Gilson Daniel: "Devo ir para o governo Casagrande, sim"
Mudanças à vista
Gilson Daniel: "Devo ir para o governo Casagrande, sim"
Ex-prefeito de Viana tem alta probabilidade de se tornar secretário de Desenvolvimento. PDT deve ser fortalecido, Max é cogitado e alguns secretários cairão
“Devo ir para o governo Casagrande, sim”, confirma o ex-prefeito de Viana Gilson Daniel (Podemos). Tendo acabado de encerrar seus dois mandatos à frente do Executivo municipal (2013/2020), o ex-prefeito já tem até uma secretaria praticamente esperando por ele no 1º escalão do governo: a de Desenvolvimento (Sedes). É alta a probabilidade de Gilson assumir o comando da pasta, responsável pela interlocução com os empresários, projetos, investimentos e parcerias com o setor produtivo que ajudem a fomentar o crescimento da economia estadual.
No momento, a nomeação de Gilson Daniel é a única 100% garantida, provavelmente na Sedes. Além de ser um grande aliado de Casagrande desde quando o governador estava sem mandato – durante o último governo Paulo Hartung (2015/2018) –, Gilson é o presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) até março deste ano e, ainda, presidente estadual do Podemos, partido que compõe a base de Casagrande, mas que hoje não tem lugar no secretariado.
Como prefeito, Gilson fez um trabalho bem avaliado à frente de Viana, tanto que, na cidade, conseguiu eleger com folga o seu sucessor, Wanderson Bueno (Podemos), que era seu secretário de Governo e foi ungido por ele. Não só isso: o então prefeito de Viana também foi o fiador da candidatura e principal apoiador de Arnaldinho Borgo (também do Podemos) em Vila Velha e, de quebra, ajudou Euclério Sampaio (DEM) a se eleger na vizinha Cariacica.
Assim, seu sucesso eleitoral no último pleito transcendeu as divisas de Viana, o que leva à quase unânime conclusão de que Gilson Daniel foi, em todo o Espírito Santo, o líder político que mais adquiriu musculatura política nas urnas em 2020, mesmo sem ter sido candidato.
Desse modo, o governo Casagrande não quer desperdiçar o potencial de Gilson, provável candidato a deputado federal em 2022, mas sem mandato pelo menos até o início do ano seguinte. Hoje, ele é um quadro “solto”, dando sopa no mercado político.
Escalando o ex-prefeito para uma pasta destacada no governo, Casagrande não só o traz para junto de si (incorporando-o a seu projeto) como evita que ele seja absorvido por outro movimento político que pode desaguar nas eleições de 2022 (não custa lembrar que o Republicanos cresceu bastante e foi, ao lado do próprio Gilson, o maior vencedor da última eleição no Espírito Santo).
Por fim, segundo aliados de Casagrande, o governo está mesmo querendo dar maior visibilidade à Secretaria de Desenvolvimento, “politizando” mais a pasta e ampliando a repercussão de investimentos do governo na economia neste recém-inaugurado 2º tempo do mandato, de modo a aumentar a sensação de que o governo está fazendo e “entregando”. Também é uma questão de imagem (sempre tendo como horizonte as eleições estaduais de 2022).
O atual chefe da Sedes, Marcos Kneip Navarro, é muito técnico e sem expressividade política. Assumiu a secretaria em agosto de 2019, vindo da Secretaria de Desenvolvimento de Anchieta, em substituição a Heber Viana de Resende, que foi então para o cargo de presidente da estatal ES Gás.
Navarro deve ser “reaproveitado” na equipe de governo (talvez na própria Sedes), em algum cargo de menor escalão.
A DÚVIDA EM TORNO DE MAX FILHO
Quanto ao ex-prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), o governador pretende conversar com ele assim que ele retornar dos 15 dias de férias que também está tirando. A conversa também pode passar por participação no governo. O tema divide opiniões entre aliados de Casagrande.
