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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Prefeito de Guarapari diz que é candidato e vem com apoio de Ferraço

Magalhães (PSDB) revela que seu vice será do DEM, destaca feitos de atual gestão, elogia Bolsonaro, cobra presença mais forte do governo Casagrande em Guarapari e promete Hospital Cidade Saúde até março do ano que vem

Publicado em 08/09/2020 às 06h01
Atualizado em 08/09/2020 às 12h56
Theodorico Ferraço é o principal apoiador eleitoral de Theodorico Ferraço
Theodorico Ferraço é o principal apoiador eleitoral de Edson Magalhães. Crédito: Amarildo

O que publicamos a seguir é uma raridade: uma entrevista detida do prefeito de GuarapariEdson Magalhães (PSDB). Na conversa com a coluna, ele anuncia a pré-candidatura à reeleição, lista os partidos e principais aliados que estarão com ele na nova disputa, fala de sua parceria histórica com Theodorico Ferraço – a quem chama de grande amigo – e antecipa que o vice em sua chapa será indicado pelo DEM, partido de Theodorico e da deputada federal Norma Ayub (mulher do deputado estadual).

Encerrando o terceiro mandato como prefeito da cidade (num total de dez anos no cargo), Magalhães destaca feitos de sua atual administração e rebate críticas de seus adversários locais – já publicadas aqui pela coluna. Elenca as áreas que serão prioritárias em seu quarto mandato, se reeleito, destacando a educação infantil e a saúde. E joga luz principalmente sobre a obra do Hospital Cidade Saúde, uma antiga promessa dele, que se arrasta desde 2010 (metade de sua segunda gestão), quando ele encampou a ideia de construir um hospital em Guarapari.

Opositores de Magalhães apontam problemas especialmente na área da saúde municipal ao longo do atual mandato, como a inconclusão da obra do hospital. O prefeito destaca o convênio firmado com o Ministério da Saúde que permitiu o início de fato da execução da obra em março do ano passado. E fixa um novo prazo de entrega: entre dezembro e março do ano que vem.

De acordo com Magalhães, sua atual administração fez “coisas fantásticas” com recursos próprios, as unidades de saúde municipais são “muito bem avaliadas”, a educação municipal “é uma das melhores do Brasil” e, ao lado da saúde, terá atenção especial da prefeitura se ele for reeleito, com a promessa de inauguração de mais dez creches só no ano que vem.

O prefeito se diz um apoiador do governo Bolsonaro, a quem faz muitos elogios. Já com o governo Casagrande, prefere definir sua relação como “de respeito” e institucional. Como é notório, governador e prefeito não são aliados políticos. Aproveitando a deixa, este cobra daquele uma presença mais forte em Guarapari:

“`Precisamos que o Estado esteja com o município. A partir do momento que o governador estiver com o município, é lógico que nós estamos aqui exatamente para abrir as portas para o governo. Agora, é necessário também que ele faça a parte dele. Nós temos, por exemplo, várias questões em Guarapari que precisamos resolver. Nós temos aquela erosão em Meaípe. Para o Espírito Santo, aquilo ali é uma vergonha. No dia em que eu estiver com o governador, direi: 'Olha, governador, nós precisamos de um olhar diferenciado'”.

Confira a entrevista na íntegra de Edson Magalhães:

O senhor é mesmo pré-candidato à reeleição?

Sim. Sou pré-candidato à reeleição.

Quais os partidos que estarão em sua coligação certamente? Quais já estão fechados?

Certos hoje tem o DEM e o PTB*. Com o PSDB, somos três partidos, podendo ampliar para seis. Grande possibilidade de ficarmos com cinco partidos na coligação.

Quem será o seu vice? Virá de qual partido?

Olha, eu tenho um carinho muito grande pelo deputado Theodorico Ferraço e pela deputada Norma [Ayub, ambos do DEM], que tem ajudado muito o município. Então temos uma conversa muito avançada para que tenhamos um vice que vai sair do DEM.

O senhor já escolheu o nome?

Não. Estamos em conversação com três pessoas, do sexo masculino e feminino, e eu vou definir isso dias antes da convenção do PSDB, marcada para o dia 12 [sábado], às 10h, no Sesc de Guarapari.

Como o senhor define sua relação política com o deputado Theodorico Ferraço? Considera-o seu principal aliado?

