“Devo ir para o governo Casagrande, sim”, confirma o ex-prefeito de Viana Gilson Daniel (Podemos). Tendo acabado de encerrar seus dois mandatos à frente do Executivo municipal (2013/2020), o ex-prefeito já tem até uma secretaria praticamente esperando por ele no 1º escalão do governo: a de Desenvolvimento (Sedes). É alta a probabilidade de Gilson assumir o comando da pasta, responsável pela interlocução com os empresários, projetos, investimentos e parcerias com o setor produtivo que ajudem a fomentar o crescimento da economia estadual.
No momento, o ex-prefeito está de férias. Mas Casagrande só deve começar a mexer no secretariado a partir de fevereiro, após a eleição da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, até porque algumas mudanças cogitadas dependem diretamente dos resultados dessa disputa interna na Casa. Por exemplo, se Marcelo Santos (Podemos) não se tornar presidente, pode também vir a ser convidado para algum posto no 1º escalão do governo. Já se o atual presidente, Erick Musso (Republicanos), não conseguir a reeleição, é ele quem poderá ser convidado por Casagrande para integrar sua equipe.
No momento, a nomeação de Gilson Daniel é a única 100% garantida, provavelmente na Sedes. Além de ser um grande aliado de Casagrande desde quando o governador estava sem mandato – durante o último governo Paulo Hartung (2015/2018) –, Gilson é o presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) até março deste ano e, ainda, presidente estadual do Podemos, partido que compõe a base de Casagrande, mas que hoje não tem lugar no secretariado.
Como prefeito, Gilson fez um trabalho bem avaliado à frente de Viana, tanto que, na cidade, conseguiu eleger com folga o seu sucessor, Wanderson Bueno (Podemos), que era seu secretário de Governo e foi ungido por ele. Não só isso: o então prefeito de Viana também foi o fiador da candidatura e principal apoiador de Arnaldinho Borgo (também do Podemos) em Vila Velha e, de quebra, ajudou Euclério Sampaio (DEM) a se eleger na vizinha Cariacica.
Assim, seu sucesso eleitoral no último pleito transcendeu as divisas de Viana, o que leva à quase unânime conclusão de que Gilson Daniel foi, em todo o Espírito Santo, o líder político que mais adquiriu musculatura política nas urnas em 2020, mesmo sem ter sido candidato.
Desse modo, o governo Casagrande não quer desperdiçar o potencial de Gilson, provável candidato a deputado federal em 2022, mas sem mandato pelo menos até o início do ano seguinte. Hoje, ele é um quadro “solto”, dando sopa no mercado político.
Escalando o ex-prefeito para uma pasta destacada no governo, Casagrande não só o traz para junto de si (incorporando-o a seu projeto) como evita que ele seja absorvido por outro movimento político que pode desaguar nas eleições de 2022 (não custa lembrar que o Republicanos cresceu bastante e foi, ao lado do próprio Gilson, o maior vencedor da última eleição no Espírito Santo).
Por fim, segundo aliados de Casagrande, o governo está mesmo querendo dar maior visibilidade à Secretaria de Desenvolvimento, “politizando” mais a pasta e ampliando a repercussão de investimentos do governo na economia neste recém-inaugurado 2º tempo do mandato, de modo a aumentar a sensação de que o governo está fazendo e “entregando”. Também é uma questão de imagem (sempre tendo como horizonte as eleições estaduais de 2022).
O atual chefe da Sedes, Marcos Kneip Navarro, é muito técnico e sem expressividade política. Assumiu a secretaria em agosto de 2019, vindo da Secretaria de Desenvolvimento de Anchieta, em substituição a Heber Viana de Resende, que foi então para o cargo de presidente da estatal ES Gás.
Navarro deve ser “reaproveitado” na equipe de governo (talvez na própria Sedes), em algum cargo de menor escalão.
A DÚVIDA EM TORNO DE MAX FILHO
Quanto ao ex-prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), o governador pretende conversar com ele assim que ele retornar dos 15 dias de férias que também está tirando. A conversa também pode passar por participação no governo. O tema divide opiniões entre aliados de Casagrande.
