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Segundo turno na Capital

Partido de Casagrande apoiará Coser contra Pazolini em Vitória

Governador não deve entrar pessoalmente na campanha do petista, mas sua legenda, o PSB, pretende fechar com Coser, conforme é o desejo dos dirigentes

Publicado em 19 de Novembro de 2020 às 18:37

Públicado em 

19 nov 2020 às 18:37
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Renato Casagrande e João Coser
Renato Casagrande e João Coser Crédito: Montagem: Vitor Vogas
Ainda não é oficial, mas é só uma questão de tempo: o PSB, o partido do governador Renato Casagrande, apoiará a candidatura do ex-prefeito João Coser (PT), no 2º turno da eleição a prefeito de Vitória, contra o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos). Atenção: o PSB, partido do governador. Não o governo Casagrande (pelo menos oficialmente), tampouco a pessoa do governador. Ao que tudo indica, aliás, Casagrande não deve mesmo entrar pessoalmente na campanha eleitoral em Vitória, ao lado de Coser.
Quanto a seu partido e respectiva militância, já é outra história. E é claro que, mesmo que de modo indireto, também há aí a digital de Casagrande, que vem a ser, afinal, o principal líder do PSB no Espírito Santo.
A “fumacinha branca” pode sair ainda na noite desta quinta-feira (19) da sede do PSB, com uma pomba (símbolo da sigla) que sairá batendo asas em direção a uma estrela vermelha. Está marcado um encontro informal, mas definitivo (até pelo tempo exíguo), entre dirigentes e alta patente do PSB.
A decisão oficial ficou a cargo da Executiva Estadual do PSB, em diálogo com a Executiva Municipal de Vitória. No Estado, o partido é comandado por Alberto Gavini. Em Vitória, por Juarez Vieira.
Apuramos que a reunião desta noite será praticamente uma formalização de algo que já está decidido pelos dirigentes e que traduz o desejo predominante. O apoio explícito a Coser é a tese defendida pelos caciques do PSB no Estado, até por uma questão de coerência político-ideológica.
Embora hoje mais ao centro que o PT, o PSB convive historicamente com o partido do ex-presidente Lula no mesmo hemisfério do mapa político nacional: o hemisfério esquerdo. Inclusive, apoiou todo o governo Lula, enquanto Coser era prefeito de Vitória.
Nessa condição, o então prefeito também pôde contar com o apoio do PSB a seu governo (2005/2012) na Capital. Para dar um exemplo, o atual vice-prefeito de Vitória, Sérgio Sá, foi secretário municipal de Habitação, pela primeira vez, na administração de Coser.
No primeiro governo Casagrande, de 2011 a 2014, o PT apoiou formalmente o governo, ocupou secretarias de Estado, como a de Turismo e a de Assistência Social, e, ainda mais importante, teve o vice-governador de Casagrande, Givaldo Vieira (hoje rompido com Coser, mas então um aliado importantíssimo dele no partido).
Em resumo, a proximidade do PSB com o PT e especificamente com Coser é histórica. Enquanto isso, no outro prato da balança, os dirigentes socialistas encontram o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), que não só praticou oposição por quase dois anos ao governo Casagrande na Assembleia (embora não com discurso ideológico) e que vem a ser um jovem e ascendente líder político declaradamente de direita (embora não declaradamente bolsonarista, como é, por exemplo, o Capitão Assumção, e como adversários de Pazolini vêm dizendo desde a virada do 1º para o 2º turno).
Por tudo isso, uma fonte da coluna com excelente trânsito não só na cúpula do partido mas também no andar de cima do Palácio Anchieta antecipa sem rodeios para a coluna: “Cem por cento de chances de o PSB apoiar João Coser. O governador não vai entrar na campanha. A militância do partido, sim”.
Na verdade, a chance de o PSB apoiar Pazolini, por óbvio, nunca existiu. A dúvida remanescente era se o PSB poderia ficar neutro, em vez de confirmar apoio a Coser. Mas a hipótese de neutralidade está descartada.
“Cresci na esquerda. Pazolini é um bom rapaz, com bons princípios, também quer o melhor para Vitória, assim como o João [Coser], mas, como partido de centro-esquerda, por uma questão partidária, entendemos que o PSB deve apoiar quem está mais do lado do povo e demonstra preocupação maior com as questões sociais”, afirma outro graduado socialista, sob condição de anonimato.

A CONVERSA DE COSER COM CASAGRANDE

Na última terça-feira (17), Coser foi pessoalmente ao encontro de Casagrande, na “Meca dos aliados governistas” em que o Palácio Anchieta se transformou. O candidato do PT foi recebido pelo governador e, durante a audiência, pediu-lhe de modo direto que ele entrasse pessoalmente em sua campanha e declarasse apoio a ele para ajudá-lo a derrotar Pazolini (por assim dizer, um adversário em comum). De Casagrande, ouviu um “não” muito educado e, político experimentado que é, compreendeu e aceitou a decisão sem problema algum.
Em contrapartida, Coser foi atendido em outro pleito: o petista pediu a Casagrande para liberar secretários de Estado para apoiá-lo de maneira pública agora, no 2º turno. O governador concordou. E pelo menos um integrante do 1º escalão do governo já está pronto para ingressar na campanha de Coser.
Filiado ao PSB, o secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno, ocupou um cargo na Prefeitura de Vitória durante a administração de João Coser. Na época, o secretário era filiado ao MDB, que não só apoiava o segundo mandato de Coser (2009/2012) como tinha o vice-prefeito, o jornalista Tião Barbosa. No meio desse mandato, Casagrande venceu a eleição para o governo em 2010. E, por indicação do MDB (então partido de Paulo Hartung e então parceiro de Casagrande), Damasceno foi nomeado secretário estadual de Transportes e Obras Públicas.
Aos poucos Damasceno aproximou-se politicamente de Casagrande e se integrou ao projeto do PSB. No primeiro turno, apoiou a candidatura do deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania). Mas seu vínculo com Coser persiste. E agora falou mais alto.

RECAPITULANDO: PSOL, PCDOB E PP

Recapitulando: outros dois partidos ainda mais à esquerda que o PT, o PSOL e o PCdoB, já anunciaram oficialmente apoio a Coser, para zero surpresa de todos, até pelos contornos de polarização político-ideológica que o 2º turno em Vitória tem adquirido.
O Progressistas (PP) não é um partido de esquerda, mas é aliado importante do governo Casagrande, onde dirige a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano, e, no 1º turno, apoiou o candidato do PSB à prefeitura, Sérgio Sá. O partido optou pela neutralidade no 2º turno, e a direção do partido liberou sua militância para apoiar quem quiser.

REDE SUSTENTABILIDADE

A Rede Sustentabilidade também apoiou Sérgio Sá no 1º turno, mas, diferentemente do PP, é um partido de esquerda e até compôs dobradinhas com o PT de João Coser em alguns grandes municípios capixabas. Em Vila Velha e em Cachoeiro de Itapemirim, houve uma aliança recíproca entre as duas siglas. Também na noite desta quinta-feira, líderes da Rede terão uma reunião que tende a ser decisiva.
A única decisão já tomada pelo partido é que, também por divergências ideológicas, não há a mais remota chance de apoio a Pazolini. Restam a neutralidade ou o apoio a Coser. Na tarde desta quinta-feira, o senador Fabiano Contarato, estrela da Rede no Espírito Santo, fez manifestação pública em favor de João Coser.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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