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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Helder defende mudança de estratégia do PT contra Bolsonaro em 2022

Deputado federal considera “fundamental” que o partido se disponha a avaliar participação em uma ampla frente de esquerda, já no 1° turno, para derrotar o atual presidente

Publicado em 25/01/2021 às 02h00
Atualizado em 25/01/2021 às 02h03
Helder Salomão defende que PT avalie participar de uma frente de esquerda em 2022
Helder Salomão defende que PT avalie participar de uma frente de esquerda em 2022. Crédito: Amarildo

Um dos principais líderes do PT no Espírito Santo atualmente e único representante do partido na bancada capixaba no Congresso, o deputado federal Helder Salomão defende que o partido se disponha a participar de uma frente unificada de esquerda, já no 1º turno da próxima eleição presidencial, a fim de atingir o objetivo comum a todas as forças do chamado “campo progressista”: derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo em 2022. Na prática, isso significa, inclusive, aceitar debater a possibilidade de abrir mão de lançar um candidato próprio à Presidência (pela primeira vez desde o fim da ditadura militar, em 1985), em favor de outro nome que represente esse campo.

Helder defende que o novo cenário, diferente de eleições anteriores, requer uma mudança de estratégia por parte não só do PT como de todos os partidos de esquerda e de oposição ao governo Bolsonaro: “Se em 2022 nós teremos esses contornos novos nas eleições, nós não podemos agir como agimos no passado. Então, o PT, o PSB, o PDT, o PCdoB, o PSOL, enfim, todos esses partidos têm que fazer esse esforço para buscar uma alternativa que una essas forças políticas no 1º turno. Acho que não é impossível. Não é. O PT tem excelentes nomes. Mas precisamos considerar que outros partidos também têm seus nomes”.

É uma opinião muito parecida com a expressada pelo ex-prefeito de Vitória João Coser à coluna, na última quarta-feira (20). Assim como Coser, no entanto, Helder avalia que a maior probabilidade é mesmo a de que o PT volte a lançar um candidato próprio à Presidência no 1º turno em 2022 – mesmo que fora dessa frente de esquerda, deixando essa “união de forças” só para o 2º turno.

Quanto à próxima eleição ao governo do Estado, também marcada para o ano que vem, Helder chega a citar alguns nomes, mas afirma que a decisão sobre candidatura própria no Espírito Santo dependerá diretamente da conjuntura nacional.

Confira a entrevista completa do deputado à coluna:

O PT pode ter candidatura própria ao governo do Estado em 2022?

É uma tese possível, mas isso vai depender muito das análises e dos desdobramentos do ano de 2021 em especial. Está tudo incerto no cenário político nacional. Ninguém consegue fazer um prognóstico de como este ano vai acabar. Eu acho que o governo Bolsonaro vai começar a se deteriorar e a viver dias muito mais críticos do que viveu até agora, porque se mostra um governo insensível, que não tem competência e quer se apropriar o tempo todo daquilo que os outros fizeram, já que não está conseguindo dar respostas. Essa decisão em cada Estado passará pelo debate nacional do partido. Não significa um alinhamento automático, mas é claro que, como priorizamos o projeto nacional, o Espírito Santo estará envolvido e sintonizado com esse debate nacional.

Se a conjuntura política nacional e estadual caminhar para isso e o PT decidir lançar candidatura própria ao governo do Estado, o senhor pode ser esse candidato?

Isso não está em debate. Estou no segundo mandato de deputado federal. Naturalmente, sou candidato à reeleição. Mas estamos abertos para fazer um aprofundamento do cenário. Temos muitos nomes além do meu, como os de Iriny Lopes, João Coser, Jackeline Rocha e Célia Tavares, que acabou de ser candidata a prefeita de Cariacica, só para citar alguns nomes. Mas quem vai decidir se o PT vai ter chapa própria ao governo é o conjunto dos filiados e dos principais dirigentes do partido.

O PT com certeza terá candidato próprio à Presidência?

