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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Vandinho se põe em oração, em jejum e em “guerra espiritual” na Serra

Para chegar ao 2° turno da eleição a prefeito contra Sérgio Vidigal, candidato do PSDB aposta no antipetismo, no voto religioso e promete jejuar por 21 dias até o dia da votação

Publicado em 28/10/2020 às 05h00
Atualizado em 28/10/2020 às 05h03
Vandinho em oração, na cova dos leões (como o profeta Daniel)
Vandinho em oração, na cova dos leões (como o profeta Daniel). Crédito: Amarildo

Para chegar ao 2º turno contra Sergio Vidigal (PDT) na corrida pela Prefeitura da Serra, o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) diz estar em jejum, em oração e em uma “guerra espiritual”. Em postagem feita por ele em seu Instagram no último domingo (25) – a exatas três semanas do 1º turno, no dia 15 de novembro –, o candidato publicou a Oração de Daniel e convidou seus seguidores a se unirem a ele numa maratona de 21 dias “em jejum e oração”.

“Como servo de Deus, confiante em suas palavras e no seu tempo, te faço humildemente um pedido! Convido-os a estar comigo nos próximos 21 dias, em jejum e oração em prol de nossa cidade. Venham comigo, do dia 26/10 ao dia 15/11, nessa corrente de amor e fé, para que Deus nos mostre o caminho da sabedoria e da luz!”

Vandinho diz que está em meio a “uma guerra espiritual” e que sua inspiração é o profeta do Antigo Testamento que, mantendo-se em oração, conseguiu sobreviver milagrosamente a uma cova de leões, onde foi atirado por Dario. Rei do Império Aquemênida, Dario só permitia a adoração a ele mesmo. Flagrado em oração ao Deus de Israel, Daniel foi jogado na cova das feras, mas estas o pouparam. Ao escapar, o profeta disse que um anjo havia fechado a boca dos leões. Essa é a história contada no sexto capítulo do “Livro de Daniel”.

“Tomando o profeta Daniel como exemplo, que decidiu ficar 21 dias em jejum e oração para buscar entendimento e humilhar-se diante do seu Deus. 21 dias de resistência no mundo espiritual, mas no fim, o céu descortinou-se para sua cidade. Estamos numa guerra espiritual, mas o céu descerá sobre a Serra”, escreveu Vandinho, na publicação.

Em conversa com a coluna na última segunda-feira (26), o candidato afirmou que há um grupo de pastores da Serra realmente em jejum e em corrente de orações por ele. E que, no caso pessoal, ele pretende jejuar pelas manhãs, até o almoço, pois mais que isso não é medicamente indicado para suportar o ritmo de atividades de campanha.

Além das “armas espirituais”, Vandinho aposta em estratégias mais terrenas. Nos próximos dias, para diminuir a vantagem que o separa de Vidigal e conseguir chegar ao 2º turno, ele pretende, por exemplo, trabalhar a rejeição ao PT, já que o partido, na Serra, apoia informalmente o ex-prefeito.

Vandinho atribui esse bom resultado inicial de Vidigal ao recall político do ex-prefeito, mas acredita que o quadro já esteja mudando e que o adversário já esteja perdendo força.

Confira abaixo o pingue-pongue com o candidato do PSDB:

O senhor acha que dá para chegar ao 2º turno? Quais são as suas estratégias para conseguir isso?

Acredito perfeitamente ser possível e, no meu entender, será uma eleição de dois turnos. É natural, em uma cidade que está desde 1996 com dois prefeitos apenas [Vidigal e Audifax Barcelos], que eles comecem com recall mais alto. Mas hoje percebo claramente que a cidade está em busca de alternância, que a cidade quer uma alternativa frente ao revezamento que já dura 24 anos. Esse sentimento cresce a cada dia, e isso com certeza vai jogar a eleição para o 2º turno.

O senhor pretende, então, se apresentar como o candidato em condições de representar essa alternância no poder?