Há quem acredite que não faz sentido dar a Max esse espaço no governo para que ele se mantenha em evidência (como uma “boia de salvação política”) nesse tempo de um ano e quatro meses que nos separa do próximo pleito, por considerar que Max saiu por demais enfraquecido do último pleito, derrotado que foi por Arnaldinho com apenas 30% dos votos válidos.
Por outro lado, o PSB apoiou formalmente a reeleição de Max em Vila Velha e se manteve firme com ele até o fim do 2º turno. Além disso, pode influir em possível convite ao ex-prefeito a excelente relação política cultivada há muito tempo entre Casagrande e Max.
Já o PDT pode ver aumentar seu espaço no governo. Hoje, além de outros espaços menores espalhados pelo governo, o partido controla totalmente a Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport), cujo secretário é Júnior Abreu (PDT), indicado pessoalmente por Sérgio Vidigal (PDT).
Conforme nomeação publicada nesta quinta-feira mesmo (7) no Diário Oficial do Estado, o novo subsecretário de Estado para Assuntos Administrativos da Sesport é Weverson Meireles, secretário-geral do PDT no Estado (braço direito do prefeito da Serra e nº 2 da sigla no Espírito Santo). É o mesmo cargo que chegou a ser ocupado por um dia, em dezembro, por um dos filhos de Vidigal.
Ocorre que a Sesport está com o orçamento muito enxuto e, devido à pandemia, suas entregas e ações estão muito limitadas. No lugar dos campos “Bom de Bola” do primeiro governo Casagrande, temos por ora o “é melhor não jogar bola”.
Vidigal não só conseguiu retornar à Prefeitura da Serra, com o apoio velado do Palácio Anchieta, como já fez juras de amizade eterna e apoio incondicional à reeleição de Casagrande em 2022. Assim, na cúpula palaciana, há quem entenda que é preciso conceder ao PDT um espaço maior e mais condizente com a importância de Vidigal e do partido no projeto de poder. Na prática, isso pode significar robustecer a Sesport ou transferir o PDT para outra secretaria com maior projeção.
SEGUROS NO CARGO
Pensando nas atividades-fim, o governador não mexerá de jeito nenhum nos secretários de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB), e de Educação, Vitor de Angelo. O de Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente (PP), também tende a continuar onde está.
Quem está na corda bamba é o secretário estadual de Turismo. Dorval de Assis Uliana dificilmente permanecerá no cargo.
Mais à frente, assim como fará com Max, o governador também pretende marcar um bate-papo com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede). Diplomacia em ação. Potencial candidato ao governo contra Casagrande em 2022, Audifax muito dificilmente será convidado a compor a equipe de governo.
BARRIGUEIRA COM CHANCES GORDAS
Após encerrar seus oito anos de administração em Nova Venécia, o ex-prefeito Barrigueira Lubiana (PSB) é fortemente cotado para assumir algum espaço no governo. O partido de Casagrande quer prestigiar a prata da casa. Barrigueira não conseguiu fazer seu sucessor, Edson Marquiori (PSB), mas o entendimento entre colegas é que ele fez um ótimo trabalho como prefeito da cidade do Noroeste.
PRAZO CURTO DE VALIDADE
Secretários que quiserem concorrer a algum mandato em 2022 (deputado ou qualquer outro) terão que se desligar do cargo em abril do mesmo ano. Sendo assim, Gilson Daniel e outros na mesma condição terão pela frente pouco mais de um ano no cargo para mostrar serviço.
O PAPO DE ERICK COM CASAGRANDE
Erick Musso foi a Casagrande nesta quinta-feira (7), e os dois conversaram pessoalmente sobre a eleição da Mesa Diretora. O atual presidente da Assembleia jurou lealdade ao rei, dando-lhe garantias de governabilidade e estabilidade política total na segunda metade do governo.
Em versão anterior deste texto, constava, equivocamente, que Barrigueira Lubiana (PSB) é ex-prefeito de Venda Nova do Imigrante. O correto é que ele é ex-prefeito de Nova Venécia. Também informava, incorretamente, que o nome do secretário estadual de Esportes e Lazer (Sesport) é Júnior Fialho. Na verdade, o secretário da pasta é Júnior Abreu. As informações foram corrigidas.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.