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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Neuzinha é mesmo candidata a prefeita de Vitória, com vice do PSDB

Vereadora e seu vice, Anderson Theodoro, já registraram candidatura oficialmente. Com isso, Luiz Paulo está fora de vez da disputa, e o PSDB virá sozinho em Vitória, sem aliança com Pazolini no 1° turno

Publicado em 20/09/2020 às 06h01
Atualizado em 20/09/2020 às 09h14
Neuzinha de Oliveira, vereadora de Vitória e pré-candidata a prefeita da capital
Neuzinha de Oliveira, vereadora de Vitória e pré-candidata a prefeita da capital. Crédito: Acervo pessoal

Decana da Câmara Municipal de Vitória, a vereadora Neuzinha de Oliveira será mesmo candidata a prefeita da Capital. Não tem mais volta. Após cinco mandatos seguidos na Câmara, aonde chegou em 2001, a ex-líder comunitária disputará a sua primeira eleição ao Executivo, tendo como vice em sua chapa o advogado Anderson Alexandre de Paula Theodoro, também filiado ao PSDB (desde abril de 2018). O pedido oficial de registro das duas candidaturas foi feito na última sexta-feira (18). Isso tem três significados práticos:

1) Agora, sim, pode-se-dizer: “game over” para a candidatura a prefeito de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Do ponto de vista político já estava praticamente impossível, mas agora, também do ponto de vista legal, não há a mais remota possibilidade de o ex-prefeito conseguir concorrer novamente à prefeitura neste ano;

2) O PSDB decidiu não firmar aliança com o Republicanos em Vitória e, portanto, não apoiar no 1º turno a candidatura a prefeito do deputado estadual Lorenzo Pazolini;

3) Neuzinha e Theodoro virão em uma chapa puro-sangue completamente kamikaze, sem nenhum partido aliado, e o PSDB acabou ficando isolado, no 1º turno, na eleição pela Prefeitura de Vitória.

Neuzinha mostra disposição para ser candidata à prefeitura. Como 2ª tesoureira nacional do PSDB Mulher, segmento feminino do partido, presidido nacionalmente pela ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius, a vereadora aposta nesse recorte de gênero. Em conversa com o colunista, já disse que quer ser a primeira mulher eleita prefeita na história de Vitória. Com efeito, em uma lista com mais de dez candidatos, ela é a única mulher nesse páreo disputadíssimo.

Em eleição tudo é possível, mas pelo menos na largada, ainda mais assim, com o PSDB isolado, Neuzinha desponta como azarão em uma corrida que tem candidatos como o próprio Pazolini, João Coser (PT), Capitão Assumção (Patriota), Fabrício Gandini (Cidadania), Coronel Nylton (Novo), Sérgio Sá (PSB), entre outros. Mas, antes mesmo da largada, o lançamento e a confirmação oficial de sua candidatura têm um resultado certo e já consumado: barrar a de Luiz Paulo, que poderia atrapalhar outros candidatos no 1º turno.

O nome de Neuzinha foi lançado pela Executiva do PSDB em Vitória em convenção realizada na Câmara Municipal, na última segunda-feira. Na oportunidade, o próprio Lorenzo Pazolini, acompanhado de partidários, foi prestigiar a convenção. Numa corte pública a Neuzinha, chegou a declarar, à reportagem de A Gazeta, que gostaria de tê-la como vice em sua chapa. O convite de fato foi feito e, por Pazolini e seu partido, a preferência era dela.

POR QUE A ALIANÇA COM PAZOLINI NÃO VINGOU?

Do ponto de vista legal, mesmo com o lançamento de Neuzinha ao cargo de prefeita na convenção do PSDB, teria sido possível uma composição.

De acordo com a legislação eleitoral, as atas das respectivas convenções deveriam ser transmitidas pelos partidos para a Justiça Eleitoral até 24 horas após o término do prazo para a realização das convenções, ou seja, até a última quinta-feira (17). Porém a data final para o registro das candidaturas é 26 de setembro (o próximo sábado).

Se, na ata da sua convenção, o partido tiver delegado à sua Comissão Executiva Municipal poderes para celebrar alianças, ele pode fazer alterações até o dia 26 de setembro. O PSDB de Vitória fez isso na sua ata. Assim, em princípio, Neuzinha e os demais dirigentes do partido na Capital teriam até o dia 26 para compor alianças, que poderiam passar inclusive pela retirada de sua candidatura e apoio a outro candidato (como Pazolini).

