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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Marcelo Santos: "Minha candidatura em Cariacica é quase irreversível"

Com Helder Salomão fora do páreo, deputado ganha novo ânimo para tentar, pela 4ª vez seguida, chegar à prefeitura. Para isso, entrará com ação no TRE para trocar o PDT pelo Podemos sem perder mandato na Assembleia

Publicado em 08/02/2020 às 04h00
Atualizado em 08/02/2020 às 04h02
Marcelo Santos. Crédito: Amarildo
Marcelo Santos. Crédito: Amarildo

A decisão do deputado federal Helder Salomão (PT) de não se candidatar novamente a prefeito de Cariacica abriu uma avenida eleitoral no município, ali perto da Expedito Garcia e da BR 262. Por essa avenida, querem passar muitos pré-candidatos que, com eventual candidatura do ex-prefeito, dificilmente entrariam nesse páreo. O destaque é o deputado estadual Marcelo Santos, em quem a ausência de Helder injetou ânimo novo. Até então uma incógnita nesse processo, Marcelo agora se diz disposto a preencher o vácuo deixado pelo petista e manda avisar a quem possa interessar: sua candidatura a prefeito é “quase irreversível”. Para viabilizá-la, ele afirma já ter decidido trocar o PDT pelo Podemos.

“Eu estava inclinado a fazer um diálogo com o Helder e, se ele fosse candidato, propor uma composição com ele candidato e eu o apoiando. Mas, com ele fora da disputa, estou avaliando aqui com meu grupo, e a possibilidade de disputar é quase irreversível.”

Se Marcelo confirmar essa “quase irreversibilidade”, esta será sua quarta participação consecutiva na eleição a prefeito da cidade, após ter sofrido três derrotas, em 2008, 2012 e 2016. A última vez em que a urna em Cariacica não teve o nome de Marcelo, seu pai, Aloísio Santos, perdeu a eleição para Helder, em 2004.

Desta vez, porém, há um complicador: atual partido de Marcelo, o PDT, comandado no Estado pelo deputado federal Sérgio Vidigal, indica que não pretende dar legenda para ele concorrer. Ao contrário: no ano passado, a direção estadual tirou do deputado a presidência do PDT em Cariacica, entregou-a ao vereador Itamar Freire e filiou o vice-prefeito da cidade, Nilton Bazílio (até então no PSDB), que também é pré-candidato a prefeito – logo, a princípio, um concorrente direto de Marcelo. Assim, para pavimentar candidatura, o primeiro passo do deputado deve ser trocar o PDT por uma sigla que lhe dê guarida.

Se fizer isso, contudo, Marcelo se arrisca a perder o mandato na Assembleia, para seu suplente, Luiz Durão (PDT), pois o entendimento legal em vigor é que o mandato do deputado “pertence” ao partido ou coligação pela qual se elegeu. Justamente para não correr esse risco e poder ser candidato sem sustos, Marcelo tomou uma primeira resolução: nesta semana, ingressará no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com uma ação em que pede autorização para se desfiliar com justa causa, preservando o mandato. Alegará grave discriminação pessoal por parte da direção partidária. “Sou o único deputado estadual do PDT, mas o partido não reconhece o meu mandato, me isola e me alija de todas as decisões.”

Marcelo acredita em uma decisão célere do TRE. Para participar da eleição, ele precisa estar filiado ao partido que lhe dará legenda até o dia 4 de abril (seis meses antes do 1º turno). Se até lá tiver ganho de causa, já decidiu seu novo destino: o Podemos, presidido no Estado por Gilson Daniel. Grande aliado de Marcelo, o prefeito de Viana garante:

“Já o convidei várias vezes. Marcelo é um bom político e um deputado muito respeitado. Ele está fazendo uma reflexão. Se decidir ser candidato à sucessão de Juninho, a legenda do Podemos está disponível para ele. E eu serei cabo eleitoral dele em Cariacica, como serei de todos os candidatos do Podemos a prefeito pelo Estado. Mas primeiro ele precisa resolver sua situação no PDT.”

Por outro lado, se o TRE não acolher o pedido de Marcelo ou não decidir até a data limite de filiação, ele ainda assim pode trocar o PDT pelo Podemos, mas assumindo o risco de perder o mandato na Assembleia (onde reúne, hoje, enorme influência). Marcelo não descarta essa hipótese, mas explica que, nesse caso, tomará a decisão sobre candidatura com base no “tamanho desse risco”, ou seja, no tamanho de suas reais chances de êxito nas urnas, a ser medido por meio de pesquisas.

