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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Max Filho diz que fez entregas, "sem divulgar" e "sem prometer"

Ao longo do atual mandato, a comunicação institucional do prefeito parece ter falhado. Agora, ele corre contra o tempo para mostrar à população, na propaganda eleitoral, o que executou nos últimos quatro anos

Publicado em 27/10/2020 às 05h00
Prefeito Max Filho diz na campanha que fez muito,
Prefeito Max Filho diz na campanha que fez muito, "sem divulgar". Crédito: Amarildo

“Sem prometer, Max fez isso”; “Sem divulgar, Max fez aquilo”; “Sem anunciar, Max também fez isto aqui”. Essa é a tônica da propaganda do prefeito Max Filho (PSDB), na campanha pela reeleição em Vila Velha, em seu programa no horário eleitoral gratuito. Com uma sequência de frases introduzidas assim (“sem divulgar”, “sem anunciar” etc.), o locutor enumera uma série de entregas feitas pela prefeitura nos últimos quatro anos.

A estratégia chama a atenção por transmitir a seguinte ideia central: ao longo do atual mandato, Max fez entregas (incluindo unidades de saúde, creches e escolas), tem realizações a mostrar, mas a população da cidade não tem o menor conhecimento de nada disso. Isso equivale praticamente a uma confissão: a de que a comunicação institucional da prefeitura falhou (e falhou feio) na atual gestão de Max. Durante os últimos quatro anos, a população da cidade não teria sido devidamente informada sobre o que a prefeitura municipal estava planejando e executando. A imprensa pode ter tomado ciência, mas o grande público ficou alheio.

Informações de dentro do comitê de campanha de Max confirmam que essa falha foi mesmo identificada, tendo sido inclusive captada em uma pesquisa qualitativa encomendada pela equipe de marketing do prefeito, liderada pela agência da jornalista Bete Rodrigues. O próprio Max, na entrevista abaixo concedida à coluna, admite que gastou muito pouco em propaganda institucional desde 2017. Pode ter economizado para os cofres do município e investido em outras áreas, mas isso agora na eleição cobra um preço.

Agora, constatado o problema, a campanha de Max se esforça em apresentá-lo mais ou menos como aquela formiguinha operária da fábula da cigarra (ou do gafanhoto, dependendo da versão): um governante que, sem alarde nem oba-oba, trabalhou nos últimos anos de modo diligente e silencioso (“sem divulgar”).

Apesar desse contratempo, Max demonstra confiança. Diz que o momento da campanha é o melhor para informar às pessoas sobre seu portfólio de entregas. E acredita que, conforme os eleitores tomem conhecimento do que foi feito no último quadriênio, vão se convencer cada vez mais a votar nele.

"O eleitor nunca erra... Nem sempre são dadas a ele todas as informações", afirma o prefeito, citando Mário Covas, vulto do seu partido (PSDB). "Então, já que o eleitor nunca erra, nós temos que levar ao eleitor todas as informações. [...] E o melhor momento para isso é a campanha. Eu acho que agora, durante a eleição, é que as pessoas vão começar a buscar esse conhecimento. Vão buscar e vão achar", completa Max.

Confira abaixo a entrevista completa do prefeito: 

A sua propaganda dá a entender que o senhor fez entregas e tem o que mostrar, mas que isso não foi devidamente comunicado para a população canela-verde nos últimos quatro anos. E agora o senhor precisa correr atrás disso, em um tempo muito curto de campanha. Houve mesmo uma falha na sua comunicação institucional? O senhor reconhece problemas nessa área ao longo do atual mandato?

Houve limitações do ponto de vista legal. Quando assumi, a prefeitura não tinha uma agência de publicidade que pudesse fazer as propagandas institucionais. E você não pode contratar agência de publicidade emergencialmente, sem licitação. Fizemos a licitação e passamos a ter contrato com uma agência [a Aquatro Comunicação], mas já na metade do segundo ano [2018]. No último ano de governo, você só pode investir em publicidade no 1º semestre. E, mesmo assim, só pode gastar a média dos três primeiros semestres dos três anos anteriores. A nossa média, então, foi muito baixa. Não foi porque negligenciamos esse aspecto. Houve razões de ordem legal.

Quanto foi investido pela prefeitura, no atual mandato, em publicidade institucional?

Acho que nossa média para gastar este ano foi de menos de R$ 500 mil. Tem prefeituras que têm uma média superior a R$ 2 milhões. Mas não deixamos de fazer as coisas, pelo contrário. Na área da educação, por exemplo, estamos entregando 15 novas escolas, sendo cinco já entregues. As outras dez estão em execução. No total, são dez de ensino infantil e cinco de ensino fundamental. A última está em licitação. O convênio foi assinado com o governo do Estado em agosto, e nós já licitamos a obra. A primeira parcela de repasse do governo já entrou na conta da prefeitura. A obra já está contratada e com dinheiro em caixa. É passarinho na mão.

Voltando ao ponto inicial: o senhor admite, então, que gastou pouco em publicidade institucional para informar devidamente à população o que fez a sua administração?

Acredito que sim. As pessoas se assustam quando tomam conhecimento do volume de entregas da administração. Às vezes, nas ruas, as pessoas que estão nos defendendo são desafiadas: “Fala alguma coisa que o Max tenha feito”. E elas respondem: “Falar, não. Eu vou te mostrar”. Ontem mesmo, estive com uma moradora de Alvorada, numa igreja evangélica. Essa moradora me contou que uma pessoa disse isso para ela, desafiou ela a dizer algo que nossa administração tenha feito, e ela respondeu assim: “Eu não vou te dizer, não. Eu vou é te mostrar. Venha aqui comigo em Alvorada, na EMEF [Escola Municipal de Ensino Fundamental] Gil Bernardes, que ele inaugurou. Quero te levar ali na UMEI [Unidade Municipal de Ensino Infantil] Julierme da Cruz, lá no Alecrim, que ele inaugurou. Quero te levar na nova UMEI em São Torquato...”. Isso só na região dela! E vai mostrando à pessoa. Virou o voto da pessoa, entendeu? Aí quero lembrar a você uma frase de Mário Covas, que dizia o seguinte: “O eleitor nunca erra... Nem sempre são dadas a ele todas as informações”. Então, já que o eleitor nunca erra, nós temos que levar ao eleitor todas as informações.

Mas o senhor avalia que esse baixíssimo investimento em comunicação institucional ao longo do mandato o esteja prejudicando agora, eleitoralmente?

Não. O melhor momento para isso é a campanha. Eu acho que agora, durante a eleição, é que as pessoas vão começar a buscar esse conhecimento. Vão buscar e vão achar.

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