Theodorico para mim é muito mais que um político. É um amigo, assim como o Ricardo [Ferraço], filho dele. Temos uma afinidade muito grande porque são pessoas que sempre estiveram do meu lado e sempre se preocuparam com o município, até por causa da história deles: o Theodorico, já aos 16 anos, frequentava Guarapari, assim como o Ricardo. E a Norma [mulher de Theodorico] tem feito um trabalho muito voltado para a cidade, principalmente para nós de fato viabilizarmos a construção do nosso hospital, no mais tardar, em fevereiro do ano que vem.

O senhor diria que Theodorico é o seu mentor político?

Não. Ferraço é sem dúvida alguma um grande amigo. Comecei uma carreira política muito sofrida em minha vida. Disputei eleições que não foram fáceis. Em 2008, assim como em 2012, não tivemos uma frente muito favorável à nossa candidatura em termos de política do Espírito Santo. Isso até mesmo pelo meu perfil, pois sou um político independente e tenho meus critérios que gosto de tratar com carinho. Por exemplo, não sou populista e sim empreendedor. Quero ver bem tratadas as pessoas que dependem dos serviços essenciais de qualidade. Prezo por isso. E sempre pude contar com Theodorico. Em 2008, por exemplo, tivemos praticamente todos os políticos de Guarapari contra minha candidatura. Naquele momento disputei a eleição com Rodrigo Chamoun e José Teófilo [apoiados pelo então senador Renato Casagrande e pelo então governador Paulo Hartung]. E Theodorico sempre esteve do meu lado. Então evidentemente temos um histórico há muito tempo.

Quais são as suas principais propostas de campanha?

Fiz um programa de governo em 2016 e pude cumprir praticamente 80% dele. Algumas coisas eu não concluí porque dependo de outras esferas, tanto a estadual como a federal. Eu tenho vontade de fazer o aeroporto de Guarapari e dependo do governo federal. Agora, no que se refere ao município, estamos fazendo os maiores projetos educacionais. Eu falei que ia fazer dez creches. Nós já entregamos quatro e estamos fazendo mais dez, além de duas escolas de ensino fundamental. Na gestão da saúde, por exemplo, já entregamos duas unidades e estamos fazendo uma terceira no interior do município. E a grande alavancada, sem dúvida nenhuma, é com relação à saúde. Lá atrás [no fim de 2018, logo após a eleição do presidente Bolsonaro], nós sofremos muito na questão da saúde porque tivemos a retirada do Mais Médicos, o que gerou um desconforto muito grande em nossas unidades. E nós fizemos a recomposição disso aí, com um processo seletivo recente para contratar médicos com carga semanal de 20 horas. As nossas unidades estão muito bem avaliadas. A questão central de Guarapari é o que venho falando desde 2010: que a gente possa ter um hospital. Os adversários foram contra o hospital. Deputado da cidade foi contra o hospital. Todos os vereadores foram contra o hospital, principalmente um vereador que é dono de hospital. Então, tudo isso trouxe um desconforto muito grande...

O senhor se refere ao hospital municipal que está em construção? E será gerido pelo próprio município?

Não. É uma parceria do município com o governo Bolsonaro, através de um convênio que fizemos agora em 2019. Nós temos esse convênio, e a deputada Norma nos ajudou bastante nisso. Temos tratado isso com muito carinho. Estamos entrando com uma contrapartida de R$ 6,3 milhões, e o governo federal com R$ 18 milhões. É um hospital de ponta, de mais de 170 leitos, que vai atender não só Guarapari mas toda a região: Alfredo Chaves, Iconha, Anchieta... Será um grande investimento esse Hospital Cidade Saúde.

Ele vem sendo construído desde que ano?

Ele está sendo construído de fato desde março de 2019. Eu saí da prefeitura [em 2013, com a eleição de Orly Gomes, apoiado por ele e rompido no meio do mandato]. O governo passado começou a fazer um processo licitatório. Não deu certo. E eu, retornando à prefeitura, comecei a botar isso para andar.

Então a ideia já existia no papel alguns anos antes, mas a obra propriamente dita começou a ser executada em março do ano passado?

Sim. Não tinha nada lá. Só a estrutura antiga. O hospital de fato está sendo construído do ano passado para cá.

