a ser chique sob aplausos do seu povo no Sambão.

Bateria e enredo da Boa Vista conquistaram arquibancadas e camarotes. Crédito: Rodrigo Gavini
Bateria e enredo da Boa Vista conquistaram arquibancadas e camarotes. Crédito: Rodrigo Gavini

Os guris encheram a passarela do samba de sombras e luzes ao ensinar seus beabá ao bloco dos indiferentes. Com direitos jogados como eles nas ruas, sob as marquises do abandono, a Novo Império deu seu grito em favor da criançada e sua merecida dignidade. Mas teve lugar para o palco da alegria, da brincadeira, palhaços em sorrisos foliões e carrosséis girando à cata de um futuro onde sairá dos livros o direito dos guris à vida.

Novo Império levou o universo infantil para a avenida. Crédito: Rodrigo Gavini
Novo Império levou o universo infantil para a avenida. Crédito: Rodrigo Gavini

Dona Maria, a Louca, ganhou a avenida em rodopios delirantes quando a Imperatriz do Forte resolveu reviver a família real singrando mares de tormenta para chegar ao Brasil. Dom João VI travou guerra de tapas com Napoleão antes de se transformar numa índia e conceder-lhe plenos poderes de suas terras. A Rota Imperial cruzou as Gerais das ladeiras de Vila Rica até ocupar as varandas do nosso Palácio Anchieta.

A Imperatriz do Forte foi a sexta escola a desfilar no Sambão do Povo. Crédito: Rodrigo Gavini
A Imperatriz do Forte foi a sexta escola a desfilar no Sambão do Povo. Crédito: Rodrigo Gavini

Quando os Portais da Ilusão da São Torquato se abriram junto com o dia, um mundo de magias e sensações ilusórias levou à plateia ao universo dos truques entre trevas e clarões. De vermelho, branco e outras colorações, a escola trouxe à mente os versos do poetinha Vinicius com a grande ilusão do carnaval. Clareou o dia e o astro rei derramou luzes sobre a avenida do samba “por um momento de sonho pra fazer a fantasia”.

Unidos de São Torquato encerrou o desfile já na manhã de domingo (16). Crédito: Vitor Jubini
Unidos de São Torquato encerrou o desfile já na manhã de domingo (16). Crédito: Vitor Jubini

E o cabalístico sete fechou as portas do Sambão quando o relógio mostrou seus ponteiros. Terminavam ali os sete carnavais do calendário inumerável de Momo. Que venham mais sete no próximo ano.

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