Eu acho. O fenômeno da crise da PMES em 2017 tem a ver com a própria ecologia interna da PMES. Na gestão anterior de Renato Casagrande [2011/2014], foram contratados muitos soldados. Pelos salários oferecidos e pela melhoria das condições, a PMES deixou de ter uma base nos mais pobres, que era a base dos anos 1950, 1960, 1970 (aquela Polícia Militar mais rústica), e passou a ser uma Polícia Militar formada por bacharéis de Direito. Hoje a base social da PMES são jovens, da pequena classe média, bacharéis em Direito, sobretudo formados em faculdades privadas. Eles começaram a absorver essa ideologia da extrema-direita. Desses grupos aí o mais explícito é Olavo de Carvalho, mas há muitos outros. Quando a greve da PMES explodiu, ela foi muito confundida com um fenômeno da política local. Eu acho que ela não tinha nada a ver com a política local. Nós não percebemos que essa base social de classe média universitária se “direitizou” no processo.