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“Lelo quer esconder sua incompetência”, dispara secretário de Casagrande

Rebatendo entrevista do presidente do MDB à coluna, Tyago Hoffmann afirma que Lelo busca culpar terceiros por sua incapacidade na condução do partido. Emedebista havia dito que governador teme fantasma de Hartung

Publicado em 19/02/2020 às 05h01
Atualizado em 19/02/2020 às 08h55
Para Tyago Hoffmann, escudeiro de Casagrande, é Lelo quem anda vendo o fantasma de Hartung. Crédito: Amarildo
Para Tyago Hoffmann, escudeiro de Casagrande, é Lelo quem anda vendo o fantasma de Hartung. Crédito: Amarildo

Escalado pelo governador Renato Casagrande (PSB), o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), rebate a entrevista dada à coluna pelo presidente estadual do MDB, Lelo Coimbra, na qual o ex-deputado afirma que Casagrande é assombrado pelo fantasma de Hartung e não desencarnou do ex-governador. “Isso é trauma da cabeça do ex-deputado, que sempre teve a vida ligada a esse ex-governador e sempre serviu a ele. [...] Talvez ele é que esteja vendo esse fantasma”, rebate Hoffmann.

Na entrevista à coluna, Lelo acusou o governo e o governador pessoalmente de estarem interferindo contra ele na disputa interna do MDB pela presidência estadual do partido. Na contenda, que se prolonga há quase um ano, Lelo tem por adversário o ex-deputado federal Marcelino Fraga. A convenção estadual já foi adiada mais de uma vez. O mais recente adiamento se deu no último fim de semana. Segundo Lelo, Casagrande estaria recebendo pessoalmente, no Palácio Anchieta, delegados do MDB, a fim de pressioná-los e orientá-los a apoiar Marcelino. O próprio Hoffmann também viria agindo nesse sentido.

Para o secretário de Governo, as declarações de Lelo são “irresponsáveis” e objetivam “esconder a incapacidade dele na condução desse processo”.

Tyago Hoffmann (PSB)

Secretário estadual de Governo

"Tem algo aí de incompetência na condução do MDB que leva esse presidente a fazer declarações jogando em outras lideranças a culpa por sua própria incapacidade em conduzir o próprio partido e o processo eleitoral do partido. Qual é o caminho fácil para esconder a sua incompetência na condução desse processo? É jogar a culpa em outras lideranças por eventual derrota dele no partido."

Na tarde desta terça-feira, Casagrande deu à repórter Letícia Gonçalves a seguinte declaração sobre o assunto: “Sou cristão. Não acredito em fantasma”. A mesma frase, em alusão ao governador, foi dita por Hoffmann na entrevista do secretário, cuja íntegra você confere abaixo:

Lelo Coimbra alega que tem havido há algum tempo, principalmente na semana passada, interferência do governo estadual, através da Secretaria de Governo e do próprio governador, na eleição interna do MDB, com pressões sobre delegados e orientação de voto na chapa de Marcelino Fraga. Isso procede?

Isso não procede. Isso é uma absoluta irresponsabilidade do presidente provisório do MDB. O governo entende que questões partidárias devem ser lidadas no âmbito partidário. O governo não se mete nem em questões partidárias do PSB, que é o partido do governador, muito menos nos demais partidos. Na minha opinião, tem algo aí de incompetência na condução do MDB que leva esse presidente a fazer declarações jogando em outras lideranças a culpa por sua própria incapacidade em conduzir o próprio partido e o processo eleitoral do partido. Qual é o caminho fácil para esconder a sua incompetência na condução desse processo? É jogar a culpa em outras lideranças por eventual derrota dele no partido. Que fique claro: o governo não se mete e continuará sem se meter nessa questão do MDB. Classificamos essa afirmação como uma afirmação irresponsável que simplesmente quer esconder a incapacidade dele na condução desse processo.

Lelo também afirma que o governador recebeu pessoalmente um delegado do MDB no Palácio Anchieta, na última sexta-feira. Houve mesmo esse encontro, dentro ou fora da agenda oficial?

O governador recebe pessoas de todos os partidos. Não tenho conhecimento de nenhuma agenda dele na sexta-feira com delegado do MDB. Mas ele pode ter recebido uma pessoa na condição de qualquer outra coisa. O governador recebe prefeitos e vereadores, por exemplo, de qualquer partido, inclusive do MDB. Não sei a quem Lelo se referiu especificamente. É uma informação que para nós está vaga. Desconheço que o governador tenha recebido um delegado do MDB na sexta-feira, mas, se recebeu, não recebeu na condição de delegado do MDB, mas na condição de prefeito, vereador ou líder político local. Nunca na condição de delegado do MDB, nem para orientar voto para um lado ou para outro, para quem quer que seja. A gente conversa com muita gente. Isso é óbvio. Eu mesmo atendo muita gente. Quando um prefeito vem me procurar, independentemente do partido, eu o recebo. Então nós recebemos gente da política todos os dias, o dia inteiro. Isso é nosso papel. É papel do secretário de Governo, é papel do chefe da Casa Civil e é papel do governador. É engraçado que o ex-deputado se esquece da quantidade de vezes que o governador já o recebeu no Palácio. Foram inúmeras vezes. Então, quando o governador o recebeu, foi na condição de presidente do MDB, para pedir voto? Não tenho a conta de quantas vezes ele já esteve no Palácio ao longo de um ano de gestão. Em nenhum momento foi para tratar de assuntos do MDB.

O presidente estadual do MDB argumenta que a alegada interferência do Palácio Anchieta contra ele se daria porque Casagrande, nas palavras dele, seria assombrado pelo fantasma Paulo Hartung, não teria desencarnado do ex-governador e não quer que o MDB seja usado como plataforma política do ex-governador. Como o senhor se posiciona sobre isso?

O governador é cristão. E, como cristão, o governador não acredita em fantasmas. Isso é trauma da cabeça do ex-deputado, que sempre teve a vida ligada a esse ex-governador e sempre serviu a ele. E aí ele acha que as outras pessoas se preocupam com o ex-governador como ele se preocupa. Talvez ele é que esteja vendo esse fantasma.

Mas é fato que o governador e seu grupo político não têm interesse na permanência de Lelo à frente do MDB no Estado?

Nós tratamos os partidos políticos e as lideranças partidárias, sejam essas lideranças quem forem, de maneira republicana. Se Lelo for o presidente do MDB e tivermos que conversar com Lelo onde haja interesse numa relaçao com o MDB, conversaremos normalmente. Aí estou me referindo a mim, que sou membro da executiva estadual do PSB. Nós trataremos de partido com partido. E, onde for importante dialogar com o MDB, dialogaremos normalmente. A não ser que seja desejo do Lelo se colocar na oposição ao governo. Mas creio que esse não é o interesse dos prefeitos do MDB.

O senhor acha que ele quer isso?

Não sei qual é o desejo do Lelo. Nunca conversei com ele sobre o MDB.

Na avaliação de vocês, o contrário existe? Quer dizer, há alguma influência do ex-governador Paulo Hartung em favor de Lelo na eleição do MDB?

Não sei avaliar isso, pois estou acompanhando de longe. É um processo interno do partido. Não sei o que o ex-governador pretende fazer da carreira dele. O que posso dizer a você é em relação ao nosso governo: o governo não se mete nesse assunto, acompanha a distância esse assunto, com interesse em que um partido do tamanho e da história do MDB se recompanha, se reconstrua e siga a vida, de preferência tendo uma boa relação com o governo.

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