Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Os planos eleitorais do PSB na Grande Vitória, segundo a vice-governadora

Ela defende as candidaturas de Saulo Andreon a prefeito de Cariacica, Bruno Lamas a prefeito da Serra e Sérgio Sá a prefeito de Vitória. E revela que, em casa, briga muito por política com o marido, Adilson Avelina (PSC), pré-candidato em Cariacica: “A gente se mata [risos]”

Publicado em 22/08/2020 às 06h02
Atualizado em 22/08/2020 às 07h31
Na bandeira, da esquerda para a direita: Sérgio Sá (Vitória), Bruno Lamas (Serra) e Saulo Andreon (Cariacica)
Na bandeira de Jaqueline Moraes, da esquerda para a direita: Sérgio Sá (Vitória), Bruno Lamas (Serra) e Saulo Andreon (Cariacica). Crédito: Amarildo

Neste momento crucial de definição de chapas e candidaturas para a eleição municipal de novembro, a vice-governadora Jaqueline Moraes tem atuado intensamente como articuladora política, em nome do PSB (partido dela e de Renato Casagrande). Nesta entrevista à coluna, ela explica os planos dela e do partido na Grande Vitória. E revela que, dentro de casa, briga muito por causa de política com o marido, Adilson Avelina (PSC), pré-candidato a prefeito de Cariacica: “A gente se mata”, diz, entre gargalhadas.

Vamos começar pelo seu município. Em Cariacica, o PSB vai mesmo lançar o ex-vereador Saulo Andreon e a senhora o apoia?

O PSB tem a candidatura do Saulo. Ele, lógico, precisa ganhar musculatura. E estou trabalhando para isso. Agora, se ele vai participar diretamente, vai depender de como ele vai se colocando no processo. Eu o apoio. Hoje, o diretório do partido em Cariacica decidiu pela candidatura do Saulo.

Na cidade, há outro pré-candidato a prefeito muito integrado à base do governo: Euclério Sampaio (DEM). É possível a fusão das duas candidaturas já no 1º turno?

Em eleição tudo é possível. Agora, percebo que o Euclério tem uma boa penetração num campo onde hoje não acho que o Saulo penetre tanto. O Saulo é professor, é da área de educação, então ele penetra mais no campo de centro-esquerda. Já o Euclério dialoga bem com as igrejas... Já sentei aqui e tentei fazer cálculos. Não consigo ver menos que oito candidaturas em Cariacica. Então não sei se seria possível esse casamento no 1º turno. Vejo um pouco de dificuldade com a base.

Seria interessante, no entanto?

No 1º turno, eu tenho as minhas dúvidas. Acho que é possível no 2º.

E no 2º turno, se Euclério avançar e Saulo não, a sra. apoiará o deputado?

Onde o PSB estiver, eu estarei.

E seu marido, Adilson Avelina (PSC), que é pré-candidato a prefeito, vai se manter naquele bloco que tem o vereador Celso Andreon (PSD), também pré-candidato a prefeito, ou vai fortalecer o bloco que tem Saulo (por sinal, irmão de Celso)? Com qual dos dois irmãos seu marido ficará?

Esse é o mais escorregadio para mim [gargalhada].

Tem resposta para essa?

É o mais escorregadio para mim, porque o Avelina tem fama de ser teimoso na política. Eu gostaria muito que ele fortalecesse o bloco em que estivesse o Saulo. Lógico, eu ia puxar para o meu pirão. Só que, infelizmente, não consigo... Nós pensamos e agimos de modo diferente na política. E isso me traz inclusive uma certa angústia.

Hoje Avelina está com quem?

Hoje ele formou um bloco onde todos são candidatos. Há cinco partidos e quatro pré-candidatos: ele, o Celso, o doutor Hélcio, do PP, e o Motta, do DC, que diz ter o PL com ele. Então imagino duas candidaturas nesse bloco, dentro daquele pensamento de oito raias na cidade. Fiz inclusive uma live com Euclério e comentei com ele: “Imagino um 1º turno congestionado em Cariacica”.

A sra. e seu marido conversam sobre eleições dentro de casa?

A gente se mata! Como agora estou morando em apartamento, seu eu pudesse, jogava ele lá de cima [gargalhada]. Eu e Avelina discutimos muito sobre política, mas parece que estamos em tempos diferentes: o que acho que tem que ser para agora, para ontem, ele acha que tem que ser para a semana que vem. Então isso vai me dando uma certa angústia. Talvez seja porque sou mais ansiosa e ele, mais pacato.

Em Vila Velha, o PSB não tem candidato próprio a prefeito e agora está apontando para várias direções: Max Filho, Neucimar, Arnaldinho... O que a sra. defende que o partido faça no município?

A expectativa das pessoas era de o Ted [Conti] vir. E, como ele declarou que não viria, não tem condições de o partido criar um outro nome. Hoje percebo o grupo lá debatendo. Vejo algumas pessoas defendendo a reeleição do Max. Outros querem conversar com Neucimar. Não há uma definição.

Na Serra, a sra. defende que Bruno Lamas seja candidato a prefeito mesmo sem o apoio de Audifax?

Sim, acho que o Bruno tem que ser candidato. Ele tem tamanho, é deputado. E o PSB tem uma representação forte na Serra. Na Grande Vitória, se você pode ir para o 2º turno, você tem que vir.

