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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Marcelo Santos: “Não sou candidato à presidência da Assembleia”

“Tenho uma relação estreita com Erick [Musso], com o governo e com o governador [Renato Casagrande]”, afirma deputado, que transita entre os chefes do Legislativo e do Executivo

Publicado em 14/01/2021 às 19h06
Atualizado em 14/01/2021 às 20h26
Assembleia Legislativa
Deputado Estadual Marcelo Santos (Podemos). Crédito: Ellen Campanharo

Quebrando o silêncio mantido nas últimas semanas, o deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) afirma: “Não sou candidato à presidência da Assembleia Legislativa. Tenho uma relação estreita com Erick [Musso], com o governo e com o governador [Renato Casagrande]”.

Ao lado do atual presidente do Legislativo estadual, Erick Musso (Republicanos), e do líder do governo CasagrandeDary Pagung (PSB), Marcelo é um dos três deputados cotados por terceiros para assumir a presidência, na eleição interna marcada para o dia 1º de fevereiro.

Segundo a nossa apuração, Marcelo de fato não está fazendo nenhum movimento próprio para viabilizar candidatura. Mas, nos dias decisivos do processo, poderia emergir como uma “solução diplomática”, na cabeça de uma chapa única e de consenso, caso Erick Musso, Casagrande e respectivos grupos políticos cheguem a um acordo nessa direção. Só assim.

Nesta fase de intensas negociações, Marcelo tem mantido conversas frequentes com o presidente da Assembleia, com o próprio governador e com emissários de Casagrande, como o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz.

Conforme ele mesmo afirma na declaração à coluna, Marcelo realmente cultiva muito boa relação tanto com Erick quanto com Casagrande. E, neste momento do processo, está atuando de maneira diplomática, fazendo o “pêndulo” entre as duas partes, com o objetivo maior de evitar um conflito, pela presidência da Assembleia, entre o Palácio Anchieta e o grupo atualmente no comando do Poder Legislativo estadual.

Essa última hipótese pode se concretizar se, em vez de um entendimento, os dois grupos resolverem ir para um enfrentamento no voto, com o lançamento de duas chapas na disputa pela Mesa Diretora: a de Erick contra uma chapa patrocinada pelo Palácio Anchieta. Em outras palavras, no limite, uma disputa real (como não se vê há muito tempo na Assembleia) pode até ocorrer se nem Erick nem Dary retirarem as candidaturas.

No cenário de hoje, Erick está irredutível, tem se reunido intensamente com os outros deputados (os eleitores em questão) e, segundo informações de bastidores, não dá o menor sinal de querer desistir da presidência. Paralelamente, Dary também tem feito uma maratona de reuniões com os colegas, para tratar do mesmo assunto: a eleição da Mesa Diretora. Enquanto Erick não abre mão do cargo, Dary trabalha para se viabilizar.

Em meio às intensas movimentações de Erick e de Dary, Marcelo ainda não pode ser descartado. Mesmo que declare não ser candidato, ele segue como carta curinga dos dois lados da mesa. E essa carta poderá ser usada ou não, dependendo da evolução das tratativas entre o Palácio Anchieta e o grupo que atualmente controla o Poder Legislativo. “Jogando parado”, Marcelo pode vir a se tornar candidato, lá na frente, por vontade de terceiros, caso haja uma conciliação política que conduza ao nome dele.

Mas, por ora, fiquemos com sua declaração, que é oficialmente a expressão de sua vontade pessoal: “Não sou candidato à presidência”.

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