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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Max Filho usou debate para inaugurar oposição vigilante a Arnaldinho

De acordo com pesquisas Ibope/Rede Gazeta, situação de Fabio na Serra e de Max em Vila Velha é praticamente irreversível. Nesta última, prefeito já deixou bem claro que não dará vida fácil ao provável sucessor

Publicado em 27/11/2020 às 20h17
Atualizado em 27/11/2020 às 20h55
Arnaldinho Borgo e Max Filho durante debate promovido por A Gazeta
Arnaldinho Borgo e Max Filho durante debate promovido por A Gazeta. Crédito: Fernando Madeira

A dois dias do “juízo final” do eleitor no próximo domingo (29), o quadro é muito difícil, praticamente irreversível, para o vereador Fabio (Rede) na Serra e, principalmente, para o prefeito Max Filho (PSDB) em Vila Velha. Nos dois municípios mais populosos do Espírito Santo, uma virada desses dois candidatos mostra-se quase impossível a esta altura, dada a distância aberta pelos respectivos adversários sobre eles. É o que nos informam as últimas pesquisas da série Ibope/Rede Gazeta nessas duas cidades.

Com uma diferença tão grande entre os concorrentes e disputas já quase definidas, creio que seja pertinente fazer apenas uma observação adicional, combinado o que vimos no debate A Gazeta/CBN Vitória desta quinta-feira (26) à noite entre Max e Arnaldinho com a pesquisa publicada nesta sexta-feira (27).

Parece-me que a segunda coisa ajuda a explicar a primeira, ou seja, essa vantagem que separa o atual prefeito do seu oponente nos ajuda a compreender a “selvageria” que foi o debate entre os dois e, acima de tudo, a postura adotada por Max, que se mostrou, do primeiro ao último instante do confronto, obstinado a trucidar seu adversário em cada intervenção e de expor Arnaldinho como uma espécie de “fraude eleitoral”; um fenômeno não de popularidade, mas de populismo.

Feita pela marqueteira Bete Rodrigues, a campanha de Max com certeza também trabalha com monitoramento das intenções de voto na cidade e certamente possui as suas pesquisas para consumo interno, o que nos leva a crer que, com diferença de apenas um dia entre o debate e a nossa pesquisa Ibope, Max foi para o debate com números muito parecidos, ciente do fosso de vantagem que Arnaldinho abriu sobre ele.

Se é para cair, é melhor cair com honra e gastando até a última bala do pente. Assim, no melhor estilo da família Mauro, tendo muito pouco ou nada a perder a esta altura, Max Filho partiu para o “tudo ou nada”, o que na prática significou uma saraivada de ataques a Arnaldinho.

Como encontrou pela frente um adversário também nem um pouco disposto a abaixar a cabeça e a voz, muito pelo contrário, o resultado foi, disparadamente, o debate mais agressivo de todo esse 2º turno, em toda a Grande Vitória, marcado por uma troca de acusações, hostilidades e até encaradas do início ao fim.

Além das muitas “pedras” arremessadas em Arnaldinho (e recebidas de volta por ele), Max também usou o debate final de A Gazeta e CBN para, na minha leitura, lançar a “pedra fundamental” de seu projeto de oposição ao governo de seu sucessor.

De Arnaldinho, ao longo dos últimos quatro anos, Max Filho encontrou na Câmara Municipal de Vila Velha uma oposição barulhenta e incansável. No debate desta quinta-feira, Max praticamente iniciou o troco, isto é, “inaugurou” o que há de ser a sua oposição, mesmo sem mandato, contra o governo do seu muito provável sucessor, nos próximos quatro anos.

O atual prefeito deixou muito claro: estará vigilante. Mesmo na planície, Max há de ser uma fera ferida sempre “à caça” de Arnaldinho, atento a cada deslize do sucessor e preparado para fazê-lo pagar pelas humilhações impostas a ele pelo vereador durante o atual mandato e a atual campanha. Podem anotar minhas palavras: após o debate desta quinta, Arnaldinho arrancou do ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e do ex-governador Paulo Hartung (sem partido) o posto de inimigo nº 1 dos Max no Espírito Santo.

Além disso, vale observar que Max Filho usou o debate para deixar uma espécie de alerta e fazer uma espécie de registro para a posteridade. Esse debate será lembrado por muitos anos. Arnaldinho poderá dar muito certo no cargo. Poderá não dar. Se a gestão dele for desastrosa como Max profetiza que será, ele sempre estará a postos para lembrar que avisou, que não foi por falta de um alerta, uma enfática advertência, ao vivo e em cores, para o mundo todo via internet, no debate final de A Gazeta.

Por isso mesmo, Max fez questão de tratar Arnaldinho como um “embuste”, um “engano”, um “estelionato eleitoral”, parte da “camarilha de Ivan Carlini”, dono de “passagem desastrosa e desastrada pela Secretaria de Assistência Social” e que “de novo, nada tem”.

Mais que um alerta, o prefeito fez praticamente um apelo à consciência dos eleitores canelas-verdes, que hoje preferem ir em peso com o candidato mais jovem, mais novo e jamais testado na prefeitura:

“De ‘novo’ ele nunca foi nada. Vila Velha foi vítima de um estelionato eleitoral no primeiro turno. Aliás, ele devia pedir desculpas aos demais candidatos. Mas o segundo turno é agora. A hora é agora de tomarmos a decisão. Reflita, eleitor de Vila Velha. Reflita, estude. [...] Vamos arriscar para quê? Já assistimos a esse filme oito anos atrás. Trocar por trocar… olha no que deu. Não é o momento”, disse ele, modulando a voz, para aumentar a dramaticidade de suas palavras nesse trecho.

Enfim, Max cairá atirando. E, após passar a faixa a Arnaldinho, no dia 1º de janeiro, vai trocar o pente da pistola e fazer pontaria, pelos próximos quatro anos, sobre seu mais novo maior inimigo político.

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