Mas essa aliança não deu certo. Após a convenção do PSDB, representantes do PSDB e do Republicanos se aproximaram e mantiveram tratativas. Na última quinta-feira (17), tiveram uma reunião definitiva, da qual participaram, em nome do PSDB, Neuzinha e o presidente estadual dos tucanos, Vandinho Leite. Em nome do Republicanos, participaram Pazolini, o presidente estadual da sigla, Roberto Carneiro, e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso.

Nessa reunião, em clima muito sereno, Neuzinha comunicou ao Republicanos sua decisão de manter a candidatura a prefeita. Os dois partidos celebraram, porém, acordo de apoio mútuo se um dos dois avançar ao 2º turno.

Um dos fatores que também pesou na decisão é que a cúpula nacional do PSDB não avalizou a aliança com o Republicanos em Vitória, visto que, na cidade de São Paulo (prioridade do partido de João Doria), o Republicanos lançou a candidatura do deputado federal Celso Russomanno contra o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Na sexta-feira, então, a direção do PSDB em Vitória antecipou-se e registrou oficialmente a candidatura de Neuzinha a prefeita de Vitória, com Anderson Theodoro como vice.

O secretário do PSDB em Vitória, Wemerson Pedroni, enviou à coluna a certidão que comprova: o registro de Neuzinha e de Theodoro já foi oficialmente solicitado à Justiça Eleitoral.

A VICE DE PAZOLINI: PERFIL PARECIDO, MAS NEM TANTO

Neuzinha era efetivamente a preferida de Pazolini por seu perfil muito complementar ao dele. O delegado de polícia é um homem branco, de meia idade, criado em Jardim da Penha, bairro de classe média da região continental da cidade (muito embora tenha sido muito bem votado em bairros da periferia na eleição para deputado em 2018).

Neuzinha, por sua vez, além de ser mulher, representa historicamente bairros de renda mais baixa da Capital, nos morros da parte insular, como Gurigica, Consolação, Jesus de Nazareth, entre outros. Além disso, logicamente, o PSDB aportaria à campanha de Pazolini, já no 1º turno, sua estrutura, sua militância, seus recursos e seu tempo de rádio e TV.

Descartada em definitivo a possibilidade de Pazolini ter Neuzinha como vice, os dirigentes do Republicanos correram para identificar e convidar outra parceira de chapa para o deputado com o perfil mais próximo possível a esse que buscavam. Encontraram-na dentro do próprio partido, na figura de Estéfane Ferreira, 29 anos, capitã da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), anunciada na manhã deste sábado (19) como vice do deputado em chapa puro-sangue.

Assim como Neuzinha, além de ser mulher, ela vem de origem humilde e representa a parte menos favorecida da ilha. Estudou a vida inteira em escolas públicas e morou na região da Grande São Pedro, foi manicure e atendente de telemarketing. Aos 18 anos ingressou na PMES, por concurso, como soldado, e desde então tem ascendido dentro da instituição.

Segundo um interlocutor da coluna que participou de toda essa operação, o fato de a capitã Estéfane ser um quadro militar é bem-vindo, mas não foi uma premissa para a escolha. Como já observamos aqui, um número imenso de candidatos a prefeito têm buscado vices oriundos de forças militares. Em Vitória, especificamente, a insegurança é um problema sempre apontado.

No caso de Pazolini, porém, esse ingrediente não foi preponderante até porque ele próprio, como delegado de polícia que é, já representaria essa faceta de “representante das forças de segurança” na chapa. Em todo caso, temos aí agora uma “chapa 100% policial”, com a cabeça vinda da Polícia Civil e a vice, da Polícia Militar.

GANDOLINI: AMBOS SÃO JARDINISTAS

Há, finalmente, um detalhe que não pode passar despercebido. Antes mesmo do início da campanha, Pazolini e o também deputado estadual Fabrício Gandini, candidato da situação, têm mantido certa polarização com indiretas e até ações na Justiça.

Ora, Gandini é um homem branco de 40 anos, descendente de italianos, cresceu em Jardim Camburi, frequentou o colégio Renovação e o Ifes, estudou Direito na FDV... Pazolini é um homem branco de 38 anos, descendente de italianos, cresceu em Jardim da Penha, frequentou o Leonardo da Vinci e também graduou-se em Direito. Perfil por perfil, os dois se assemelham bastante.

Para sua vice, então, Gandini escolheu um vereador com história como líder comunitário em São Pedro: Nathan Medeiros, do PSL. Já Pazolini escolheu uma mulher com origem também vinculada à região que simboliza a periferia da Capital.

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