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Eleições 2020

Por qual partido o coronel Wagner poderá ser candidato em Vila Velha?

Ex-presidente do "Projeto Político Militar" no ES, oficial dos Bombeiros só precisa se juntar a um partido em setembro para disputar prefeitura, mas algumas siglas estão em seu radar, como PSB, PSL, Podemos e Patriota. As duas últimas já têm candidato

Publicado em 22 de Julho de 2020 às 14:51

Públicado em 

22 jul 2020 às 14:51
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Tenente-coronel Carlos Wagner
Tenente-coronel Carlos Wagner Borges  Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Ex-presidente do “Projeto Político Militar” no Espírito Santo e assessor de Comunicação do Corpo de Bombeiros do Estado, o tenente-coronel Carlos Wagner Borges trabalha para viabilizar candidatura a prefeito de Vila Velha na eleição de novembro, mas ainda não fechou questão quanto a filiação partidária.
Como militar, ele não precisa estar filiado previamente para se habilitar a concorrer, apenas registrar candidatura na Justiça Eleitoral pelo partido escolhido, até 26 de setembro. Mas essa prerrogativa que lhe dá um prazo maior é, ao mesmo tempo, um privilégio e um problema.
Wagner tem tempo para se juntar a um partido, ok. Mas o fato é que, para poder disputar, precisa não só se filiar a alguma sigla como ter legenda assegurada pela respectiva direção – algo essencial que, por enquanto, ele não pode dizer que tenha. O que ele tem, sim, são muitas opções na mesa, somando convites formalmente feitos por dirigentes de partidos que gostariam de tê-lo como candidato e alguns outros onde a situação é mais complicada, mas seu estrategista político, Aldeci Carvalho, gostaria de vê-lo filiado.
Na primeira categoria, os convites formais a Wagner já partiram de partidos que vão da direita à esquerda: PSL, DEM, Cidadania, PDT, Avante e, recentemente, PSB.

O CONVITE DO PSB

No caso do último, o partido do governador Renato Casagrande gostaria mesmo de filiar o porta-voz dos Bombeiros e lançá-lo em Vila Velha, único município da Grande Vitória onde o PSB até agora não conseguiu emplacar candidatura própria (o deputado federal Ted Conti chegou a transferir o domicílio de Guarapari para a cidade, mas deve permanecer na Câmara).
Há cerca de 15 dias, dirigentes municipais e estaduais do PSB chegaram a se reunir com Wagner e Aldeci, mas o sentiram mais predisposto a se filiar a um partido de direita.

O PODEMOS

Em meados de março, período de definições de filiações de pré-candidatos não militares, houve uma especulação forte de que Wagner, com apoio de Marcos Do Val, poderia vir a disputar a eleição pelo Podemos (o partido do senador, que o abraçou politicamente).
Mas, àquela altura, tanto o presidente municipal da sigla (o vereador de Vila Velha Bruno Lorenzutti) como o presidente estadual (o prefeito de Viana, Gilson Daniel) puseram o pé na porta, bancando não só a filiação como a candidatura a prefeito do vereador Arnaldinho Borgo.
Aldeci ainda acredita que, com a influência política de Do Val e a cobrança de alguns candidatos a vereador da chapa do Podemos em Vila Velha, a direção do partido possa rever essa posição até a convenção de setembro, especialmente se Wagner começar a pontuar muito bem em pesquisas pré-eleitorais. “O senador Marcos do Val me disse que, a hora que eu quiser vir para o Podemos, serei candidato pelo partido”, afirma Wagner.
“Do Val apoia o Wagner, independentemente de qualquer coisa. Ele acredita na pessoa e no projeto do Wagner”, destaca Aldeci.
Falando à coluna, porém, Arnaldinho e Lorenzutti descartaram completamente essa hipótese de o primeiro ceder a cabeça da chapa do Podemos para Wagner Borges. Ou para quem quer que seja.