Só para deixar bem claro: na execução, a obra do hospital conta com recursos tanto da prefeitura como do governo federal, graças a esse convênio firmado com o Ministério da Saúde...

Sim, uma verba direta do Ministério da Saúde, obtida na gestão do ex-ministro Mandetta, com ajuda da Norma e do Ricardo Ferraço. O Ricardo era senador. Em 2010 nós encampamos essa ideia e [já no governo Bolsonaro] conseguimos implantar isso junto ao Ministério da Saúde... Então já estamos com a execução dessa obra em mais de 40%. E o nosso cronograma é entregar esse hospital entre dezembro e março do ano que vem.

Ok. Na execução, então, o investimento é dividido entre prefeitura e governo federal, mas, uma vez concluída a obra e inaugurado o hospital, ele será mantido e gerido pelo município?

Não. O Hospital Cidade Saúde será uma OS: Organização Social. Temos várias organizações interessadas, inclusive para gerir o hospital.

Seus adversários têm criticado muito a gestão da saúde municipal. Podemos dizer então que, se reeleito, o senhor pretende dar atenção especial a essa área?

À saúde e você sabe: eu sou amante da educação. A educação em Guarapari hoje é uma das melhores do Brasil, sem dúvida alguma. Com o que vamos entregar de creches, nós vamos cobrir toda a demanda de zero a três anos no ensino infantil. São poucos municípios que têm isso. Entregamos quatro creches ao longo do atual mandato. No ano que vem, entregaremos mais dez. Catorze no total. Hoje, em algumas séries, estamos entre os melhores municípios do Espírito Santo no Ideb.

Como o senhor define sua relação com o atual governo estadual e com o governador Renato Casagrande?

Todo governo  tem meu respeito, independentemente de seu grau de gestão. Minha relação com o governo é uma relação institucional. Conheço o governador e o respeito. Aquilo que for bom para o município e que for para ajudar o município, eu estarei sempre junto com o governo. E por outro lado, também, tenho um apreço muito grande pelo governo Bolsonaro. Essa reforma administrativa no setor público, por exemplo, é importantíssima.

O senhor se apresenta para essa disputa como um aliado e um apoiador do presidente Bolsonaro?

Sim, eu tenho elogiado muito o governo Bolsonaro, não só pela parceria que citei com Guarapari no hospital. Por exemplo, sou favorável a toda a política econômica do ministro Paulo Guedes. Não estou aqui para falar da pessoa e sim da administração.

E quanto ao Palácio Anchieta? Além da relação institucional já destacada, o senhor se define também como um aliado político?

Todo governo tem um propósito. E todos os municípios têm seus propósitos. Guarapari hoje é o celeiro do turismo no Espírito Santo. Então a gente precisa que o Estado esteja com o município. A partir do momento que o governador estiver com o município, é lógico que nós estamos aqui exatamente para abrir as portas para o governo. Agora, é necessário também que ele faça a parte dele. Nós temos, por exemplo, várias questões em Guarapari que precisamos resolver. Nós temos aquela erosão em Meaípe. Para o Espírito Santo, aquilo ali é uma vergonha. No dia em que eu estiver com o governador, direi: “Olha, governador, nós precisamos de um olhar diferenciado”.

Está faltando essa presença mais forte?

Os prefeitos, por exemplo, de Serra, Vitória, Vila Velha, Viana e Cariacica, todos eles estão fazendo obras com recursos de financiamento do Finisa. E a operação de crédito com a Caixa Econômica não foi realizada em Guarapari porque a Câmara Municipal não aprovou. Hoje estou investindo R$ 70 milhões na cidade com recursos próprios. Se você olhar o Brasil hoje, ninguém está fazendo isso. Nós recuperamos a Praia do Morro, estamos recuperando as prais do Centro e toda a praia de Meaípe com recursos da prefeitura, praças, escolas, asfaltamento em todos os bairros... O sistema de iluminação de Guarapari é um dos mais perfeitos do Espírito Santo. São coisas fantásticas. Mas quais são os grandes projetos para Guarapari hoje? Implantar as marinhas, fazer o aeroporto, fazer a terceira ponte... Precisamos de parcerias para isso.

* O PTB estava mesmo fechadinho com Magalhães, porém a entrevista do prefeito foi dada à coluna antes da reviravolta que pode levar o partido de Roberto Jefferson a lançar candidato próprio a prefeito também em Guarapari.

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