Há quem acredite que não faz sentido dar a Max esse espaço no governo para que ele se mantenha em evidência (como uma “boia de salvação política”) nesse tempo de um ano e quatro meses que nos separa do próximo pleito, por considerar que Max saiu por demais enfraquecido do último pleito, derrotado que foi por Arnaldinho com apenas 30% dos votos válidos.
Por outro lado, o PSB apoiou formalmente a reeleição de Max em Vila Velha e se manteve firme com ele até o fim do 2º turno. Além disso, pode influir em possível convite ao ex-prefeito a excelente relação política cultivada há muito tempo entre Casagrande e Max.
O ESPAÇO DO PDT (VIDIGAL)
Já o PDT pode ver aumentar seu espaço no governo. Hoje, além de outros espaços menores espalhados pelo governo, o partido controla totalmente a Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport), cujo secretário é Júnior Abreu (PDT), indicado pessoalmente por Sérgio Vidigal (PDT).
Conforme nomeação publicada nesta quinta-feira mesmo (7) no Diário Oficial do Estado, o novo subsecretário de Estado para Assuntos Administrativos da Sesport é Weverson Meireles, secretário-geral do PDT no Estado (braço direito do prefeito da Serra e nº 2 da sigla no Espírito Santo). É o mesmo cargo que chegou a ser ocupado por um dia, em dezembro, por um dos filhos de Vidigal.
Ocorre que a Sesport está com o orçamento muito enxuto e, devido à pandemia, suas entregas e ações estão muito limitadas. No lugar dos campos “Bom de Bola” do primeiro governo Casagrande, temos por ora o “é melhor não jogar bola”.
Vidigal não só conseguiu retornar à Prefeitura da Serra, com o apoio velado do Palácio Anchieta, como já fez juras de amizade eterna e apoio incondicional à reeleição de Casagrande em 2022. Assim, na cúpula palaciana, há quem entenda que é preciso conceder ao PDT um espaço maior e mais condizente com a importância de Vidigal e do partido no projeto de poder. Na prática, isso pode significar robustecer a Sesport ou transferir o PDT para outra secretaria com maior projeção.
SEGUROS NO CARGO
Pensando nas atividades-fim, o governador não mexerá de jeito nenhum nos secretários de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB), e de Educação, Vitor de Angelo. O de Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente (PP), também tende a continuar onde está.
Quem está na corda bamba é o secretário estadual de Turismo. Dorval de Assis Uliana dificilmente permanecerá no cargo.
CONVERSA COM AUDIFAX
Mais à frente, assim como fará com Max, o governador também pretende marcar um bate-papo com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede). Diplomacia em ação. Potencial candidato ao governo contra Casagrande em 2022, Audifax muito dificilmente será convidado a compor a equipe de governo.
BARRIGUEIRA COM CHANCES GORDAS
Após encerrar seus oito anos de administração em Nova Venécia, o ex-prefeito Barrigueira Lubiana (PSB) é fortemente cotado para assumir algum espaço no governo. O partido de Casagrande quer prestigiar a prata da casa. Barrigueira não conseguiu fazer seu sucessor, Edson Marquiori (PSB), mas o entendimento entre colegas é que ele fez um ótimo trabalho como prefeito da cidade do Noroeste.
PRAZO CURTO DE VALIDADE
Secretários que quiserem concorrer a algum mandato em 2022 (deputado ou qualquer outro) terão que se desligar do cargo em abril do mesmo ano. Sendo assim, Gilson Daniel e outros na mesma condição terão pela frente pouco mais de um ano no cargo para mostrar serviço.
O PAPO DE ERICK COM CASAGRANDE
Erick Musso foi a Casagrande nesta quinta-feira (7), e os dois conversaram pessoalmente sobre a eleição da Mesa Diretora. O atual presidente da Assembleia jurou lealdade ao rei, dando-lhe garantias de governabilidade e estabilidade política total na segunda metade do governo.
Correção
08/01/2021 - 12:37
Em versão anterior deste texto, constava, equivocamente, que Barrigueira Lubiana (PSB) é ex-prefeito de Venda Nova do Imigrante. O correto é que ele é ex-prefeito de Nova Venécia. Também informava, incorretamente, que o nome do secretário estadual de Esportes e Lazer (Sesport) é Júnior Fialho. Na verdade, o secretário da pasta é Júnior Abreu. As informações foram corrigidas.