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Eleições 2020

Saiba como está o cenário da eleição a prefeito de Guarapari

Atual prefeito, Edson Magalhães, deve travar disputa muito dura com dois velhos adversários na cidade, Gedson Merízio (PSB) e Carlos Von (Avante), enquanto vereadora Fernanda Mazzelli (Republicanos) luta para surpreender com o apoio de Amaro Neto

Publicado em 30 de Agosto de 2020 às 06:00

Públicado em 

30 ago 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Edson Magalhães, Carlos Von e Gedson Merízio
Edson Magalhães, Carlos Von e Gedson Merízio Crédito: Amarildo
Começamos a apresentar neste domingo (30) o cenário da disputa pela Prefeitura de Guarapari. Na “Cidade Saúde”, o atual prefeito, Edson Magalhães (PSDB), pré-candidato à reeleição, deve travar um duelo eleitoral muito duro com dois velhos adversários políticos dele no município: de um lado, o ex-vereador Gedson Merízio (PSB), que se apresenta para a luta como candidato do governo Casagrande (PSB); do outro, o deputado estadual Carlos Von (Avante), que perdeu a eleição para Magalhães por pouquíssimos votos em 2016 e atualmente, na Assembleia Legislativa, não pertence à base de Casagrande.
Correndo por fora, a vereadora Fernanda Mazzelli (Republicanos), campeã de jiu-jitsu, luta para surpreender, contando para isso com o apoio do deputado federal Amaro Neto (do mesmo partido).
Para esta coluna, ouvimos três desses quatro pré-candidatos considerados mais competitivos na cidade: Merízio, Von e Mazzelli. Contatado na última sexta-feira (28), o prefeito não deu retorno à coluna até esta publicação. Confira abaixo, então, as armas apresentadas por cada um dos três principais adversários eleitorais de Magalhães:

GEDSON MERÍZIO (PSB)

Vereador pelo PSB por um só mandato, de 2013 a 2016, Gedson Merízio confirma: “Sou pré-candidato a prefeito de Guarapari”. E afirma que não há nada que o faça desistir do páreo desta vez: “Nenhuma chance”. Ele vai concorrer à prefeitura pela primeira vez.
Merízio começou na política filiado ao nanico PHS, sob incentivo do atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCES), Rodrigo Chamoun (então no PSB). Depois filiou-se ao PSB, pelo qual foi eleito vereador em 2012. Na Câmara de Guarapari, durante a administração do prefeito Orly Gomes (DEM), foi um parlamentar independente, segundo a própria definição.
Em 2014, candidatou-se à Câmara Federal, para ajudar o PSB a eleger correligionários (Paulo Foletto alcançou uma vaga naquele ano). Em 2016, desistiu de disputar a prefeitura para apoiar Von. Deu Magalhães. Dois anos depois, concorreu sem sucesso a uma vaga na Assembleia Legislativa, mas viu Casagrande retornar ao Palácio Anchieta. No atual governo, foi subsecretário estadual de Turismo de janeiro de 2019 até abril deste ano, quando se desincompatibilizou para disputar a eleição em Guarapari.
Agora, como diz, não há nada que o demova desse páreo, para o qual se apresenta como “o candidato do governo Casagrande”. Durante a campanha, afirma Merízio, ele pretende destacar a sua relação de proximidade política com o governo e com a própria figura do governador, até por ser do mesmo partido.
“Sem dúvida alguma, sou o candidato do governo na cidade. Renato Casagrande é um amigo. Sinto orgulho de ter feito parte desse governo. Sei a necessidade da ação e da presença do governo em Guarapari para a cidade voltar a crescer. E me coloco como candidato do governo pela relação que tenho com ele, um amigo para mim.”
Como reconhece o pré-candidato, a participação do governador em sua campanha não está combinada pessoalmente com ele, mas Merízio diz esperar a presença do próprio Casagrande em seu palanque na cidade.
“Sabemos, por tudo que o governador já falou, que, onde tiver mais de um aliado disputando a prefeitura, ele não vai participar. Ele já disse isso, e eu compreendo. Mas hoje em Guarapari não se desenha nenhum aliado, a não ser eu, disputando a eleição aqui. Então eu espero que o governo esteja de fato caminhando comigo, sim.”
O ex-vereador não vem para a campanha como um grande crítico da administração de Magalhães: “Tenho com ele uma relação de muito respeito. Mas ele é candidato de um grupo e eu sou candidato do grupo do governo”. Não quer polarizar nem com o prefeito nem com Von. Em vez disso, pretende se focar em propostas voltadas principalmente para aumentar os investimentos na cidade, o crescimento econômico e a geração de empregos.
“Acho que Magalhães fez o que caberia a ele fazer nestes últimos anos, mas Guarapari precisa avançar, principalmente na geração de empregos. Guarapari está em último lugar na geração de empregos no Estado. Precisamos retomar o nosso crescimento para gerar empregos. E eu tenho condições para isso. Edson teve a história dele. Agora precisamos construir uma nova história em Guarapari. E estou preparado para isso.”
Para gerar esse crescimento, ele volta a salientar “a necessidade de presença do governo do Estado” (representado, no caso, por sua chapa): “Guarapari hoje vive uma situação muito ruim economicamente. Precisamos dar uma nova tração econômica aqui. A cidade tem enorme necessidade do governo do Estado, com investimentos na cidade”.
Já para fortalecer seu palanque, Merízio aposta em alianças com partidos que integram a base do governo Casagrande, entre eles o Cidadania, o Podemos e o PV, que ele afirma já estarem fechados com ele. O PSL também já lhe garantiu apoio.
Ele ainda tenta atrair o PDT, o Patriota e o PP. Este último também tem pré-candidata a prefeita: Maria Helena Netto, secretária municipal nas gestões de Orly Gomes e de Magalhães, nas pastas de Saúde e de Assistência Social. Ela se filiou ao partido em dezembro do ano passado. Mas, como o PP está no governo Casagrande, Merízio ainda acredita na adesão da sigla a sua coligação.

