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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Meneguelli com Pazolini e Erick Musso, mas Amaro Neto distante

Ex-prefeito de Colatina, prefeito de Vitória e presidente da Assembleia estão unidos em bloco político-eleitoral cimentado por Roberto Carneiro, enquanto Amaro parece mais distante a cada dia desse grupo

Publicado em 06/02/2021 às 02h00
Atualizado em 06/02/2021 às 02h03
No mesmo trilho e com vagões bem encarrilados: Lorenzo Pazolini, Erick Musso, Sérgio Meneguelli e Roberto Carneiro
No mesmo trilho e com vagões bem encarrilados: Lorenzo Pazolini, Erick Musso, Sérgio Meneguelli e Roberto Carneiro. Crédito: Amarildo

Em entrevista a esta coluna sobre seu futuro político, publicada no último dia 6 de outubro, o então prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli, que não disputou a reeleição, afirmou o seguinte: “Só sei que, a partir do dia 1º de janeiro, eu vou ter que trabalhar. Eu vou procurar emprego”. Bem, proposta de emprego ele já tem. Conforme o colunista Leonel Ximenes publicou nesta quinta-feira (4), o prefeito Lorenzo Pazolini convidou o agora ex-prefeito para ser secretário de Cultura de Vitória.

Quem também participou do momento e saiu na foto do convite foi o presidente da Assembleia Legislativa, reeleito na última segunda-feira (1º), Erick Musso. Os três são correligionários no partido Republicanos e, desde as últimas eleições municipais, estão inseparáveis, formando as combinações Meneguerick, Lorenzelli e Erickenzo.

Brincadeiras à parte, esses três agentes integram atualmente um mesmo corpo político e um mesmo movimento político-eleitoral, regido, da coxia, pelo quarto elemento desse grupo hoje indissociável: o articulador e estrategista político Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, secretário de Governo de Vitória (com Pazolini), ex-diretor-geral da Assembleia (com Erick), responsável pela filiação de Pazolini e de Meneguelli no ano passado e pelo surgimento dessa “liga” (na dupla acepção, do termo).

O convite de Pazolini a Meneguelli para ele ser secretário de Cultura de Vitória fortalece a união política entre esses quatro e evidencia que eles estão cada vez mais juntos e misturados rumo à próxima eleição estadual.

OS PLANOS DE MENEGUELLI

Aceitando o convite para a Secretaria de Cultura de Vitória, Meneguelli ganha um espaço de projeção até o próximo pleito, em vez de passar os próximos dois anos na planície. Na já citada entrevista a mim, publicada em 6 de outubro, ele afirmou que seu plano inicial é ser candidato a deputado estadual em 2022.

MENEGUELLI COM CASAGRANDE

Na última quinta-feira, Meneguelli conversou com Renato Casagrande (PSB), no Palácio Anchieta, a convite do governador. Falaram sobre seus planos para o próximo pleito estadual. Meneguelli, pelo que apuramos, disse exatamente a mesma coisa: que, a princípio, pretende ser candidato a deputado estadual. Mas que, se o cavalo passar encilhado, ele pode até se candidatar ao Senado. Haverá uma só vaga em disputa em 2022.

AMEAÇA PARA O GOVERNADOR?

Há quem avalie, no entanto, que Meneguelli poderia até se lançar ao governo do Estado (e que seria, a preço de hoje, o único que poderia incomodar a reeleição de Casagrande). Mas isso apenas se desandar a “parceria sólida”, parafraseando Erick Musso, estabelecida no momento entre esse bloco político do Republicanos e o governo Casagrande no Estado.

O PROJETO DE ERICK

Quanto a Erick Musso, falando ao signatário no dia 22 de janeiro, o presidente da Assembleia repetiu: “Sou candidato a deputado federal”. Até gracejou: “Sá não peço agora o seu voto porque o TRE não permite (risos)”. Na Assembleia, na última segunda, logo após a sua reeleição, enfatizou em discurso da tribuna que esse será seu último mandato como deputado estadual. Especula-se que, se pintar brecha, pode se tornar até candidato a vice-governador com Casagrande.

AFASTAMENTO DE AMARO NETO

No mesmo contexto, é interessante notar o papel cada vez mais pálido de Amaro Neto (Republicanos) nesse mesmo grupo. Outrora estrela da companhia, Amaro aparentemente perdeu protagonismo e, nos bastidores políticos, muito se comenta que o deputado federal tem se afastado desse núcleo do Republicanos e, inclusive, de Roberto Carneiro. O distanciamento é perceptível e tem chamado a atenção geral.

APAGADO NA CAMPANHA

Após Amaro ter batido na trave na disputa pelo mesmo cargo em 2016. Pazolini se elegeu prefeito de Vitória com participação direta de Erick (na linha de frente, puxando as carreatas nas ruas) e de Roberto Carneiro (nos bastidores, como coordenador da campanha), mas… “dispensando” a ajuda e a participação pessoal de Amaro.

REFORÇO DISPENSADO

O deputado declarou apoio ao correligionário, mas simplesmente não apareceu na campanha de “Pazola”, como costuma chamá-lo, nem na TV nem em atividades de rua (diferentemente, por exemplo, de Erick e até de Meneguelli, que despencava lá de Colatina ainda como prefeito). Amaro não foi “utilizado” por Pazolini e por Roberto, apesar de ter dito mais de uma vez que estava à disposição para aparecer na TV e participar de atividades se o candidato e seu núcleo de campanha entendessem necessário. Não entenderam.

