Ted Conti continua na bancada. Não a do telejornal apresentado por ele por décadas, mas na qual já não está há alguns anos. Refiro-me à bancada federal do Espírito Santo na Câmara dos Deputados. O jornalista e deputado federal não vai concorrer à eleição de novembro a prefeito de Vila Velha.
A possível candidatura de Ted chegou a ser ensaiada e até sonhada por alguns dirigentes do seu partido, o PSB. Agora, essa alternativa está eliminada e riscada dos papéis desses mesmos dirigentes, que no momento reavaliam o que o partido fará na eleição majoritária em Vila Velha.
Cumprindo seu primeiro mandato eletivo, Ted tem se estabelecido, desde a sua chegada à Câmara – em fevereiro de 2019, como suplente de Paulo Foletto (PSB) –, como um político extremamente identificado com Renato Casagrande e leal ao governador, que vem a ser o cacique do PSB no Espírito Santo.
Como “soldado do partido”, diante do plano inicial traçado por dirigentes para ele, Ted fez o movimento que lhe competia fazer para manter viva a possibilidade de ser candidato a prefeito de Vila Velha: no limite do prazo, encerrado no início de abril, fez seu próprio TED (Transferência Eleitoral Domiciliar), ou seja, transferiu o seu domicílio eleitoral de Guarapari para Vila Velha, mantendo-se apto, assim, a participar das eleições no município atualmente sob a administração de Max Filho (PSDB).
Mas a movimentação morreu aí. A bem da verdade, o deputado nunca chegou a realizar um movimento maciço para se viabilizar, próprio de quem realmente estivesse querendo entrar nessa disputa. Longe disso. Muito identificado com o trabalho na Câmara Federal, o deputado tem se dedicado ainda mais às atividades parlamentares. E esse é o primeiro fator que explica a sua não candidatura.
Em conversa conosco nesta quarta-feira (22), Ted explicou que ele e o partido chegaram à conclusão de que ele, no momento, pode contribuir mais para o PSB, para o Estado e para o próprio governo Casagrande permanecendo onde está e buscando atuar como um representante do governador em Brasília (como dissemos: lealdade).
"Em princípio, estamos definindo que é mais importante eu manter as minhas ações em Brasília, para ajudar, inclusive, e ser uma voz que represente o governo de Renato Casagrande lá em Brasília, que ele também precisa. Então estamos chegando a essa conclusão."
O segundo fator passa pelas eleições municipais. Não ser candidato a prefeito não significa que Ted ficará alheio ao processo. Ao contrário. Só que o partido lhe reserva outro papel na campanha. Liberado de uma candidatura própria, o deputado deve percorrer municípios, sobretudo os do interior, para ajudar o PSB a eleger seus quadros e aliados filiados a outras siglas: os candidatos simpáticos ao Palácio Anchieta.
“É possível que eu fique realmente em Brasília, porque o PSB aqui do Estado entende que é de muita importância a minha representatividade para o governo do Estado lá em Brasília e também uma linha de comunicação direta forte com o interior do Estado nessa fase de campanha, que o PSB vai precisar muito dessas ações.”
Por fim, Ted destaca um fator de ordem prática: a pandemia do novo coronavírus impediu que ele fizesse um movimento mais forte de articulação de candidatura (o que seria importante para ele, especialmente considerando a sua ausência de raízes políticas em Vila Velha).
“Por outro lado, também, o coronavírus acabou dificultando muito que conseguíssemos conversar diretamente com as comunidades para poder ter uma campanha viável. Então, em função de vários eventos, a probabilidade maior é que realmente eu fique em Brasília e ajude o PSB nessa campanha aqui pelos municípios capixabas e seja uma voz ativa do governo Casagrande em Brasília.”
E AGORA, PSB?
Agora, dirigentes do PSB reavaliam os planos eleitorais no município governado por Max Filho. Na Grande Vitória, Vila Velha é a única cidade onde o partido de Casagrande ainda não tem candidato próprio. Em Vitória, tem o vice-prefeito Sérgio Sá; na Serra, o deputado estadual Bruno Lamas; em Cariacica, o ex-vereador Saulo Andreon; em Viana, o vereador Fábio Dias.
Já em Guarapari, cidade de Ted, o partido irá para a disputa com o ex-vereador Gedson Merízio.
“A Executiva Municipal ainda vai se reunir com o [Alberto] Gavini, que é o presidente estadual, para ver quais as diretrizes que serão tomadas [em Vila Velha]. Mas ainda há um certo tempo, porque as convenções acontecem só no início de setembro, então ainda não há um posicionamento”, diz Ted.
Procurado pela coluna, o ex-vereador João Artem, presidente do PSB de Vila Velha, respondeu o que o partido fará agora: “Vamos nos reunir e traçar uma nova estratégia”.
OUTRAS OPÇÕES
Conforme a coluna apurou, há cerca de 15 dias, Artem e outros representantes do PSB se reuniram com o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Carlos Wagner Borges, que, ao contrário de Ted, dá fortíssimos sinais de querer entrar na disputa pela Prefeitura de Vila Velha.
Na ocasião, o PSB convidou Borges para se candidatar pelo partido (como militar, ele não precisa se filiar, mas somente registrar candidatura na Justiça Eleitoral, até o dia 26 de setembro). Mas não houve resposta positiva e há pouco otimismo quanto a isso.
Falando em teoria, o partido também pode se abster de lançar candidato próprio em Vila Velha e vir a apoiar outro postulante (que pode vir a ser Max Filho), até para viabilizar acordos que passem por outros municípios da Grande Vitória, considerando justamente o fato acima destacado de que o PSB já tem pré-candidatos em todas as outras maiores cidades capixabas.