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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

O tom subiu: Gandini e Pazolini se acusam de mentir na campanha

Sem se citarem, Pazolini acusa Gandini de despreparo e de espalhar propostas mentirosas e irreais, enquanto Gandini está chamando o primeiro de mentiroso, despreparado e desesperado

Publicado em 22/10/2020 às 14h16
Atualizado em 22/10/2020 às 15h21
Gandini a Pazolini estão trocando acusações indiretas
Gandini a Pazolini estão trocando acusações indiretas. Crédito: Amarildo

Adversários na eleição a prefeito de Vitória, os deputados estaduais Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Fabrício Gandini (Cidadania) subiram ainda mais o tom na guerra de nervos e de indiretas que vêm travando desde o início da campanha, como já registramos aqui. Agora, cada um está acusando o outro de mentir para o eleitor a respeito da possibilidade de abertura de um concurso para a Guarda Municipal de Vitória já em 2021.

Em uma de suas primeiras aparições no horário eleitoral gratuito, ao tratar do tema da segurança pública, Gandini, o candidato da situação, encerrou o programa assumindo um compromisso de campanha “com toda a população de Vitória”: “No meu primeiro dia como prefeito, vou abrir concurso público para novos agentes da Guarda Municipal”.

Gandini promete concurso para a Guarda Municipal
Gandini promete concurso para a Guarda Municipal. Crédito: Reprodução

Pazolini reagiu a essa promessa de campanha do oponente. Em uma inserção de 30 segundos, veiculada nos intervalos comerciais da TV e compartilhada por apoiadores através do Whatsapp, a campanha do delegado afirma que o adversário falta com a verdade e sugere que a proposta é irreal, pois se choca com uma lei que, segundo ele, impede municípios de realizarem concursos públicos que criem vagas até o fim de 2021, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Gandini só não é citado pelo nome, mas há menção direta ao “candidato do prefeito”, no texto enunciado por um locutor:

“Candidato do prefeito prometendo concurso público para a Guarda no primeiro dia de mandato? Mentira? Despreparo? Ou os dois? É lei: municípios afetados pela calamidade pública do Covid estão proibidos até 31 de dezembro de 2021 de realizar concursos públicos para novas vagas.”

Pazolini golpeia Gandini em sua propaganda eleitoral
Pazolini golpeia Gandini em sua propaganda eleitoral. Crédito: Reprodução

Ao fim, o locutor convida: “Vem com a verdade. Vem com Pazolini”. E acrescenta que, na página oficial da campanha, o público pode encontrar “propostas reais e possíveis”. A referência do vídeo é à Lei Complementar 173/2020 – a lei federal sancionada pelo presidente Bolsonaro no fim de maio, a qual estabeleceu o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus (ajuda financeira aos Estados e municípios).

O CONTRAGOLPE DE GANDINI

A campanha de Gandini não deixou por menos. Reagiu à reação de Pazolini, subindo ainda mais o tom na contra-ofensiva digital. Em um vídeo também de 30 segundos publicado no Instagram e no Facebook, a campanha de Gandini insinua que Pazolini “mente até quando acusa o outro de mentir”.

Para evitar direito de resposta, o candidato apoiado pelo prefeito Luciano Rezende (Cidadania) também não cita o rival nominalmente, mas nem precisa: a mensagem é totalmente endereçada a Pazolini, e até as cores e a logomarca da campanha do delegado são parodiadas.

O material de campanha de Pazolini é todo produzido em duas cores: azul e amarela. A tela e os encartes são sempre divididos ao meio: do lado esquerdo, no sentido da leitura, a cor é sempre azul; do lado direito, é amarela. No lado esquerdo, sobre fundo azul, lê-se a palavra “paz” (três primeiras letras de Pazolini), em um jogo de palavras com o sobrenome do candidato; no lado esquerdo, sobre fundo amarelo, lê-se “igualdade”. No logotipo, a letra z de Pazolini também vem em azul e amarelo.

Propaganda de Lorenzo Pazolini
Propaganda de Lorenzo Pazolini. Crédito: Reprodução

Usando o mesmo recurso (e uma fonte de letra parecida), a campanha de Gandini dividiu, em duas cores, as palavras “despreparo”, “desespero” e “descontrole”. Em amarelo, as primeiras letras (“des”) são destacadas e, subliminarmente, remetem ao número de urna de Pazolini: dez.

Gandini parodia propaganda de Pazolini para criticá-lo
Gandini parodia propaganda de Pazolini para criticá-lo. Crédito: Reprodução

Em off, diz o locutor: “Despreparo. Desespero. Descontrole. Candidato que não tem proposta mente até quando acusa o outro de mentir e mostra despreparo”. Até aí, tudo em azul e amarelo, em alusão a Pazolini. De repente, as cores dão lugar ao verde (a cor da campanha de Gandini), e o locutor continua:

“Gandini vai abrir concurso para a Guarda Municipal no primeiro dia de trabalho como prefeito. A lei permite a recomposição do quadro e também permite a criação de um cadastro reserva. Mas isso só sabe quem está preparado para ser prefeito e gosta da cidade”.

Para completar, a tela reassume as cores de Pazolini, e o locutor conclui: “Não é o caso do despreparado”.

Em breve, a “réplica” de Gandini passará das redes sociais para a TV. O vídeo de 30 segundos começará a ser exibido como inserção nos intervalos da programação.

Em suma, Pazolini acusou Gandini de despreparo e de espalhar propostas mentirosas e irreais. Gandini rebateu chamando o primeiro de mentiroso, despreparado e desesperado. Estão a se cutucar, sem se citar.

PARA QUEM ESTÁ CHEGANDO AGORA

Pazolini bate em Gandini/Luciano. Nylton também. Assumção bate na "esquerda". Mazinho bate em todo mundo. Coser bate na tecla de que foi um grande prefeito. Neuzinha, Sérgio Sá e Halpher Luiggi batem no peito para dizerem que podem chegar lá.

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