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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Lelo diz que Guerino pode ser candidato ao governo do ES em 2022

E mais: a polêmica exoneração da mulher do presidente do MDB na Serra; considerações sobre os partidos que cresceram ou encolheram em n° de candidatos a prefeito no ES

Publicado em 05/10/2020 às 05h00
Atualizado em 05/10/2020 às 05h02
Lelo Coimbra aposta que Guerino pode ser candidato ao governo do ES em 2020
Lelo Coimbra aposta que Guerino pode ser candidato ao governo do ES em 2020. Crédito: Amarildo

O presidente estadual do MDB, Lelo Coimbra, é quem afirma: se confirmar o favoritismo e garantir a reeleição em novembro, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), pode ser lançado pelo partido a governador do Espírito Santo em 2022.

Caso vença a eleição municipal no dia 15 de novembro, Guerino irá para o 5º mandato à frente da Prefeitura de Linhares. De acordo com Lelo, se o prefeito quiser interromper o mandato em 2022 para concorrer ao Palácio Anchieta, terá todo o seu apoio pessoal e partidariamente no MDB.

“O desafio do Guerino no momento é consolidar essa reeleição. Agora, ele está indo para o 5º mandato de prefeito. Ele é um quadro preparado. Se ele decidir disputar uma eleição majoritária de governo, pessoalmente terá todo o meu apoio. E, partidariamente, com certeza farei o que puder para ajudar que ele se consolide. Mas essa é uma decisão que precisa ser amadurecida.”

Ainda segundo o ex-deputado federal, “muita gente” vê a eventual candidatura de Guerino como “uma opção interessante” para o governo em 2022. Por outro lado, Lelo enumera outros possíveis postulantes, como o atual governador, Renato Casagrande (PSB), e o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede).

“Nós temos aí uma pré-candidatura [a governador em 2022] do Audifax. Temos uma pré-candidatura potencial do próprio governador à reeleição. Podemos ter uma pré-candidatura do Guerino ao governo. Se ele desejar, ele vai contar com o apoio não só meu, mas de muita gente que vê nessa candidatura uma opção interessante. Acho que, a partir do ano que vem, esse cenário vai começar a se desenhar de maneira bem célere.”

Lelo acredita, inclusive, que o ex-governador Paulo Hartung possa entrar nesse time de apoiadores de Guerino, até pelo histórico de parceria dos dois. Em 2007/2008, Guerino foi presidente da Assembleia, tão logo chegou ao Legislativo estadual, durante o segundo governo de Hartung, com o apoio do então governador.

No governo passado, no 1º semestre de 2016, Guerino teve uma curtíssima passagem pelo cargo de secretário estadual de Esportes – o que serviu, basicamente, para dar a ele o selo de “candidato do governo Paulo Hartung” para voltar à Prefeitura de Linhares em outubro daquele ano.

“Olha, o Paulo é sempre um apoiador importante”, opina Lelo. “Ele diz que tem estado distante da política local. Mas com certeza penso que, num movimento como esse do Guerino, ele poderia contar com a simpatia do Paulo Hartung. Não tenho dúvida que isso pudesse acontecer, ou que possa acontecer.”

EXONERAÇÃO POLÊMICA NA SERRA

Falando em MDB, a polêmica envolvendo o partido na Serra parece não ter fim. Na convenção municipal realizada pela sigla, no dia 13 de setembro, o MDB decidiu não lançar candidato a prefeito. Posteriormente, coligou-se com o PSDB, para apoiar a candidatura do deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) a prefeito. Mas o delegado da Polícia Federal Márcio Greik pediu à Justiça Eleitoral registro de sua candidatura a prefeito mesmo assim, de forma individual.

O prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), esteve presente na convenção do MDB na Serra e incentivou a candidatura de Greik. O presidente do MDB na Serra, Aloísio Santana, afirma que, durante a convenção, Audifax conversou pessoalmente com ele e tentou interceder a favor do lançamento da candidatura de Greik a prefeito. Mas o pedido foi negado, e o MDB não lançou Greik.

