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PSB ocupa todo o comando da Junta Comercial do Estado

Renato Casagrande indicou apenas membros do seu partido, inclusive dirigentes, para representar o governo e comandar autarquia

Publicado em 16/09/2019 às 19h27
Atualizado em 17/09/2019 às 15h37
Coluna Vitor Vogas - 18/09/2019. Crédito: Amarildo
Coluna Vitor Vogas - 18/09/2019. Crédito: Amarildo

O PSB dominou todo o comando da Junta Comercial do Espírito Santo. Por meio de decreto publicado no último dia 10, no Diário Oficial do Estado, o governador Renato Casagrande nomeou apenas quadros filiados a seu partido, sendo três deles dirigentes estaduais do PSB, para representar o governo estadual e comandar o órgão estratégico pelo qual passam interesses diretos dos empresários com negócios no Espírito Santo.

O novo presidente da Junta é o presidente estadual do PSB, Carlos Roberto Rafael. O vice-presidente é Victor Bolelli de Oliveira, também filiado ao PSB. Na nova composição do Plenário da autarquia, eles são os dois vogais titulares nomeados por Casagrande como representantes do governo estadual.

Seus respectivos suplentes, também escolhidos por Casagrande, são Paulo Alfonso Menegueli e Alberto Farias Gavini Filho. Menegueli é o primeiro-secretário da Executiva Estadual do PSB. Já Gavini Filho é secretário-geral do partido no Espírito Santo.

O decreto baixado por Casagrande estabelece toda a nova composição do Plenário da Junta Comercial do Estado para o quadriênio 2019/2023. Além dos representantes do governo estadual, o colégio é formado por representantes do governo federal, de sete entidades empresariais (associações e federações), da OAB-ES e dos conselhos regionais de Economia, de Contabilidade e de Administração do Espírito Santo.

Tirando o governo estadual, cada uma dessas entidades tem direito a um vogal titular e um suplente. Ao todo, o colégio é formado por 14 titulares, com os respectivos suplentes.

A presidente anterior da Junta, substituída agora por Carlos Rafael, era a empresária Letícia Serrão Chieppe, nomeada em 2015 pelo então governador Paulo Hartung (sem partido) e indicada pela Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes).

Para presidir a Junta, Carlos Rafael receberá remuneração fixa de R$ 9.331,69 brutos por mês. Como vice-presidente, Bolelli terá direito a salário de R$ 7.896,04. Todos os vogais, inclusive o presidente e o vice, ainda recebem 134 VRTEs (o equivalente a R$ 458,50) por sessão do colégio. Em geral, o Plenário se reúne três vezes por semana. O jetom mensal de cada vogal, portanto, pode ficar entre R$ 4,5 mil e R$ 5,5 mil por mês.

Além da vinculação diretíssima com o PSB, todo o quarteto de representantes do governo estadual na Junta também exerce ou já exerceu outros cargos na atual administração de Casagrande.

Carlos Rafael foi diretor-presidente das Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) do dia 24 de janeiro até o último dia 12, quando foi publicada, no Diário Oficial, a sua exoneração, a pedido. Isso dois dias após a publicação de sua nomeação para presidir a Junta Comercial.

Já Paulo Menegueli, suplente de Carlos Rafael, é subsecretário de Estado de Integração e Desenvolvimento Regional e chegou a ser, interinamente, secretário estadual de Desenvolvimento, pasta à qual seu cargo está vinculado.

O novo vice-presidente da Junta, Victor Bolelli de Oliveira, era “assessor especial” da Secretaria de Estado de Governo. Trabalhava na articulação política de Casagrande, sob o comando do secretário Tyago Hoffmann (também do PSB).

O suplente de Bolelli, Gavini Filho, é o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes).

A posse do colégio de vogais e da nova presidência já ocorreu, na última sexta-feira (13), na sede da autarquia, em Vitória.

Só para registrar: a Junta Comercial é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Fazenda, cujo chefe, Rogelio Pegoretti, também é filiado ao PSB.

CARLOS RAFAEL

Perguntamos a Carlos Rafael por que a opção do governador por só escolher representantes vinculados ao PSB.

“Os vogais da Junta Comercial e respectivos suplentes são designados pelo governo do Estado, entre brasileiros que atendam a uma série de pré-requisitos. Entre eles, você tem que ter sido por cinco anos sócio ou administrador de sociedade mercantil [empresa]. Não tem nada a ver com partido para ser vogal. As entidades escolhem seus nomes por lista tríplice e os submetem ao governador, e todos precisam cumprir as mesmas regras. No caso dos representantes do governo, é o mesmo critério. O governador vai escolher os nomes dele. Não adianta a gente priorizar a questão partidária, porque é irrelevante para a indicação. Se o indicado não atender aos pré-requisitos, não adianta.”

Pode ser... Mas, como já registramos aqui e está mais uma vez demonstrado, o símbolo do PSB é uma pomba; seu bico, porém, é de pelicano.

CURRÍCULO: "TENHO PREPARO PARA SER GOVERNADOR"

O novo presidente da Junta Comercial do Espírito Santo revelou incômodo com a ênfase dada ao aspecto partidário de sua nomeação, em detrimento de suas qualificações.

"O meu currículo deveria vir primeiro que a pergunta do partido. Ao partido eu me doo a uma causa, a uma vocação pública. Sou advogado, gestor público e privado. Tenho currículo de alta qualificação. Sou um quadro que poderia postular uma posição em qualquer órgão ou empresa. Só não seria governador porque precisa ter voto. Mas preparo eu tenho."

O presidente estadual do PSB conta que, aos 63 anos, acumula experiências na iniciativa privada e no setor público: foi um dos fundadores do Sicoob no Espírito Santo, foi secretário de Saúde de Cariacica, superintendente da Suppin por quatro anos, procurador e diretor de Publicação Legislativa da Assembleia Legislativa, produtor rural, diretor de usina de açúcar, dono de empresa de transportes e gerente comercial em diversas concessionárias da Grande Vitória.

Segundo Carlos Rafael, seu suplente na Junta Comercial, Paulo Alfonso Menegueli, pediu para a nomeação ser revogada.

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