PAN: PARTIDO AMARO NETO

Enquanto isso, durante as eleições, Amaro percorreu o Estado inteiro em uma trajetória própria, independente e nem sempre coincidente com a do próprio partido: em alguns municípios, inclusive na Grande Vitória (como em Cariacica), ele apoiou determinado candidato, enquanto o Republicanos apoiava outro ou até tinha candidato próprio. Atuou como o PAN (Partido Amaro Neto).

ELE DESGRUDADO…

Tudo bem que, contrastando com sua persona como apresentador, o político Amaro Neto nunca foi muito de aparecer… mas há quanto tempo não se vê Amaro em público ao lado de Erick, de Pazolini e de Roberto? Desde o início do processo eleitoral, pelo menos, eles não são vistos juntos, em mais um sinal de que o relacionamento de Amaro com os parceiros esfriou.

... OS OUTROS NUM GRUDE SÓ

Enquanto isso, o quarteto citado lá no início não se desgruda: Erick está praticamente despachando de dentro da Prefeitura de Vitória como se fizesse parte da equipe de Pazolini, enquanto Roberto e Pazolini foram prestigiar sua reeleição na presidência da Assembleia, dentro do plenário, na última segunda-feira.

ACEITA TROCA

Caso Amaro queira trocar de partido, como qualquer deputado estadual ou federal, poderá fazê-lo sem risco de perder o mandato na próxima janela para trocas, a ser aberta em março do ano que vem. Desde sua primeira eleição, em 2014, o deputado já provou que não se prende por amarras partidárias. Em poucos anos, já passou pelos partidos Cidadania (então PPS), PMB, Solidariedade e Republicanos

RENERICK

Quem também não se desgruda ultimamente são Erick Musso e Casagrande. Nesta sexta-feira, o presidente da Assembleia acompanhou o governador em solenidade referente a uma estrada que ligará Regência, em Linhares, a Aracruz, seu reduto eleitoral. Além dele, estiveram presentes os deputados Marcos Garcia (PV) e Luiz Durão (PDT), ambos de Linhares e aliados de Casagrande.

CAMINHANDO JUNTOS

Em cerca de 15 dias, esse foi o terceiro evento público do governo em que Erick e Casagrande caminharam lado a lado. Literalmente. No último dia 28, estiveram juntos em cerimônia em Aracruz (ocasião em que Erick disse ao governador, diante de todos, que carregará o piano para ele). Antes disso, no dia 20 de janeiro, os dois e Pazolini caminharam juntos em vista à obra do Portal do Príncipe, em Vitória.

Erick Musso unha e carne com Casagrande

Erick Musso caminha com Casagrande e Pazolini em visita à obra do Portal do Príncipe (20/01/2021)
Erick Musso caminha com Casagrande e Pazolini em visita à obra do Portal do Príncipe (20/01/2021). Facebook Erick Musso
Erick Musso (primeiro à esquerda) caminha com Casagrande em estrada em Aracruz (28/01/2021)
Erick Musso (primeiro à esquerda) caminha com Casagrande em estrada em Aracruz (28/01/2021). Facebook Erick Musso
Erick Musso cumprimenta Renato Casagrande em Aracruz (28/01/2021)
Erick Musso cumprimenta Renato Casagrande em Aracruz (28/01/2021). Facebook Erick Musso
Convite de Erick Musso para evento com Renato Casagrande em Aracruz (28/01/2021)
Convite de Erick Musso para evento com Renato Casagrande em Aracruz (28/01/2021). Facebook Erick Musso
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021). Facebook Erick Musso
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)
Erick Musso com Casagrande em Regência, Linhares (05/02/2021)

DAVI NÃO SAI DA PREFEITURA

E, em mais um indício forte da “parceria sólida”, no dizer de Erick, que atualmente une esse grupo ao Palácio Anchieta, o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz, articulador político de Casagrande, tem sido figurinha fácil na Prefeitura de Vitória, em reuniões com o prefeito Pazolini. A mais recente foi na terça-feira (2), em encontro com o ex-jogador Edmilson, zagueiro do penta em 2002.

Davi Diniz direto com Pazolini

Davi Diniz (o último da esquerda para a direita) com Casagrande e Pazolini, durante visita técnica à obra do Portal do Príncipe (20/01/2021)
Davi Diniz (o último da esquerda para a direita) com Casagrande e Pazolini, durante visita técnica à obra do Portal do Príncipe (20/01/2021). Facebook de Lorenzo Pazolini
Davi Diniz (o penúltimo da esquerda para a direita) com Pazolini (o 3º) e Roberto Carneiro (o último), em encobtro na Prefeitura de Vitória com o ex-jogador de futebol Edmilson (o 2º)
Davi Diniz (o penúltimo da esquerda para a direita) com Pazolini (o 3º) e Roberto Carneiro (o último), em encontro na Prefeitura de Vitória com o ex-jogador de futebol Edmilson (o 2º). Facebook de Lorenzo Pazolini
Davi Diniz (o penúltimo da esquerda para a direita) com Pazolini (o 3º) e Roberto Carneiro (o último), em encontro na Prefeitura de Vitória com o ex-jogador de futebol Edmilson (o 2º)
Davi Diniz (o penúltimo da esquerda para a direita) com Pazolini (o 3º) e Roberto Carneiro (o último), em encontro na Prefeitura de Vitória com o ex-jogador de futebol Edmilson (o 2º)

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