Na corrida pela
Prefeitura da Serra, a seis dias do 2º turno da votação no próximo domingo (29), parece quase impossível uma virada do vereador
Fabio (Rede) para cima do favorito, o deputado federal e ex-prefeito
Sergio Vidigal (PDT). Possível ainda é, mas hoje soa muito improvável, diante dos números oferecidos pela
pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada nesta segunda-feira (23) aqui, em A Gazeta: Vidigal mantém ampla vantagem sobre Fábio, com 56% da intenção estimulada de votos, contra 32% do candidato apoiado pelo prefeito Audifax Barcelos (Rede).
Quando se coloca a lupa sobre os dados mais refinados da pesquisa, encontramos outros que não favorecem muito o candidato da situação, tampouco sinalizam uma perspectiva de reversão do cenário atual.
Um exemplo importante disso: para alcançar e ultrapassar Vidigal, o mínimo esperado é que Fabio, como representante da situação, consiga atrair para si a maior parte dos votos dos eleitores que avaliam positivamente a atual administração do patrono de sua candidatura, o prefeito Audifax.
Isso prova, ou melhor, reforça algo que já constatamos aqui: embora Audifax e Vidigal sejam adversários viscerais, parcela considerável dos serranos não os vê exatamente como adversários nem como antagonistas políticos, a menos que haja um confronto direto entre os dois (o que não é propriamente o caso). No coração desses eleitores, há espaço e preferência para ambos, alternadamente.
E, em números absolutos, essas vêm a ser as categorias sociais mais significativas da população serrana, de acordo com o universo de entrevistados indicado na metodologia da pesquisa. Em outras palavras, Vidigal é bem vais votado que Fabio precisamente nos segmentos populacionais mais numerosos, onde existem mais eleitores.
Outro fator que não está concorrendo a favor de Fabio neste momento é que, contrariando a euforia e as expectativas iniciais do grupo de Audifax logo que o candidato conseguiu chegar ao 2º turno (uma vitória pessoal, mas parcial), o representante da situação na Serra não conseguiu angariar apoios políticos nem tão numerosos nem tão significativos.
Perante esse conjunto de elementos, além da nunca desprezível força da máquina municipal e de Audifax, pessoalmente, atuando em favor de Fabio, uma reviravolta na linha de chegada depende muito de eventual vitória estrondosa do vereador da Rede contra Vidigal nos debates finais. Nesse tipo de contenda, porém, mesmo não sendo reconhecido como um exímio debatedor, Vidigal pode levar certa vantagem pela experiência e pelas décadas de treinamento contra um adversário debutante em disputas a cargos do Poder Executivo.
Diga-se de passagem, cabe um adendo sobre isso: se é verdade o que afirmou o próprio candidato, estamos diante de uma situação nem um pouco republicana, em que serviços públicos de responsabilidade do poder público municipal deixam de ser prestados a contento, em prejuízo dos munícipes daquelas comunidades, segundo critérios de natureza estritamente político-eleitoral e que nada têm a ver com os cidadãos que ali vivem.