RETROSPECTO RUIM...

Marcelo vem de três derrotas seguidas na eleição a prefeito – a última de virada para Juninho, numa disputa em que entrara com favoritismo no 2º turno e marcada pelo episódio, não plenamente elucidado, do tiro no carro do deputado. Esse retrospecto ruim poderia desanimar Marcelo, pois reveses sucessivos nas urnas tendem a queimar o capital político do sujeito.

...MAS NADA A PERDER

Por outro lado, emendando mandatos no Legislativo estadual desde 2003, o decano da Assembleia, mais uma vez, não tem praticamente nada a perder colocando seu nome de novo. A verdade é que Marcelo nunca precisou ir para o “tudo ou nada”, isto é, jamais precisou disputar a eleição municipal correndo o risco de ficar sem mandato. Em todas as tentativas anteriores, mesmo derrotado, ele tinha garantidos, no mínimo, mais dois anos de mandato pela frente na Assembleia. Agora não é diferente. Esse na certa é um fator favorável à candidatura.

O "CANDIDATO DO GOVERNADOR"

No fundo, Marcelo gostaria de ser o candidato do Palácio Anchieta. Na linha de frente da base de Casagrande na Assembleia, o deputado por muito pouco não se tornou secretário estadual de Esportes em janeiro de 2019 – após aceitar o convite, ele recuou, em entendimento com o governador, para evitar que seu mandato fosse assumido, justamente, por Luiz Durão, no auge da acusação de estupro de uma adolescente que pesava contra o suplente.

A FILA É GRANDE...

Para isso, antes mesmo de entrar na contenda geral pela prefeitura, Marcelo precisa vencer uma briga particular: a fila de postulantes ao selo de “candidato do Palácio em Cariacica” atravessa a Praça João Clímaco e alcança a Escadaria Maria Ortiz. Tem Euclério Sampaio (sem partido), também da base; tem Sandro Locutor (presidente estadual do PROS, lotado no Detran-ES); e, claro, tem o pré-candidato do próprio partido do governador, Saulo Andreon (PSB). Marcelo desconversa: "Entendo que o governador será um grande eleitor em Cariacica. Mas também não quero colocá-lo em uma situação que possa criar problemas para o seu governo".

E O TRIBUNAL DE CONTAS?

Marcelo sempre tangencia este tema, é mais fácil subir o Moxuara do que fazê-lo admitir interesse, mas todos sabem que o deputado gostaria de assumir um dia uma cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES). A próxima vaga a ser aberta, por aposentadoria compulsória, é a do conselheiro Sérgio Borges (ele completa 75 anos em janeiro de 2024).

FICOU MAIS LONGE

Mas, no meio político, muitos entendem que essa fila andou. Marcelo teria perdido suas melhores chances nas duas substituições mais recentes: a vaga de José Antônio Pimentel, preenchida por Rodrigo Coelho em agosto de 2018, e a de Valci Ferreira, substituído por Luiz Carlos Ciciliotti em fevereiro de 2019. Na equipe política do governador, também há interessados em uma vaga no TCES, como o chefe da Casa Civil, Davi Diniz, e o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB).

"TÔ NO JOGO"

Exatamente para mostrar que está no jogo, Marcelo publicou em sua conta no Instagram, na última quinta-feira (6), fotos dele conversando individualmente com vários agentes políticos de Cariacica, incluindo quatro outros pré-candidatos a prefeito da cidade: Sandro Locutor, o vereador André Lopes (PT) e os médicos Elcio Couto (PP) e Motta (DC). Também esteve com o ex-presidente da Câmara de Cariacica, Adilson Avelina (Podemos), marido da vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), cotada como importante cabo eleitoral na cidade.

Marcelo Santos ao lado de Renato Casagrande no Palácio Anchieta. Crédito: Instagram de Marcelo Santos
Marcelo Santos ao lado de Renato Casagrande no Palácio Anchieta. Crédito: Instagram de Marcelo Santos

NA PRIMEIRA FILA

Na véspera, Marcelo publicou foto dele mesmo sentado ao lado de Casagrande na primeira fila do Salão São Thiago, no Palácio Anchieta, durante solenidade de liberação de verbas para reconstrução de cidades atingidas pelas enchentes de janeiro.

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