Disseram que iam dar um jeito no país
Temiam que o Brasil virasse uma Cuba
À voz e ao voto preferiram os fuzis
Tomaram as ruas com a conservadora turba
Lançaram todas as reformas pelos ares
Bases aqui só mesmo bases militares
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Começa o engodo no 1º de abril:
“Daqui a dois anos novas eleições diretas”
Mas entoando “Vamos pra frente Brasil!”
(Pra frente ou pra trás, em linha muito incerta)
Por duas décadas ficaram alojados
Enquanto o Estado de Direito era alijado
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Onde é que estão as nossas mentes mais brilhantes?
Já aqui não brilham, expurgadas, no exílio
Ao passo que, em porões frios-fervilhantes
Almas rebeldes também perdem o seu brilho
Alô, Chacrinha, de abraço em abraço
A linha dura sobre nós aperta o laço
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Enquanto ascendia no resto do mundo
Um zepelim de chumbo que não ia subir*
E os jovens se erguiam, contestando tudo
É proibido proibir e let it be
O chumbo aqui ganhava outro peso, interno
E a “escada para o céu” levava ao inferno
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Após aquele ano que não terminou
(Fechem o Congresso! Prendam
e cassem o habeas corpus!)
Com o AI-5 a ditadura culminou
Com assassinatos de Estado, e haja corpos!
Copa do Mundo e Canal 100 na sua tela
Enquanto Vlado “se enforcou” no chão da cela
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Volta-se a costa então a toda liberdade
E mede-se o crescimento da nação
Pelo “milagre econômico” que, em verdade,
É um castelo de areia, enganação
Com Figueiredo, o final veio a cavalo
Até que o povo foi às ruas pra cravá-lo
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Hoje vivemos e gozamos novo tempo
Democrático, ainda que imperfeito
Nos nossos dias, é possível, por exemplo
Publicar, sem nenhum corte, este texto
Comemoremos, pois, o golpe com estes versos
Ditadura nunca mais, sem retrocesso
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* O grupo britânico de rock Led Zeppelin, formado em 1968.