O PATRIOTA

Outra possibilidade na mesa de Aldeci, também não descartada por ele, é a filiação de Wagner ao direitista Patriota, seguindo a mesma lógica que combina pedidos de candidatos a vereador pela sigla com eventual crescimento do oficial em pesquisas.
“O Wagner hoje é muito cobiçado no mercado político. Ele seria bem-visto por alguns atores que estão na chapa do Patriota. O coronel pode entrar no partido numa possível não vinda do Favatto para a disputa. Ou na própria vinda do coronel.”
Porém ali a situação é parecida com a do Podemos, se não ainda mais complicada: o Patriota tem a pré-candidatura a prefeito do deputado estadual Rafael Favatto, que vem a ser o presidente regional do partido, ou seja, tem a sigla nas mãos.
O próprio Wagner não cita o Patriota entre os partidos com quem há conversas abertas nem entre os que o convidaram. Já o presidente do Patriota em Vila Velha, Vercelino João de Oliveira, afirma à coluna que não existe nenhuma conversa do partido, em nível municipal, sobre filiação de Wagner, e ratificou a pré-candidatura de Favatto:
“O coronel não me procurou. Não disse nada a respeito. Como temos o pré-candidato a prefeito Rafael Favatto, que é o nosso presidente regional, não íamos imaginar procurar outra pessoa. Como é que a gente poderia buscar outro candidato? O nosso pré-candidato a prefeito de Vila Velha é o Favatto. Ele tem afirmado a todos que é candidato. Se há alguma conversa, é alguma conversa informal com o Favatto...”
Não há. "Estou sabendo disso agora por você", respondeu Favatto à coluna.

VICE DE ALGUÉM?

Se não garantir a cabeça de chapa em partido algum, Wagner poderá ser vice de outro candidato a prefeito? Não. Aldeci refuta essa alternativa, peremptoriamente.

NOME NA PRAÇA

Curiosamente, Wagner Borges se recusa a se assumir como aquilo que obviamente é, somados todos os sinais eloquentes fornecidos por ele próprio: pré-candidato a prefeito de Vila Velha. Seu nome foi posto na praça por ele próprio. Literalmente, na praça.
Em vídeo compartilhado em massa em listas de transmissão no último domingo (19), Wagner adota discurso típico de pré-candidato, e a até a locação foi escolhida a dedo, por seu simbolismo forte e evidentemente calculado: a Praça Duque de Caxias, no Centro de Vila Velha. É o coração da cidade.

QUAL O TAMANHO DO FOGO?

Vamos ver, então, se o porta-voz dos Bombeiros no Estado virá para incendiar a eleição municipal em Vila Velha ou se a sua (não) pré-candidatura se provará fogo de palha.

O “verdadeiro partido” de Wagner Borges

Independentemente da filiação formal, o “verdadeiro partido” de Wagner pode ter outro nome: PPM. O bombeiro nunca disputou nenhuma eleição, nem se filiou a nenhum partido, mas teve, nos últimos anos, participação estratégica em um movimento que pode ser considerado capital na política capixaba – e, de modo muito particular, no resultados das eleições de 2018.

De 2017 até o fim de 2019, ele ajudou a erguer e presidiu o chamado “Projeto Político Militar” (PPM) no Espírito Santo, um movimento que aglutina as associações de classe de policiais e bombeiros militares do Estado (praças e oficiais), fundado após a greve da PMES em fevereiro de 2017 com dois objetivos precípuos: estimular a participação de militares em processos eleitorais e ajudar a eleger o maior número possível de militares e representantes de outras forças de segurança pública para os mais diversos cargos em disputa.

Em 2018, o PPM ajudou a eleger quatro deputados estaduais, o federal Josias da Vitória (Cidadania) e o já citado senador Marcos do Val, então instrutor de segurança, que contou com a simpatia e o apoio do movimento para chegar ao Senado. “Desenvolvemos o PPM e saímos vencedores do pleito em 2018”, celebra Wagner, que classifica o movimento como “apartidário” e “sem ideologia” (malgrado a predominância de candidatos de direita).

Em dezembro de 2019, Wagner passou a presidência do PPM-ES ao major Lúcio Bolzan, da PMES. Se ele for mesmo candidato a prefeito de Vila Velha, afirma que caberá ao PPM decidir se o apoiará. Já Aldeci Carvalho, também consultor do PPM, é mais direto neste ponto: “Se porventura ele topar ser candidato, logicamente será o candidato do projeto”.

Projeto Político Militar

Vitor Vogas

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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