Mas isso não contraria os interesses de Sérgio Vidigal (PDT), também pré-candidato a prefeito e aliado prioritário do governo Casagrande?

É por isso que faço essa visão de dois turnos. Não acredito que a eleição da Serra se defina em um turno só, assim como em Cariacica. É o mesmo perfil de eleitor.

Em Vitória, a sra. defende o lançamento da candidatura de Sérgio Sá?

Também. Conversei com ele, nos reunimos, ele está animado, está conversando com vários partidos. É a mesma situação que o Saulo, de ganhar um espaço para se consolidar. O PSB tem essa característica, de a liderança da base puxar o movimento. É lógico que tem que ter um fortalecimento, mas acredito muito que ele consiga fazer. Como vice-prefeito, tem uma boa atuação na cidade, foi gestor por vários anos. O partido tem uma representação muito boa na pasta do vice-prefeito [a Secretaria de Obras e Habitação de Vitória, da qual Sá foi exonerado em janeiro pelo prefeito Luciano Rezende], de uma gestão muito eficiente, com qualidade e com muitas entregas. Então acho que ele precisa de um espaço para comunicar isso.

A sra. pensa que ele será mesmo candidato a prefeito, irredutivelmente?

Candidato de si mesmo, não acredito não. Um candidato de si mesmo não consegue nenhum partido para fazer uma coligação, por exemplo. Foi o que aconteceu em 2016 com Avelina em Cariacica [quando foi candidato a prefeito pelo PSB sem nenhum partido coligado], e foi por isso que ele ganhou a fama de teimoso. Ele não fez coligação, o PSB estava fora, e ele insistiu na candidatura dele. E o governador não tem a característica de “canetar”. Esse é o diferencial do Renato: ele chama todo mundo e dialoga até esgotar. Ele tenta o máximo que pode. E ele fez isso em 2016. E o Avelina meio que “não, eu venho, eu venho sozinho”, e aí ele não fez vereador, não se elegeu, teve 12 mil votos.

Ou seja, para o Sérgio Sá viabilizar candidatura, ele precisa formar uma boa coligação que lhe dê mínima sustentação?

Sim, uma frente partidária.

E hoje como está isso? Quais são os partidos que estarão com o PSB nessa coligação em Vitória?

Acho que ele está convesando bem com o PV, como em Cariacica nós também conversamos bem com o PV. Ele está conversando muito bem com o PSDB, que tem a Neuzinha [de Oliveira, vereadora] e o Luiz Paulo. Não está sendo discutido ainda o nome, e sim a frente para a cidade. Então, vejo que ele está conseguindo fazer um alinhamento de frentes partidárias ali.

Então a sra. acha que desse diálogo pode se originar uma frente reunindo PSB, PV e até o PSDB, que hoje tem as pré-candidaturas da Neuzinha e inclusive do Luiz Paulo?

Sim. Acho que, dentro desse alinhamento de frentes partidárias para discutir a cidade, tudo pode acontecer, inclusive também com o Cidadania. O [Fabrício] Gandini, que é o possível candidato do Cidadania, também conversa muito bem com o Sérgio Sá.

Mas já para 1º turno? O Cidadania com o PSB?

Eles dialogam. Mas o Sérgio, na última conversa que fiz com ele, me disse que é candidato porque tem desejo de comunicar o que o PSB, através dele, fez na pasta. Então ele precisa desse espaço. E eu me sensibilizei com a forma como ele colocou. Como vice-prefeito, ele teve uma atuação muito forte.

E o governador? Como se posicionará em Vitória?

Acredito que da mesma forma: dialogando com a base, tentando alinhar o máximo possível. Não conseguindo, ele deixa todo mundo ir fazendo de acordo com a militância. Logicamente, ele vai ter o seguinte: o partido não conseguiu conversar com ninguém, ficou isolado, aí ele vai chamar e falar: “E aí, vai vir candidato isolado?” Foi assim que ele fez em 2016. Eu acho que a atitude dele é a mesma em qualquer cidade.

Mas ele ficará neutro ou subirá em algum palanque?

Não vi o Renato subir em palanque nenhum quando foi governador da outra vez.

O governador afirmou para mim, em fevereiro, que tem compromisso em fortalecer o projeto político de Luciano Rezende em Vitória. O “projeto político” de Luciano em Vitória é eleger Gandini. A candidatura de Sérgio Sá ajuda ou atrapalha Gandini?

Na minha avaliação, ajuda. Vai comunicar uma gestão de sucesso, e é a gestão de Luciano.

E eles se unem no 2º turno?

Aí não sei. Mas Gandini e Sérgio não têm nenhum problema.

A sra. ainda vê alguma chance real de o PSB lançar o deputado estadual Sergio Majeski a prefeito de Vitória?

Aiiiii... [pensa um pouco] Eu acho difícil. Fizeram a abertura do livro, ele participou da prévia [em fevereiro], a base foi consultada... Então acho muito difícil o PSB abrir mão desse momento democrático que teve o partido. Penso que será respeitada a decisão da base do partido.

E no 2º turno, se Sá não passar de fase, a sra. tem preferência por algum dos outros candidatos?

Quem estiver agregado ao nosso projeto para o Estado, eu estarei junto.

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