Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Vereadores de Vitória tentaram emplacar abono para servidores

E veja também: vereadores na bronca com o secretário estadual de Saúde; o “sumiço” de Gandini na Assembleia; Pazolini mais perto do governo Casagrande e Majeski, mais distante

Publicado em 18/12/2020 às 15h29
Cleber Félix, o Clebinho, presidente da Câmara de Vitória
O plenário da Câmara de Vitória. Crédito: Câmara de Vitória

Na Câmara de Vitória, de modo surreal, os vereadores conseguiram “desaprovar” e arquivar o projeto de resolução aprovado em maio que reduziria de 15 para 8 o número máximo de assessores por gabinete a partir do ano que vem. Enquanto isso, seis vereadores chegaram a tentar emplacar um abono de R$ 1.500,00 para os cerca de 350 servidores ativos da Casa (efetivos e comissionados). O bônus teria sido pago agora em dezembro. O impacto financeiro teria sido de R$ 522 mil, retirados do orçamento deste ano da Câmara Municipal.

Protocolado na última quarta-feira (16), o projeto contou com a assinatura e o apoio de Dalto Neves (PDT), Neuzinha de Oliveira (PSDB), Roberto Martins (Rede), Luiz Paulo Amorim (PV), Luiz Emanuel Zouain (Cidadania) e Nathan Medeiros (PSL).

A proposta só não foi à frente e não chegará a ser votado em plenário porque o presidente da Câmara, Cleber Felix (DEM), pensou bem e achou melhor não assinar e endossar a proposição. Por se tratar de projeto que altera o orçamento do atual exercício financeiro, eram necessárias as assinaturas de três membros da Mesa Diretora para que ele pudesse seguir tramitando.

Dalto assinou como 1º secretário da Mesa e Luiz Paulo Amorim, como 3º secretário. O 2º secretário, Vinícius Simões (Cidadania), está em licença. E Clebinho optou por não assinar.

VEREADORES NA BRONCA COM NÉSIO

Por falar na Câmara de Vitória, alguns vereadores usaram os microfones na tarde desta quinta-feira (17), durante a sessão plenária, para criticar o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB). 

Entre os críticos de Nésio estão Luiz Emanuel, Dalto, Denninho Silva (Cidadania), Mazinho dos Anjos (PSD) e o futuro presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD). Segundo um deles, a bronca é porque o secretário fez menção a possíveis restrições à realização de cultos e missas.

Os cinco estiveram com o prefeito eleito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), não no 1º, mas no 2º turno da última eleição municipal. Dos cinco, Mazinho é o único que não continuará na Casa na próxima legislatura – até porque também disputou a eleição para prefeito.

Quanto aos outros quatro, não só vão continuar na Câmara como devem integrar a base aliada de Pazolini na Casa. É bom lembrar que, no 2º turno em Vitória, Nésio apoiou abertamente o ex-prefeito João Coser (PT), derrotado pelo candidato do Republicanos. E o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, é filiado ao PT e foi secretário municipal de Saúde durante a administração de Coser na Capital (2005/2012).

Ou seja, ao que tudo indica, Nésio pode esperar, nos próximos dois anos, resistência e quiçá oposição por parte de um segmento da Câmara de Vitória.

PROCURA-SE: CADÊ GANDINI?!?

Mas a sessão desta quinta-feira (17) não foi somente bronca. Os vereadores aprovaram o orçamento de Vitória para 2021. Falando em orçamento e em Câmara de Vitória, o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), presidente do Legislativo da Capital de 2013 a 2014, tem chamado a atenção por sua ausência na Assembleia, em algumas recentes sessões importantes. Importantes sobretudo para o governo Casagrande, do qual continua sendo aliado, após o revés na disputa pela Prefeitura de Vitória.

No último dia 7, simplesmente não participou da sabatina do governador, que foi pessoalmente à Assembleia para sua prestação de contas anual aos deputados. Gandini até marcou presença no início, mas depois se retirou.

Já na última segunda-feira (14), nem isso. Gandini nem sequer apareceu na Assembleia no dia da votação do orçamento estadual para 2021 (aprovado contra os votos de Capitão Assumção e Sergio Majeski).

Abafando teorias conspiratórias, Gandini afirma que está tudo normal em seu relacionamento com o governo e que só não compareceu à sessão em que o orçamento foi votado porque, no mesmo dia, submeteu-se a uma endoscopia.

O QUE UMA ELEIÇÃO NÃO FAZ...

Em mais um gesto emblemático de aproximação estratégica com o governo Casagrande, Pazolini (ainda deputado) não só participou da sessão na última segunda como votou a favor da aprovação do orçamento. Em dezembro do ano passado, com os pés bem fincados na oposição, Pazolini votou contra o projeto de lei orçamentária anual do governo para 2020.

FALANDO EM OPOSIÇÃO…

Enquanto o ex-opositor Pazolini se aproxima do governo Casagrande, o deputado Sergio Majeski, correligionário do governador no PSB, se afasta gradativamente. Na já citada votação do orçamento, criticando a rapidez com que a peça foi votada, o deputado afirmou que o governo Casagrande está se parecendo cada vez mais com o governo passado de Paulo Hartung (ao qual ele fazia oposição).

E o Majeski versão 2021 está cada vez mais parecido com aquele Majeski do seu primeiro mandato na Assembleia (de 2015 a 2018), sempre crítico e vigilante em relação ao Palácio Anchieta.

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