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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Jaqueline e Euclério hasteiam bandeira de paz em Cariacica: “Tudo normal”

Após Euclério pedir formalmente lista de servidores da Vice-Governadoria, deputado e vice-governadora, que apoia Saulo, adotam tom conciliador: “Não houve nenhuma ameaça”

Publicado em 08/10/2020 às 14h28
Euclério Sampaio e Jaqueline Moraes
Euclério Sampaio e Jaqueline Moraes. Crédito: Divulgação/Montagem de Vitor Vogas

A vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB) colocou panos quentes no movimento de bastidores efetuado por Euclério Sampaio (DEM) e publicado pela coluna na manhã desta quinta-feira (8): “Foi um ato normal e é direito do deputado”. O próprio Euclério também abrandou a fervura: “Meu pedido de informação em nada tem a ver com minha campanha a prefeito de Cariacica e não o considero uma ‘ameaça’, como registrou a coluna”.

Denotando insatisfação com a atuação de Jaqueline no processo eleitoral, Euclério protocolou um requerimento de informações ao governo do Estado, no último dia 23, no qual demanda que a Secretaria Estadual de Gestão e Recursos Humanos lhe informe a relação completa de servidores nomeados e exonerados na Vice-Governadoria e na Ceasa desde janeiro de 2019 (início do governo Casagrande).

Segundo colaboradores do deputado, os dois setores do governo são redutos de servidores comissionados filiados ao PSB, e Euclério tomou essa atitude por suspeitar que funcionários pagos pelo Estado estariam trabalhando em campanhas eleitorais, enquanto ocupam os cargos. Euclério é candidato a prefeito de Cariacica, onde Jaqueline apoia a candidatura do professor Saulo Andreon (PSB).

De acordo com fontes próximas a Euclério, o objetivo do parlamentar foi mandar um recado para a vice-governadora e pressioná-la um pouco, para conter seus movimentos eleitorais explícitos em apoio a Saulo no município, inclusive vinculando esse apoio a Casagrande (também do PSB).

Preferindo contemporizar, Jaqueline respondeu à coluna que não faz a mesma leitura. Destacou que a iniciativa de Euclério está dentro da normalidade e das prerrogativas não só dele como de qualquer parlamentar. E afirmou que já encaminhou as respostas ao requerimento do deputado para a Casa Civil, secretaria encarregada da articulação politica com os deputados estaduais.

“Não considero que o pedido de informações de Euclério tenha implicitamente esse sentido. Se tem essa intenção implícita, para mim é um ato normal do deputado de fazer alguns pedidos de informações ao governo. Eu encaminhei a resposta [sobre a Vice-Governadoria] ao [secretário-chefe da Casa Civil] Davi Diniz, porque existe um trâmite normal na Assembleia Legislativa que precisa ser cumprido. E o Davi ficou de fazer a formalização para essa resposta. É o trâmite natural. O pedido chegou até mim, encaminhei para a Casa Civil, e estou esperando o retorno da resposta que vamos dar ao deputado. Ele fez o pedido de ofício. É de direito do deputado fazer.”

Quanto a motivações político-eleitorais que possam existir por trás dessa atitude de Euclério, a vice-governadora ressaltou que ela e o deputado, na verdade, têm boa relação política. E disse não encarar a “solicitação/determinação” (nos termos do ofício) de envio da relação de servidores subordinados a ela como uma maneira de pressioná-la nem de lhe mandar algum recado.

“Eu não encaro assim. Encaro muito normalmente, até porque Euclério Sampaio é da base aliada do governo. Nós temos outros candidatos aqui em Cariacica que são da base aliada do governo. E o meu partido tem um candidato também, que é o Saulo. Então, em nenhum momento eu tratei ou trato de forma diferenciada nem Euclério, nem o Sandro [Locutor, o terceiro candidato da base a prefeito da cidade]. Eu fiz live com Euclério na pré-campanha. Fui na convenção do Sandro. Não fui na do Eucério porque ele não me convidou. Não tem nenhum problema. Não tenho um olhar, com relação ao Euclério, de nenhum tipo de perseguição. E não imagino que o ofício tenha tido esse objetivo. Tenho muita tranquilidade para responder ao pedido dele.”

Sobre sua movimentação eleitoral, a vice-governadora salientou que está agindo com “muita leveza”:

“Na verdade, faço tudo com muita leveza. Estou trabalhando mais fortemente talvez nos bastidores da candidatura do Saulo aqui [em Cariacica] porque ele é do meu partido. A militância me puxa. Mas não tem nenhum servidor meu trabalhando [na campanha], nada disso. Sou eu, Jaqueline.”

Em nota enviada à coluna, o próprio Euclério assumiu o tom apaziguador que tem sido a tônica de sua campanha à Prefeitura de Cariacica. Afastou completamente qualquer intenção de “ameaçar” ou “dar um chega pra lá” em Jaqueline:

“Como deputado estadual, não considero uma ‘ameaça’, como registrou a coluna, o pedido de informação feito à Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) do governo. Exerço minha prerrogativa de parlamentar atuante e combativo, trabalho que tenho feito ao longo desses cinco mandatos na Assembleia Legislativa. O pedido de informação em nada tem a ver com minha campanha a prefeito de Cariacica, que continuará sendo propositiva e sem ataques a adversários. Campanha eleitoral não é guerra; é uma oportunidade muito importante de discutirmos a cidade, seus problemas e soluções.”

MAS TEM OU NÃO TEM?

Em todo caso, quanto ao mérito da discussão, o que tem a dizer a vice-governadora? Existe ou não existe essa situação de servidores comissionados, lotados na Vice-Governadoria, na Ceasa ou onde quer que seja no governo, trabalhando em campanhas eleitorais sem terem se licenciado do cargo? Ela responde ao nosso questionamento:

“Não, não existem servidores trabalhando para campanhas eleitorais. O que talvez existiu é que teve servidores que saíram da Ceasa para serem candidatos. Pessoas da Ceasa que se desincompatibilizaram, conforme a lei pede, para serem candidatos. Estavam lotados na Ceasa: o Juca Cearense e o Antônio Neto. Está no Portal da Transparência. Agora, fora isso, não existe problema algum. Lá na Vice-Governadoria, não teve ninguém que se desincompatibilizou para ser candidato. Aliás, teve um, que é da Juventude do PSB na Serra. Estava comigo e se desincompatibilizou a tempo. Fora isso, desconheço essa informação. Mas também acho que é legal o deputado fazer esses pedidos formais de informação. É trâmite normal”, reiterou.

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