CARLOS VON (AVANTE)

Adversário de Magalhães e agora também de Merízio, o deputado estadual Carlos Von também afiança que será candidato: “Confirmo minha pré-candidatura. Esperei ao máximo para poder anunciá-la, respeitando o momento difícil da pandemia”. Será sua terceira tentativa, após ter sido derrotado em 2012 por Orly Gomes (o candidato de Magalhães naquele pleito) e em 2016 pelo próprio Magalhães.
Com passagens anteriores por outras siglas, Von se elegeu deputado em 2018 pelo Avante. Em meados de 2019, aproximou-se do PSL (então controlado no Estado pelo ex-deputado federal Carlos Manato, com quem tem afinidade política). Manteve-se no Avante e conta que, para conseguir assegurar a nova candidatura a prefeito, teve que vencer resistências dentro do próprio partido.
“Na verdade, nunca tive a intenção de sair do Avante. Infelizmente, tive algumas resistências dentro do partido, por parte da Executiva Municipal do Avante. Tentaram barrar minha candidatura. Mas tive a confiança e o apoio do presidente nacional [Luis Tibé, deputado federal por Minas Gerais desde 2011] e também da direção estadual.”
Além do Avante, Von conta com o apoio já consolidado da Democracia Cristã (DC), um partido pequeno. Dessa legenda deve vir o seu companheiro de chapa, já convidado por ele. Como confirma o deputado, ele quer ter como vice o vereador Rogério Zanon, médico em Guarapari.
A escolha de um profissional de saúde não é fortuita. Bate com o que Von avalia como problema maior da cidade na atual gestão de Magalhães e com a área à qual ele pretende dar atenção especial na campanha:
“O doutor Rogério é um vereador muito bem avaliado e é um médico. E a maioria da população de Guarapari tem a saúde como prioridade. O perfil dele se casa com a demanda maior da população. Em Guarapari, temos o problema de ainda não termos um hospital. Com a pandemia, o interesse da população aumentou. A cidade tem um dos piores investimentos em saúde do Estado”, cita o pré-candidato do Avante.
Na relação com o governo Casagrande, ele define-se como deputado independente. Já em face à administração de Magalhães, ratifica: faz oposição ao atual prefeito. “Nosso projeto é muito diferente do dele. É igual água e óleo: não tem nada a ver. Ele já está há 10 anos como prefeito de Guarapari. E o município está em último lugar em investimento em educação no Estado e entre os dez últimos em investimento na saúde”, reitera.

FERNANDA MAZZELLI (REPUBLICANOS)

Querendo surpreender nessa corrida (ou, no caso dela, nessa luta), a vereadora Fernanda Mazzelli também garante que será candidata a prefeita: “Sou pré-candidatíssima”. Será a primeira vez que disputa o cargo. Doze vezes campeã brasileira e tricampeã mundial de jiu-jitsu, ela ainda é atleta profissional na modalidade, além de ter graduação e mestrado em Educação Física. Aos 31 anos, a faixa-preta está prestes a encerrar seu segundo mandato seguido na Câmara de Guarapari, aonde chegou em 2013.
Desde sua primeira eleição para vereadora, um ano antes, Mazzelli estava no PSD. Em março/abril deste ano, na janela para trocas partidárias, migrou para o Republicanos, sigla do deputado federal Amaro Neto. E conta com o incentivo e com a presença dele em sua campanha para se fortalecer no processo, conforme relata:
“Amaro está nos ajudando nessa construção, via direção estadual. A desistência dele em ser candidato a prefeito da Serra me ajudou bastante. Ele falou que agora Guarapari é a cidade que ele quer ajudar. Em Guarapari, ele foi o candidato a deputado federal mais votado. E acredita que realmente possamos sair vencedores desse projeto.” Em 2018, Amaro teve 10.034 votos no município e de fato foi o campeão nas urnas também ali, botando mais de 4 mil votos de frente sobre o 2º colocado, Ted Conti (PSB).
A vereadora diz não haver nenhuma chance de ela recuar em prol de outro candidato, a não ser que o seu partido queira. Agora, busca a aderência de outras siglas, enquanto já dá como praticamente garantido o apoio do Partido Liberal (PL), legenda comandada no Estado pelo ex-senador Magno Malta: “99% fechado com o PL”.
De acordo com Mazzelli, também não há a menor hipótese de ela abrir mão da candidatura para ser vice de Von. Negada com veemência por ela, a possibilidade é aventada na cidade pelo fato de Von ser apoiador do presidente da Assembleia, Erick Musso, também do Republicanos e parceiro político de Amaro. “O próprio Amaro disse que só não sou candidata a prefeita se eu não quiser. Não tenho por que recuar.”
Para essa disputa, assim como Von, a pré-candidata vem com críticas à gestão de Magalhães: “É uma administração que não tem prioridades para a cidade. Está fazendo muitas obras agora no final, perto do período eleitoral. Mas a ‘Cidade Saúde’ tem saúde de péssima qualidade. O prefeito não tem diálogo e não cumpre sua palavra com os vereadores da base”.
Mazzelli já foi aliada de Magalhães (ambos se elegeram pelo PSD em 2016), mas rompeu com ele na metade do atual mandato e hoje se considera vereadora e pré-candidata de oposição ao prefeito.

PARA CONSTAR

O também vereador Oziel de Sousa (PSC), 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara, também se declara pré-candidato a prefeito de Guarapari.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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