Não vamos aqui dizer que Victor Coelho (PSB) já está sentado na cadeira de prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Primeiro, porque não faria sentido: como prefeito em busca reeleição, ele já ocupa mesmo o referido assento. Segundo, porque alguém poderia nos acusar de estarmos “zicando” o candidato. Em 1985, na eleição à Prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso aceitou fazer uma foto sentado na cadeira de prefeito antes da votação e acabou perdendo o pleito para Jânio Quadros.
Em todo caso, a verdade é a seguinte: com base nos números da pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada nesta quarta-feira (21), Coelho já está com uma mão e meia na taça da reeleição. Na intenção estimulada de voto, o prefeito já aparece com 51%, abrindo um mundo de vantagem sobre todos os seus desafiantes. O segundo colocado nesse cenário é o vice-prefeito da cidade, Jonas Nogueira (PL), com 8% – mesmo percentual de brancos e nulos.
Considerando somente votos válidos, o abismo é ainda mais dilatado. Se excluirmos da planilha os votos brancos, nulos e indecisos, Coelho hoje teria 62,2% dos votos válidos na maior cidade do Sul do Espírito Santo.
Como não chega a ter 200 mil eleitores, Cachoeiro não tem a possibilidade de 2º turno. No município, a disputa pela prefeitura é, necessariamente, decidida em turno único. Porém, com os resultados da sondagem do Ibope, mesmo que houvesse a possibilidade de dois turnos em Cachoeiro, o atual prefeito já estaria reeleito no 1º turno, se a eleição fosse hoje.
Assim, o “reinado” de Sérgio Vidigal como candidato em melhor situação entre as maiores cidades capixabas durou pouquíssimo. Para ser preciso, durou apenas dois dias: o intervalo de publicação entre duas pesquisas da série Ibope/Rede Gazeta.
Na última segunda-feira (19), a pesquisa Ibope sobre o cenário eleitoral na Serra apresentou Vidigal com 46% das intenções de voto na estimulada. E, na coluna, mostramos que o deputado federal do PDT estaria eleito na Serra em 1º turno, com 57% dos votos válidos, se a eleição fosse hoje. Agora, o prefeito de Cachoeiro supera-o, aparecendo em situação ainda mais confortável.
Como se não bastasse, a rejeição a Coelho em Cachoeiro (20%) não chega a ser baixinha, mas é administrável e pode ser considerada perfeitamente normal para um prefeito em pleno encerramento do primeiro mandato. Como a margem de erro da pesquisa é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, está tecnicamente no mesmo patamar dos índices de rejeição de Joana D’Arck, do PT (17%), e de Jonas Nogueira (15%).
Nas intenções espontâneas de voto, a distância é igualmente assombrosa. Coelho salta em 1º lugar com 42%. “Em segundo lugar” vêm os votos brancos e nulos: 9%. Depois, Nogueira e Diego Libardi (DEM), com 4% cada um.
Independentemente de intenção de voto, 62% acreditam que o prefeito de Cachoeiro conseguirá se reeleger.
Como diria o cantor Roberto Carlos, filho mais famoso da nossa querida Cachoeiro: todos esses “detalhes” favoráveis a Coelho na pesquisa “são coisas muito grandes pra esquecer”. E para ignorar.