Segundo relato de Santana, isso teve um preço pessoal para ele: custou o emprego da esposa, Karoline Marques Nascimento Santana, exonerada no dia seguinte do cargo comissionado de gerente de unidade de atenção primária à saúde no município da Serra. “Ela é formada em Enfermagem e estava há quase dois anos no cargo. Não atendi ao pedido do prefeito. Não deu nem 24 horas. Na manhã de segunda-feira [14], a exoneração já estava pronta”, lamenta-se Aloísio.

Ele enviou à coluna o ato de exoneração, assinado por Audifax e datado de 14 de setembro. A exoneração não foi a pedido.

A RESPOSTA DA PREFEITURA

Procurada pela coluna, a Prefeitura da Serra manifestou-se oficialmente acerca dos motivos da exoneração: falta de perfil técnico e avaliação negativa do desempenho. “A profissional não tinha o perfil técnico para o cargo e não foi bem avaliada pelo corpo gerencial”, respondeu a assessoria de imprensa da prefeitura, em nota.

CARNEIRO: VOU ALI E JÁ VOLTO

A propósito de exonerações, o diretor-geral da Assembleia Legislativa, Roberto Carneiro (Republicanos), foi exonerado do cargo pelo presidente da Casa de Leis, Erick Musso, do mesmo partido, por meio de ato oficial publicado no Diário do Poder Legislativo na última quinta-feira (1º). Como presidente estadual do Republicanos, Carneiro se dedicará exclusivamente à campanha eleitoral até o fim de novembro. Após a campanha, retornará ao cargo na Assembleia.

OS MEDALHISTAS NO LANÇAMENTO DE CANDIDATOS

Como a reportagem de A Gazeta mostrou aqui na última sexta-feira (2), o Republicanos, partido que pretende crescer no Estado nos próximos anos, é a 2ª legenda que mais lançou candidatos próprios ao cargo de prefeito no Espírito Santo: são 27, contando os 78 municípios capixabas. O 1º colocado é o PSB, do governador Renato Casagrande, que lançou candidatos a prefeito em praticamente metade dos municípios capixabas: 38.

Como informa a reportagem de Ana Clara Morais, o pódio ficou assim:

1º) PSB: 38

2º) Republicanos: 27

3º) PSD e PSDB: 23 cada um

5º) PP e Cidadania: 22 cada um

OS TURBINADOS E FERMENTADOS

Ainda com base na reportagem, vale a pena observar como a oscilação no número de candidatos a prefeito de cada partido, de uma eleição para a outra, segue muito proximamente o movimento do “pêndulo de poder estadual”: de 2016 para 2020, os partidos que mais cresceram em número de candidatos a prefeito são os que antes não estavam no governo estadual (sob Paulo Hartung), mas agora estão (sob Casagrande):

. PSB: de 18 para 38 (mais que o dobro)

. PP: de 7 para 22 (mais que o triplo)

. Cidadania: de 5 para 22 (mais que o quádruplo)

. Podemos: de 4 para 17 (mais que o quádrupo)

OS MINGUADOS E ESVAZIADOS

Em contrapartida, os partidos que mais encolheram, no mesmo intervalo de quatro anos, foram precisamente os que foram apeados do Palácio Anchieta. Última sigla de Paulo Hartung, o MDB sofreu uma queda brutal: de 48 candidatos a prefeito em 2016 para 19 agora. Significa que, para cada 5 candidatos lançados em 2016, o partido de Lelo lançou apenas 2 nesta eleição municipal.

Muito importante na base de Hartung no governo passado, o PSDB sofreu queda mais suave: de 28 em 2016 para 23 agora.

FICOU NO GOVERNO. E NA MESMA...

Um caso interessante, que só confirma a nossa tese, é o do PDT, que esteve no governo passado com Paulo Hartung e continua, agora, com Casagrande. A sigla quase não sofreu variação: em 2016, concorreu a 20 prefeituras no Estado; agora, concorre a 22.

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