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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Ibope: Max Filho e Neucimar são perfeitos um para o outro no 2° turno

Max precisa de Neucimar. Este precisa de Max. Em grande medida, um depende do outro para ter mais chances de êxito na eleição a prefeito de Vila Velha. Entenda por quê

Publicado em 16/10/2020 às 15h13
Neucimar Fraga e Max Filho: lado a lado
Neucimar Fraga e Max Filho: lado a lado. Crédito: Amarildo

Max Filho precisa de Neucimar. Este precisa de Max. Em grande medida, um depende do outro para ter mais chances de êxito na eleição a prefeito de Vila Velha. Soa como um grande paradoxo, mas a pesquisa Ibope feita a pedido da Rede Gazeta sobre a disputa em solo canela-verde, publicada nesta quinta-feira (15), mostra que, ironicamente, os dois arquirrivais históricos são os adversários perfeitos um para o outro, no 2º turno do processo eleitoral em Vila Velha.

Não seria nenhum absurdo – ao contrário, parece-me prudente – os dois começarem a pensar muito seriamente no estabelecimento de um pacto velado de não agressão até a votação em 1º turno, no dia 15 de novembro.

Na primeira pesquisa da série do Ibope no segundo maior colégio eleitoral do Estado, Max e Neucimar despontam na frente, tecnicamente empatados dentro da margem de erro: o prefeito tem 26% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto o ex-prefeito registra 24%. Há, no entanto, dois problemas comuns a ambos.

O primeiro se chama Arnaldinho Borgo. O vereador e candidato do Podemos já aparece com 14% das intenções de voto no cenário estimulado. Tecnicamente, podemos até afirmar que, no limite absoluto da margem de erro, ele está empatado com Neucimar. Como a margem de erro da sondagem é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois poderiam oscilar e se encontrar no meio do caminho, com os mesmos 19%. É uma preocupação real e tangível para os dois líderes.

O segundo problema para prefeito e ex-prefeito na pesquisa chama-se rejeição, que é muita alta para ambos – no caso de Max, para ser preciso, é altíssima. Enquanto Neucimar, de antemão, não conta em hipótese alguma com o voto de 36% dos entrevistados, chega a 44% o percentual dos que dizem não votar em Max de jeito nenhum. Já a rejeição de Arnaldinho é suave e administrável: apenas 7%.

Diante desse conjunto de elementos, chegamos à grande ironia com que abrimos esta análise: por incrível que pareça, Max e Neucimar dependem mais que nunca um do outro, para chegarem de mãos dadas ao 2º turno e, uma vez lá, aumentarem suas probabilidades de liquidarem a fatura, livres da incômoda ameaça de uma “3ª via” que possa sacudir o tabuleiro eleitoral cristalizado desde 2016 e fazer estragos em qualquer um dos dois.

Com índices de rejeição tão elevados, o que vale sobretudo para Max, ambos podem enfrentar seriíssimas dificuldades se tiverem que se haver, no 2º turno, com um candidato que possa transmitir “frescor politico” maior, que possa incorporar a ideia de “3ª via” e que praticamente não enfrenta rejeição antecipada. No caso específico, esse candidato é Arnaldinho. Poderia ser outro. Qualquer um com perfil parecido, com mínima competitividade e no patamar atual do vereador representaria o mesmo risco para Neucimar e Max.

E ainda existe um agravante para ambos. Se Arnaldinho passar para o 2º turno contra qualquer um dos dois, é possível, até provável, que grande parte dos demais candidatos a prefeito decida apoiá-lo e fortalecê-lo. E não só isso: se Max for para o 2º turno contra Arnaldinho, é possível que Neucimar “despeje” os seus votos no vereador só para não amargar nova vitória do arqui-inimigo em Vila Velha. E vale também a recíproca.

Como se não bastasse, paira em Vila Velha aquela escrita, comprovada pelo histórico recente, de que o eleitor canela-verde é exigente e não gosta de eleger quem já está ou já esteve no cargo de prefeito. É um eleitorado que tende a votar pela alternância. Desde o ano 2000 (primeira eleição em que prefeitos puderam se reeleger no Brasil), só um prefeito conseguiu se reeleger em Vila Velha: o próprio Max, em 1º turno, no já distante ano de 2004.

Em 2016, um ex-prefeito conseguiu voltar ao cargo: de novo, foi o próprio Max. Mas esse precedente agora conta mais a favor de Neucimar, já que Max sofre o ônus de ser o prefeito neste momento.

ÍNTIMO E PESSOAL

Por tudo isso, é bom para Max chegar ao 2º turno contra Neucimar, e vice-versa. Até porque os dois são inimigos íntimos e pessoais. Conhecem-se e convivem politicamente há pelo menos 20 anos, seja como adversários, seja como aliados que já foram (Neucimar foi líder de Max na Câmara de Vila Velha no início do século).

Cada um deles sabe como derrotar o outro: Max já o fez em 2016; Neucimar já o fez em 2012, quando Max ficou no 1º turno (embora o então prefeito tenha perdido para Rodney Miranda no 2º);

Por tudo isso, Neucimar e Max, mais que nunca, deveriam firmar um pacto de não beligerância e formar a dupla NeucimaX para passarem sem sustos ao 2º turno. Uma vez lá, aí sim, poderão “matar-se” à vontade, reeditando a sangria desatada que foi o 2º turno entre eles na eleição passada, em 2016, com direito a dedão na cara no debate A Gazeta/CBN.

Com uma rivalidade tão consolidada na cidade, é até natural que os dois estejam ansiando por esse momento, sobretudo Neucimar, que precisou esperar quatro anos por essa revanche. Mas, para isso, precisam passar juntos de fase. Um lutador penetra como Arnaldinho, intruso no ringue, pode atrapalhar esse duelo particular, com dia e hora marcados há quatro anos.

Se tentarem se matar agora, os dois poderão morrer antes da hora. E Arnaldinho agradece.

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