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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Haroldo Rocha troca a Escola Viva por um governo torto

O posto de secretário-executivo tem sua relevância, mas será que não perde o brilho no momento atual?

Publicado em 07/06/2018 às 22h13
 . Crédito: Amarildo
. Crédito: Amarildo

Letícia Gonçalves (Interina)

O cambaleante governo Michel Temer, atolado em denúncias, inquéritos e baixa popularidade, caminha para os estertores, numa contagem regressiva para o fim melancólico. E justamente agora Haroldo Corrêa Rocha decidiu deixar a Secretaria de Estado da Educação e integrar a equipe do emedebista como uma espécie de “vice-ministro da Educação”, como definiu o governador Paulo Hartung. O cargo, oficialmente, é o de secretário-executivo do ministério, o número dois da pasta, atualmente chefiada por Rossieli Soares. Este, por sua vez, assumiu o cargo em abril, após a saída de Mendonça Filho, que se desincompatibilizou do cargo para disputar as eleições.

O posto de secretário-executivo tem sua relevância, mas será que não perde o brilho no momento atual? Por que Haroldo deixaria o governo do Estado, que se vangloria de ser um dos melhores do país – e no qual ele coordena uma das principais vitrines, o Escola Viva –, para a nova empreitada? O próprio Haroldo responde: “Eu não teria nenhum motivo para deixar a secretaria. Foi a decisão mais difícil da minha vida”. “Eu vou contribuir para o meu país. O governo municipal é grande, o estadual também e o federal, mais ainda. A área da Educação não está cultivando crise”, complementa.

“E seis meses (o período que ficará no governo federal) não são só seis meses. O próximo governo vai executar o planejamento feito no ano anterior. Vamos deixar um conjunto de ações viáveis para serem executadas”, pontua.

A ida de Haroldo para Brasília também reforça algo que Hartung destaca com frequência e que repetiu nesta quinta-feira (7), na coletiva de imprensa em que a mudança na Secretaria de Educação foi anunciada: integrantes do governo estadual têm sido chamados para cargos importantes no cenário nacional. A ex-secretária da Fazenda Ana Paula Vescovi, por exemplo, comandou o Tesouro Nacional e hoje é secretária-executiva do Ministério da Fazenda. Ana Paula deixou o Espírito Santo, no entanto, em momento diverso, ainda em junho de 2016, para integrar o único núcleo de notáveis que Temer emplacou, na área econômica.

Há, até entre os integrantes de menor escalão do governo, quem faça uma leitura menos “propagandística” da saída de Haroldo, lembrando que houve atritos entre ele e os professores, notadamente os do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), e também com o Legislativo. Assim, a mudança para Brasília deixaria um flanco a menos a ser atacado durante a campanha eleitoral numa eventual candidatura de Hartung à reeleição.

Na cozinha do Palácio Anchieta, no entanto, a tese é rechaçada. “Atrito? Haroldo?”, surpreende-se um escudeiro do governador, ao destacar que tais palavras não combinam. A passagem pelo cargo, ainda que na gestão Temer, também pode, no futuro, agregar ao currículo do ex-secretário estadual. Os seis meses podem deixar uma marca.

Licença

O novo secretário de Educação, Aridelmo Teixeira, pediu licença da ONG Espírito Santo em Ação, que reúne empresários do Estado, para atuar no governo. Ele era diretor-presidente da entidade.

Sem vida fácil

Aridelmo, que foi professor da Ufes por 17 anos, pode não ter vida fácil, no que depender do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes). Diretor do sindicato, Paulo Loureiro diz temer “um modelo privatista” a ser implantado na Educação estadual.

Capitalista, eu?

Na coletiva de imprensa em que a mudança na pasta foi anunciada, nesta quinta-feira (7), o novo secretário destacou: “Tenho uma instituição de ensino (a Fucape) construída por professores. Não tem nenhum capitalista lá”.

Mudança na PF

Nos corredores da sede da Polícia Federal no Estado fala-se na saída do delegado Ildo Gasparetto do comando da superintendência. Ele deverá assumir alguma função em Brasília. Há quem aposte que o substituto será Jairo Souza da Silva, que já foi superintendente no Rio de Janeiro. Gasparetto, por sua vez, não confirma nem desmente a informação.

Território inimigo

O governador Paulo Hartung participa nesta sexta-feira (8) de uma agenda em Santa Maria de Jetibá, terra do deputado oposicionista Sergio Majeski. É de praxe que o Palácio convide deputados para participar de solenidades públicas. Será? Provavelmente, não.

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