Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Eleições 2020

Voto cidadão pode começar a curar a alma da nação neste domingo

Faz tempo que a alma brasileira está contaminada pelo vírus da polarização e da radicalização ideológica. Voto consciente e pacificação política em 2020 podem começar a resgatar a paz social de que o país tanto precisa

Publicado em 15 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

15 nov 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

O Brasil precisa de pacificação política, começando por esta eleição municipal Crédito: Amarildo
Chegou o dia. Exceto nas cidades que terão 2º turno, hoje temos a apoteose, o grande ato final de uma eleição sem igual, que será para sempre lembrada, em um ano que também já entrou para a história por um motivo demasiado triste para ser esquecido: a pandemia, ainda em curso, do novo coronavírus. E esse “grande ato final” cabe a mim, a você, a cada um de nós, no encontro que temos marcado para este domingo (15) com as urnas.
A pandemia tirou nossa base, nosso chão; em muitos casos, nossos entes queridos. E ensejou muitas reflexões. Em um momento tão importante de um ano que nos fez repensar tantas coisas, proponho mais uma reflexão: precisamos pacificar o país.
O Brasil está há tempo demais contaminado por um vírus de outra espécie, infiltrado não no corpo humano, mas no organismo da própria nação: o vírus da radicalização política. Faz anos que o país criou uma armadilha para si mesmo e embrenhou-se no labirinto de uma polarização sem fim, segundo uma concepção simplista que reduz a política a um campo de guerra ideológica entre lados opostos: uma “direita”, uma “esquerda”, e nada fora disso, numa eterna luta do “bem” contra o “mal” e posições se invertendo de acordo com cada soldado.
Temos visto, há alguns anos, o primado da disputa política baseada no confronto, na negação da existência do outro e do seu direito de pensar de outro modo; muitas vezes, até, no desejo expresso de aniquilação do adversário, tratado sem nuances como inimigo a ser sepultado.
Esse duelo é artificialmente exacerbado para servir a interesses poderosos de terceiros que dele se nutrem, mas passa longe do interesse maior do cidadão comum, das suas necessidades mais urgentes e das suas preocupações mais pungentes, mais ainda num momento historicamente delicado como é o atual.
Essa guerra já foi longe demais. Já dura mais tempo do que seria desejável e do que poderia ser saudável para qualquer povo.
Alimentada por muitos governantes que exercitam o poder e se alimentam desse perene clima de conflito e antagonismo político, esse extremismo não faz bem ao país. Mantém-nos em permanente estado de tensão, tristeza, depressão. Gera conflitos sociais e familiares… Nos últimos anos, tragados por essa espiral de paixões extremadas, quantos amigos e parentes se afastaram (e não por medida sanitária, não por serem forçados a manter distanciamento social)? Sim, muito antes da pandemia, os brasileiros já estavam “socialmente distanciados”.
É preciso unir e colar os cacos dessa nação fragmentada.
Esse vírus da divisão se entranhou na alma da nação. Não é só o nosso organismo coletivo, enquanto pátria. O espírito também está contaminado e adoecido. Tomando emprestada a expressão de Joe Biden, precisamos curar a alma do nosso país. E é aí que entram a responsabilidade cidadã de cada um de nós e o exercício da cidadania através do voto, neste domingo.
Não há melhor maneira para começar a curar a alma nacional do que abaixar a temperatura, respirar fundo, trocar a paixão pela razão, o extremismo pela moderação, e exercitar, com consciência, o seu livre direito de escolha: votar com a cabeça no lugar da bile, tendo em mente os problemas reais e concretos que afligem as nossas cidades, acima da polifonia ideológica e de um incessante Fla x Flu entre faces da mesma moeda.
Numa eleição como esta – sobretudo em se tratando de uma eleição municipal –, mais vale priorizar uma boa iluminação pública no meu bairro do que questões abstratas que estão anos-luz distantes da minha realidade palpável (o comunismo, o fascismo, o trumpismo, o marxismo e tantos “ismos” que no fundo não passam de “distracionismo”).
Preocupar-se com um serviço eficaz de limpeza urbana e coleta de lixo é muito mais útil que ficar a chamar de “lixo” determinado político ou emissora de TV. Garantir a qualidade da merenda escolar servida nas creches municipais das nossas crianças é muito mais importante do que ficar perseguindo o próprio rabo numa perpétua luta entre “coxinhas” e “pães com mortadela” (muito embora, no sentido literal, eu não queira nada disso servido para o meu filho no recreio da escolinha de ensino infantil onde o deixo enquanto trabalho).
É preciso distensionar o Brasil, a começar pelas cidades (o lugar onde vivemos). Não, o voto não é vacina para esse vírus do extremismo, da radicalização ideológica e da divisão política. É mais que isso.
O voto, hoje, pode ser o princípio da cura.

MUITO BARULHO POR NADA

Bravatas, gritaria ideológica, mentiras, frases de efeito, teorias conspiratórias. Tudo isso pode ajudar pessoas a chegar ao poder. Mas, se tem uma lição que essa pandemia nos ensinou a todos da maneira mais cruel possível é: nada disso ajuda a governar. Barulho ideológico não dá resultado, menos ainda quando suplanta a boa técnica, o respeito a especialistas, a reverência a séculos de estudos e pesquisas acumulados pela ciência.
Na hora em que a crise aparece, ou se agrava, e em que é preciso apresentar soluções e dar respostas claras e concretas à população, de nada serve a gritaria ideológica. Nem sempre o que serve para chegar ao governo também serve para governar. Isso vale para todas as esferas do poder. No caso do Poder Executivo, vale da Presidência da República às prefeituras municipais, passando pelos governos estaduais.
Para governar, é preciso método, planejamento, organização, equipe qualificada escolhida por critérios técnicos, coordenação de ações, comunicação clara e correta com a população.
É preciso currículo, treinamento, preparo, liderança, competência, capacidade gerencial, conhecimentos específicos sobre gestão, finanças públicas… Ah, sobre economia também!
É meio incrível termos que frisar isso, mas, na atual conjuntura, não é demais lembrar: um homem público que faça jus à nossa confiança também precisa demonstrar respeito ao cargo e às pessoas, equilíbrio emocional, temperança, educação, boas maneiras, civilidade.
Acima de tudo (e de todos), precisa ter espírito público acima do próprio ego, da busca incontida por pretensas vitórias pessoais, colocadas acima dos interesses coletivos.
Neste domingo, além dos vereadores, vamos eleger nossos prefeitos. Por isso, ao definir seu voto, um bom exercício é perguntar a si mesmo: qual candidato, na minha avaliação, reúne melhor os pré-requisitos acima?
Um bom domingo e um bom voto para todo(a)s.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Agricultura, agronegócio, agropecuária, lavoura de café
Mais de R$ 10 bilhões para financiar o agro do ES na safra 26/27
Fachada da Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro
Bebê declarado morto é encontrado vivo duas horas depois no interior de São Paulo
Imagem aérea do incêndio no Arquivo Geral do TJES
Incêndio em arquivo: TJES faria vistoria nesta quarta (22) para discutir reforço na segurança

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados