Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Análise

Por que a pré-candidatura de Casagrande à Presidência pode não passar de um blefe?

PSB quer se valorizar nas negociações, mas o próprio governador já defendeu a composição de uma ampla frente político-partidária, unificada em torno de uma só candidatura ao Palácio Planalto, para derrotar Bolsonaro na eleição de 2022

Públicado em 

04 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Renato Casagrande (PSB) é governador do Espírito Santo
Renato Casagrande (PSB) é governador do Espírito Santo Crédito: Secom-ES/Divulgação
Tenho muita dificuldade em acreditar na concretização de uma candidatura de Renato Casagrande à Presidência da República porque, basicamente, ele mesmo já defendeu com veemência em entrevistas a composição de uma ampla frente político-partidária, unificada em torno de uma só candidatura ao Palácio Planalto, para dali remover Bolsonaro na eleição de 2022.
Só no espectro de centro-esquerda, essa frente deve reunir partidos hoje já bastante afinados, como o PDT, o PV, o Cidadania e a Rede, além do próprio PSB. E, na concepção de Casagrande, essa coalizão deveria ser ainda mais ampla, aglutinando também forças de centro-direita, como o PSDB e o DEM.
Ora, para não me estender em exemplos, basta dizer que, dentro desse rol de partidos, temos hoje pelo menos dois presidenciáveis com recall muito mais alto que o do governador do Espírito Santo: o já citado governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que inclusive contou com o apoio declarado de Casagrande no 1º turno em 2018.
Se a ideia é “somar para não dividir”, pois “juntos eles são mais fortes”, por que o PSB realmente lançaria a candidatura de Casagrande??? Aí entra o cálculo pré-eleitoral dos dirigentes da legenda.

O CÁLCULO ELEITORAL DO PSB

Possivelmente, o PSB a esta altura só está mostrando ao mercado político que tem um nome para jogo justamente a fim de se valorizar nas negociações que devem se intensificar daqui para a frente visando à formação dessa frente ampla.
Como sabemos, antes da definição e do registro oficial de candidaturas, todos os partidos dizem que têm candidato próprio. É legítimo e faz parte do jogo. Como disse o próprio Casagrande, é “natural” que os partidos façam isso em ano pré-eleitoral.
Isso os ajuda a conseguir uma posição melhor lá na frente, quando o calendário se afunilar e os acordos forem celebrados (uma vice, um ministério, participação maior no governo em caso de vitória da chapa). Se eu tenho um candidato, você tem que me oferecer algo condizente com o meu tamanho para que eu remova minha candidatura em seu favor.
Ocorre que, desde a morte de Eduardo Campos em 2014 – quando o PSB realmente reuniu chances reais de chegar à Presidência –, o partido presidido nacionalmente por Carlos Siqueira carece de um líder natural que tenha carisma e alcance nacional.
Em 2018, tentaram filiar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Não deu certo. Depois o partido apostou suas fichas na eleição de Márcio França em São Paulo, mas ele perdeu por pouco para Doria em 2018 e ficou sem mandato desde então. Hoje o PSB só tem dois governadores (Casagrande e o de Pernambuco). E, efetivamente, o do Espírito Santo é quem tem maior destaque nacional no momento.
Então, digamos assim… sobrou para Casagrande ocupar esse papel (na certa, mesmo ciente dos possíveis prejuízos que isso pode lhe acarretar). O que fica claro mais uma vez é que, se não pertence à tropa do “capitão” que governa a nação, Casagrande é, definitivamente, um soldado do seu partido, do qual é secretário-geral na Executiva Nacional.

PRECEDENTE: O APOIO AO IMPEACHMENT

Esta não é a primeira vez em que a cúpula nacional do PSB deixa Casagrande em uma encruzilhada entre sua lealdade como dirigente partidário e seu papel institucional como governador. Em junho de 2020, Carlos Siqueira baixou uma resolução em que a direção nacional do PSB defendia abertamente o impeachment de Bolsonaro por dezenas de motivos.
O texto citava nominalmente o apoio de Casagrande à tese. Era o dirigente Casagrande rubricando a resolução. Depois, em entrevista a A Gazeta, ele disse não defender o impeachment. Era o governador falando.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Os advogados do ES que terão 15% de aumento nos honorários
Imagem de destaque
‘Suco’ de água de frango feito por Tia Milena pode colocar saúde em risco
Imagem de destaque
Mundial de Surfe começa com mudanças, volta de Medina e etapa inédita

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados