Com base nos dados oficiais disponíveis na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é fácil dizer: tanto o PT de João Coser como o Republicanos de Lorenzo Pazolini apostaram e investiram pesadamente na vitória dos seus candidatos na eleição para prefeito da capital capixaba. Os números provam isso.
No cálculo proporcional, que leva em conta a relação entre a soma investida na campanha de cada candidato e o número de eleitores da respectiva cidade, podemos dizer que o PT pôs mais recursos na campanha de Coser em Vitória no 2º turno do que na de Marília Arraes no Recife (a única outra candidata do partido que disputa o 2º turno em uma capital).
Quanto a Pazolini, seguindo o mesmo critério, podemos afirmar que o Republicanos investiu mais recursos nele em Vitória do que em Marcelo Crivella no Rio de Janeiro – neste caso, considerando também o 1º turno (a campanha toda, portanto).
O levantamento da coluna foi realizado na noite desta sexta-feira (27), com base nas receitas declaradas pelos próprios comitês de campanha dos candidatos à Justiça Eleitoral. Estamos falando de repasses oficiais de recursos do Fundo Eleitoral, feitas pelas respectivas cúpulas partidárias, por meio de suas direções estaduais ou nacionais.
Veja os números que comprovam isso.
JOÃO COSER
Além de Coser em Vitória, a única esperança que tem o PT de eleger um(a) prefeito(a) de capital nesta eleição é com Marília Arraes, que disputa o 2º turno na capital pernambucana contra João Campos, do PSB. No Recife, a propósito, temos uma disputa dentro do campo da centro-esquerda, não polarizada entre direita e esquerda, como em Vitória.
O Recife tem, oficialmente, segundo dados do TSE, 1.157.324 eleitores aptos a votar nesta eleição. No 2º turno, a direção nacional do PT repassou a quantia de R$ 3.010.863,17 para Marília Arraes, por meio do Fundo Eleitoral. Dividindo-se essa soma pelo número de eleitores da cidade, temos que o PT investiu R$ 2,60 para cada voto possível na capital pernambucana.
No total, desde o 1º turno, a direção nacional do PT repassou R$ 5.192.265,50 para a campanha da candidata, via Fundo Eleitoral, o equivalente a 93,22% de sua arrecadação total.
Por sua vez, Vitória tem oficialmente, de acordo com o TSE, 251.464 eleitores habilitados a votar neste domingo (29).
Ao longo do 2º turno, até a noite desta sexta-feira, a campanha de Coser recebeu, da direção do PT, uma soma total ainda maior que a repassada para Marília Arraes: R$ 3.052.611,27, divididos em três parcelas. A primeira e mais vultosa delas, no valor de R$ 2.442.611,27, foi enviada no primeiro dia do 2º turno (16), logo depois que Coser “passou de fase” contra Pazolini.
Fazendo as devidas contas, conclui-se que o partido dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff investiu, na campanha de João Coser em Vitória, a quantia de R$ 12,13 por eleitor da cidade. É quase cinco vezes mais que os R$ 2,60 investidos para cada eleitor do Recife.
R$ 12,13
Foi o investimento efetuado, até o dia 27, pela direção nacional do PT na campanha de João Coser, para cada eleitor habilitado a votar em Vitória. O número só considera o 2º turno
No saldo total, considerando também o 1º turno, a direção do PT repassou R$ 4.741,611,27, via Fundo Eleitoral, para a campanha de Coser na capital capixaba (99,51% de toda a sua arrecadação), o que não fica muito longe dos R$ 5.192.265,50 repassados para Marília Arraes.
PAZOLINI
No caso de Pazolini, não houve, até a noite desta sexta-feira, grandes repasses do partido declarados para a campanha dele durante o 2º turno. Mas, ao longo do 1º turno, o Republicanos fez repasses robustos (sempre via Fundo Eleitoral) para turbinar a campanha do delegado e deputado estadual.
Considerada a campanha inteira, a direção nacional do Republicanos e a direção estadual repassaram R$ 1.631.000,00 para Pazolini via Fundo Eleitoral (97,66% de tudo o que ele declarou ter arrecadado, até a noite desta sexta-feira). Isso corresponde a R$ 6,48 investidos pelo partido para cada eleitor de Vitória.
Na relação recursos investidos/tamanho do colégio eleitoral, é muito mais, por exemplo, do que o partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus investiu até na campanha do prefeito (e bispo) Marcelo Crivella, que tenta a reeleição no Rio de Janeiro, contra Eduardo Paes (DEM).
Desde o início da campanha, até a noite desta sexta-feira, Crivella declarou ter recebido da direção do Republicanos repasses via Fundo Eleitoral que totalizavam R$ 2.757.085,11 (97,8% de toda a sua arrecadação). Em valores absolutos, é mais que os cerca de R$ 1,6 milhão declarados por Pazolini, certo? É claro.
Só que o Rio de Janeiro possui 4.851.887 eleitores aptos a votar neste domingo (quase 20 vezes mais que a capital capixaba). Assim, para cada eleitor existente na capital fluminense, o Republicanos investiu R$ 0,57 – muito menos que os R$ 6,48 injetados na campanha de Pazolini para cada eleitor de Vitória.
Por esse recorte, o partido de Crivella, Flávio e Carlos Bolsonaro investiu, proporcionalmente ao tamanho do eleitorado de cada cidade, mais de dez vezes mais na campanha de Pazolini em Vitória do que investiu na de Crivella, uma de suas “estrelas nacionais”, na capital do Rio de Janeiro.
R$ 6,48
Foi quanto a direção do Republicanos repassou à campanha de Pazolini, via Fundo Eleitoral, para cada eleitor existente em Vitória, desde o início do processo eleitoral