Acho que a população já me colocou como essa opção, ou como essa solução. A partir do momento em que apareço em segundo nas pesquisas, isso mostra que a população já escolheu uma alternativa frente a essa polarização de muitos anos. Acredito que a Serra não quer mais caciques. E acredito que a Serra entende que renovação é importante para o combate à corrupção e para esse novo momento da política.

O senhor não precisa alcançar Vidigal no 1º turno. Para “forçar” um 2º turno, basta que ele não supere a metade dos votos válidos. Na última pesquisa Ibope, o ex-prefeito tem perto de 60%. O que o senhor fará para retirar votos dele, além de trabalhar para aumentar sua própria votação?

Percebo que ele já não tem esses 60% e, na minha opinião, já estamos muito próximos de um 2º turno. E, no meu entender, o 1º turno terá um desfecho surpreendente. Acredito que ele não chegará nem perto dos 50% dos votos válidos, pelo sentimento da alternância muito forte que tenho percebido nas ruas. A minha última decisão, inclusive registrada em cartório, de não ser candidato à reeleição se for eleito, é um dos pontos que as pessoas mais estão falando nas ruas e nas redes sociais. Ou seja: a população não quer políticos se perpetuando no poder. A população quer soluções para os seus problemas e sabe que muito tempo no poder gera corrupção e outros problemas na máquina pública.

Até agora, o senhor tem se concentrado em um segmento do eleitorado, com acenos muito mais fortes ao eleitor considerado conservador, de direita etc. Mesmo que seja um segmento grande na Serra, essa estratégia não atinge toda a população. Para chegar ao 2º turno, o senhor pretende fortalecer essa estratégia ou diversificar a abordagem?

Eu me coloco como alguém que será o prefeito de todos e que vai unir a cidade. Acho que precisamos vencer as brigas políticas que a cidade tem hoje. É nítido e claro que tenho um posicionamento político conservador, de família. Mas meu objetivo é ser um prefeito de toda a cidade da Serra. A cidade conhece a minha posição ideológica, mas sabe o quanto meu plano de governo foca em atender a todos.

E quanto ao segmento religioso, sobretudo o evangélico, que é proporcionalmente considerável na Serra? O senhor vai reforçar o contato com esse eleitor de perfil mais religioso?

Tenho uma relação muito próxima com segmentos religiosos da cidade, com a associação e o conselho de pastores do município. Boa parte deles tem nos ajudado em um processo por uma Serra sem vícios, por uma Serra longe do PT, por exemplo. O PT inclusive declarou apoio claramente ao ex-prefeito.

O senhor também buscará associar o antipetismo a Sergio Vidigal?

Está claro o movimento do ex-prefeito de aliança com o PT. O PT disse que ia lançar uma candidata na Serra [Fernanda Souza], não lançou e fez uma coligação branca com o PDT do ex-prefeito. Foi uma estratégia de juntar as forças de esquerda para tentar uma eleição no 1º turno. Vamos enfrentar isso, até porque a população não quer mais saber de PT na Prefeitura da Serra.

No seu post convocando os apoiadores a se unirem ao senhor em 21 dias de jejum e oração, o “jejum” é no sentido figurado ou literal?

É um grupo de pastores e líderes da cidade que estão fazendo esse trabalho de oração e jejum por 21 dias em prol da Serra. Eles me convidaram para estar participando do mesmo. É claro que não tenho como fazer jejum o dia todo, por causa da caminhada de campanha como um todo. Mas o jejum aí durante o período da manhã ,eu estarei fazendo.

Na prática, o jejum matinal significa o quê? É não tomar o café da manhã e seguir sem comer até o almoço?

Geralmente vai-se até o almoço. São várias formas de se fazer o jejum. Eu já estou fazendo pela manhã. Por causa do esforço físico da campanha, nenhum médico aconselha jejuar o dia todo.

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