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Vitor Vogas

Lelo ganha apoio na disputa pelo comando do MDB

a convenção estadual prevista para o fim de junho, Lelo espera enfrentar uma chapa encabeçada ou, no mínimo, apoiada pelo ex-deputado federal Marcelino Fraga

Publicado em 07 de Maio de 2019 às 01:05

Públicado em 

07 mai 2019 às 01:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Praça Oito - 07/05/2019 Crédito: Amarildo
Lelo Coimbra avisa: é candidato à reeleição para o cargo de presidente estadual do MDB. Na convenção estadual prevista para o fim de junho, Lelo espera enfrentar uma chapa encabeçada ou, no mínimo, apoiada pelo ex-deputado federal Marcelino Fraga, que poderá voltar à cena depois de mais de uma década no ostracismo. “É o que tem sido dito.” E é exatamente por isso, diz Lelo, que ele lidera um movimento interno com o apoio declarado ontem por 16 dos 18 prefeitos do MDB no Espírito Santo. “A alternativa que se tem representa aquilo que nós queremos mudar nacionalmente no partido”, afirma o atual secretário nacional de Desenvolvimento Social.
Segundo Lelo, a chapa liderada por ele “está em sincronia” com um movimento mais amplo, nacional, de renovação dos quadros de direção partidária. Na prática, saem Temer, Moreira Franco, Jucá... ascendem Simone Tebet, Ibaneis Rocha, Ivo Sartori e/ou Helder Barbalho. Desse quarteto, devem surgir um ou dois candidatos à presidência nacional. “Achamos que o MDB precisa ter uma alteração dos seus quadros que têm problema. Retirada mesmo de cena, da visibilidade e do comando partidário”, afirma Lelo, também ex-deputado federal.
Esse objetivo, diz ele, se replica no Espírito Santo. “Queremos que os nomes à frente do partido sejam vistos pela sociedade como nomes que são ficha-limpa. Então isso se rebate para cá. Poderíamos ter como candidato à presidência estadual do MDB alguém como Guerino Zanon, Luzia Toledo, André Garcia... Todos são excelentes nomes e estão bem preparados. Mas todos, na conversa que tiveram comigo, me pediram que esse movimento convergisse em torno do meu nome.”
No caso da iminente disputa estadual, não se trata, indica Lelo, de “retirar de cena” os “quadros que têm problema”, mas de impedir o seu retorno. “Sou candidato, sem dúvida, em função dessa movimentação (de Marcelino). Por esse motivo, tenho recebido manifestações de que precisamos fortalecer o partido, sem ficha-suja, com pessoas que possam representar o MDB com a certeza de que vão organizá-lo.”
Alfinetando Marcelino, Lelo aponta “outra grande diferença”: “Eu trabalho a política do ponto de vista da política. O partido para mim é um instrumento de trabalho, de fazer política, de levar ideias para as pessoas e disputar projetos. Eu não monto ponto comercial. Essa diferença é importante. Estamos discutindo o fortalecimento do partido. Não aceitamos montagem de ponto comercial. É o perfil de Marcelino. A desorganização partidária era tamanha, com contas rejeitadas no TRE, que ficamos três anos sem fundo partidário. O que tem hoje de organizado no MDB foi feito pelo nosso trabalho. E não dá para abrir mão desse trabalho.”
Essa tensão interna antecipada entre os grupos de Lelo e de Marcelino se reflete na eleição para a nova direção municipal do MDB em Vitória – no momento, sub judice. As chapas lideradas pela ex-deputada Luzia Toledo e pelo deputado José Esmeraldo são apoiadas, respectivamente, por Lelo e Marcelino. É um aquecimento para a vindoura disputa estadual.
Marcelino presidiu o MDB-ES de 2003 a 2007, ano em que perdeu o cargo para Lelo, no voto, em convenção partidária. Denunciado pelo MPF, foi condenado pela Justiça Federal por atuação na máfia dos sanguessugas (ele recorre). Para não ser cassado, renunciou ao mandato de deputado federal em 2006, tendo ficado inelegível por oito anos.
Apoio a Lelo
O MDB tem hoje 18 prefeitos no Espírito Santo. Lelo recebeu ontem uma carta de apoio assinada por 16 deles. Os únicos que não a firmaram foram Meireles, eleito no domingo em Irupi, e Ninho, eleito prefeito de Dores do Rio Preto em 2016 pelo PDT, mas filiado ao MDB no meio do mandato.
Recado a Marcelino
Na carta, os prefeitos afirmam ter o desafio de não apostar em retrocesso. “Não podemos flertar com o atraso nem repetir duelos que já superamos no Espírito Santo.”
"Risco de volta ao passado"
Os prefeitos emedebistas dizem que, tempos atrás, o MDB estadual estava com contas atrasadas, diretórios sob intervenção e “sendo usado como moeda de troca para conseguir cargos no governo”. Hoje, segundo eles, o MDB é um partido organizado, “que precisa superar novos desafios, mas não pode arriscar uma volta ao passado”.
Em resposta à coluna
Lelo discorda da análise feita pelo colunista no sábado, de que 2018 marca o fim de um ciclo para o MDB no Espírito Santo, por causa do mau desempenho eleitoral e da desfiliação de Paulo Hartung. “Não marca o fim de um ciclo partidário e sim um novo momento de ciclos de poder.” Tanto no país como no Estado, esse novo ciclo de poder não inclui o MDB, visto que o partido não apoiou nem a candidatura de Bolsonaro à Presidência nem a de Casagrande ao governo estadual.
Para Lelo, esse novo momento, com suas novas exigências, não é exclusividade do MDB. “Acho que temos um novo momento, de todos os partidos, no Brasil e no Espírito Santo. No Estado, todos os partidos também vão ter que se remodelar, até porque não há mais coligação partidária, e o sistema de financiamento ainda não está dado.”
Como mostramos, pela primeira vez desde a fundação da sigla, em 1966, o MDB-ES não tem representante no Congresso. Lelo atribui essa situação inédita à atual pulverização partidária e a questões pontuais como a desfiliação da senadora Rose de Freitas - que, sem legenda garantida no MDB, migrou para o Podemos para poder concorrer ao Palácio Anchieta.
Por outro lado, o presidente estadual, do MDB confirma que a decisão de Paulo Hartung de não disputar a reeleição, pela maneira e pelo momento em que foi tomada (em 9 de julho), foi fator determinante para o fraco desempenho do MDB no Espírito Santo. “Não tenho dúvida disso."
Cena Política
Na corrida presidencial do ano passado não deu certo, mas na eleição extemporânea a prefeito de Irupi, sim. Os eleitores da cidadezinha da região do Caparaó mandaram chamar o Meireles (um ele só): elegeram o comerciante Edmilson Meireles, também do MDB, mas sem parentesco algum com o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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