É muito provável. Mas certeza ninguém tem, porque o PT também passa por um processo interno de debate. Não só o PT, como o PDT, o PSB, o PCdoB, a Rede, o PSOL… todos os partidos que hoje fazem oposição formal ao governo federal discutem a possibilidade de uma aliança nesse campo para lançar uma candidatura em 2022.

Discute-se muito a possível formação dessa frente de esquerda, com uma inédita união de forças inédita para, precipuamente, derrotar o bolsonarismo em 2022. A grande questão é se o PT entra ou não nesse chapão. O senhor crê que isso é possível ou é mais provável que o PT construa um palanque próprio novamente à Presidência?

É mais provável que o PT tenha uma candidatura própria. Mas, como eu disse, esse debate não está encerrado. Vai depender muito dos desdobramentos do ano de 2021. Como vai chegar o bolsonarismo no final de 2021? O ideal é que a gente tenha uma candidatura do campo da oposição, do campo da esquerda e dos setores populares e democráticos. E aí estou falando de uma candidatura no 1º turno, com setores do centro para a esquerda e da oposição. Acho que, se a gente conseguir avançar para ter uma candidatura única desses partidos e blocos políticos para representar a oposição nas eleições nacionais no ano que vem, será muito importante. Se isso não for possível, nós temos que desde já ensaiar uma possível aliança no segundo turno. Nossa tarefa principal em 2022 será formar uma grande aliança para derrotar o bolsonarismo. Por quê? Porque o bolsonarismo é uma ameaça à nossa democracia, é uma ameaça aos direitos do povo brasileiro, é uma ameaça à soberania nacional e é uma ameaça aos empreendedores, já que é um governo que se mostrou incapaz de fazer minimamente o dever de casa para criar um ambiente econômico no país.

Então essa aliança de centro-esquerda poderá se dar na forma de uma candidatura única já no 1º turno ou com duas ou mais candidaturas com pré-compromisso de aliança no 2º turno?

Eu acho que nós temos que fazer esse esforço. Como eu disse, o nosso objetivo central é trabalhar para derrotar o bolsonarismo, que é um movimento político que tem o Bolsonaro como expoente maior, que chegou aonde chegou com uso de fake news, práticas criminosas, alianças com milícias, enfim, é um risco para o Brasil. É um risco para a economia, para os empreendedores e para a democracia. Estamos vendo aí a irresponsabilidade do presidente diante da gravidade da pandemia. Nesse sentido, eu não descarto a possibilidade de nós conseguirmos avançar nessa aliança de esquerda. Hoje há um debate real sobre a possibilidade de nós termos uma frente que represente esse movimento. Eu não creio que, no 1º turno, nós teremos uma aliança que envolva setores da direita. Aí não haverá acordo, na minha leitura.

Mas, nessa eventual frente de centro-esquerda em torno de um candidato único, esse candidato pode não ser do PT? O PT estaria disposto a abrir mão de um candidato próprio à Presidência para entrar nessa frente? Ou só entra nessa frente se o candidato à Presidência for do PT?

Vai depender de muitos fatores. O PT está aberto para conversar e trabalhar nessa perspectiva para derrotar o bolsonarismo, em defesa do Brasil e da democracia. Pelo amor que temos à nossa pátria, é preciso colocar um basta nesse modelo bolsonarista perigoso que temos hoje no nosso país. Então é preciso que a gente entenda que o cenário de hoje não é o mesmo das últimas eleições. Se em 2022 nós teremos esses contornos novos nas eleições, nós não podemos agir como agimos no passado. Então, o PT, o PSB, o PDT, o PCdoB, o PSOL, enfim, todos esses partidos têm que fazer esse esforço para buscar uma alternativa que una essas forças políticas no 1º turno. Acho que não é impossível. Não é. O PT tem excelentes nomes. Mas precisamos considerar que outros partidos também têm seus nomes. São legítimos. E, se de tudo a gente não conseguir uma convergência no 1º turno, eu creio que é fundamental que haja um compromisso para que, aí sim, chegando uma candidatura desse campo no 2º turno, a gente possa somar forças para evitar a continuidade desse processo político autoritário que está em curso no Brasil hoje.

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