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Eleições 2020

Divisão de adversários em Guarapari favorece reeleição de Magalhães

Unidos em 2016, o deputado Carlos Von e o ex-vereador Gedson Merízio são hoje como água e óleo. Cada um terá o próprio palanque, enquanto o atual prefeito, candidato à reeleição, lucra eleitoralmente com a briga entre os dois

Publicado em 01 de Setembro de 2020 às 14:48

Públicado em 

01 set 2020 às 14:48
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Gedson Merízio e Carlos Von brigam entre si, enquanto Edson Magalhães se deleita
Gedson Merízio e Carlos Von brigam entre si, enquanto Edson Magalhães se deleita Crédito: Amarildo
Em Guarapari, há uma análise corrente entre observadores da cena política local: uma aliança eleitoral entre o deputado estadual Carlos Von (Avante) e o ex-vereador Gedson Merízio (PSB) poderia colocar Edson Magalhães (PSDB), atual prefeito, em sérias dificuldades para se reeleger. Mas… não vai rolar.
Após terem unido forças na eleição municipal passada, em 2016, Von e Merízio romperam. Hoje estão irreconciliáveis e “não misturáveis”, como água e óleo. Assim, cada um deles enfrentará Magalhães numa raia própria, nessa nova corrida rumo à Prefeitura de Guarapari. Melhor para o atual prefeito, que agradece e “dá risada”, enquanto lucra eleitoralmente com a briga entre seus dois adversários políticos mais conhecidos na cidade.
Com um grande toque de ironia, esse rompimento de Merízio com Von remonta exatamente ao momento em que eles decidiram se unir. Na eleição de 2016, os dois foram protagonistas de uma história até hoje mal resolvida. Após lançar-se à prefeitura, Merízio, então vereador, retirou a candidatura no cartório eleitoral, no último dia do prazo para registro das chapas.
A versão oficial é a de que houve um “problema documental”, “cartorial” (ele de fato teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral). A verdadeira é que Merízio retirou-se a partir de um acordo politico, para apoiar Carlos Von (então no PSDB) contra Edson Magalhães (então no PSD). Naquele ano, Merízio acabou não sendo candidato a nada, nem mesmo à reeleição na Câmara. E viu Magalhães se eleger, derrotando Von.
Nenhum dos dois lados envolvidos externa detalhes sobre o que exatamente ficou acertado entre os dois, tampouco sobre o que teria sido prometido por Von a Merízio. Mas o lado desse último considera não ter sido respeitado no pacto com Von. E o fato é que o acordo entre os dois não foi além daquela eleição local, vencida por Magalhães.

MERÍZIO CISCA PARA DENTRO DO GOVERNO...

Em 2018, sempre pelo PSB, Merízio concorreu a uma vaga de deputado estadual. Não só foi malsucedido como ainda teve que assistir à eleição de Von, agora rival, para o mesmo cargo, como representante único de Guarapari na Assembleia. Mas nem tudo foram más notícias: o ex-vereador ajudou o líder máximo de seu partido no Estado, Renato Casagrande (PSB), a retornar para o Palácio Anchieta.
Assim, logo no início do governo Casagrande, Merízio tornou-se subsecretário estadual de Turismo, posto escolhido sob medida para ele manter-se conectado com a cidade, a partir de sua maior vocação econômica. Estreitou também, assim, seus laços políticos com o atual governo Casagrande. E hoje apresenta-se ao eleitorado como “o único candidato do governo em Guarapari”.

...VON CISCA PARA FORA

Enquanto isso, na relação com o governo Casagrande, Von tomou exatamente o caminho contrário. Dilatado ao longo da legislatura na Assembleia, seu distanciamento começou já na campanha para deputado em 2018. Seu partido, o Avante, fez parte da coligação encabeçada por Casagrande. Mas Von não fez campanha para ele, mantendo-se mais próximo do então deputado federal Carlos Manato, adversário do socialista naquele pleito, pelo PSL.
Na Assembleia, apoiando a reeleição de Erick Musso, tornou-se presidente da Comissão de Turismo (pelos mesmos motivos de Merízio). Assim que tomou pé na Casa, começou a votar contra o governo Casagrande em algumas matérias importantes. Na primeira delas em fevereiro de 2019, foi um dos pouquíssimos deputados a votar contra a indicação do ex-presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES) – um nome escolhido a dedo pelo governador.
Dali em diante, juntou-se a um bloco de deputados não pertencentes à base de Casagrande. Assim como o referido bloco, Von até hoje se declara um “deputado independente”, mas por vezes flerta com a oposição. Embora não seja o mais ruidoso integrante do grupo, participou de ações casadas com deputados como Capitão Assumção (Patriota) e Vandinho Leite (PSDB), como a “visita técnica” de seis parlamentares, tratada pelo governo como “invasão”, ao hospital Dório Silva, no dia 12 de junho.

NENHUM DOS DOIS QUER O OUTRO

Os próprios Merízio e Von refutam categoricamente qualquer chance de caminharem juntos na atual eleição em Guarapari:
“Acho difícil porque, pela minha posição de independência na Assembleia, acabei me afastando um pouco do PSB. E eles me atacam muito aqui em Guarapari. Montaram aqui uma milícia digital que fica 24 horas por dia me atacando. Na Assembleia, a maioria dos projetos eu votei a favor do governador, mas votei contra aqueles que entendi que não eram bons para a população, como foi o caso da indicação de Ciciliotti para o Tribunal de Contas do Estado”, afirma Carlos Von.

SITUAÇÃO INUSITADA NO AVANTE

A posição do deputado em relação ao governo Casagrande gera uma situação um tanto quanto insólita, visto que seu partido não só apoiou a eleição do socialista em 2018 como seus dirigentes estaduais, os irmãos Merlo, ocupam cargos comissionados no governo estadual.
Dejalma Merlo, o presidente estadual do Avante, foi nomeado em janeiro de 2019 como assessor especial na Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, cargo transferido para a Secretaria da Casa Civil em junho deste ano. Já Tenório Merlo, secretário-geral da sigla no Espírito Santo, foi nomeado no primeiro dia de governo para o cargo de assessor especial da Casa Civil e lá segue até hoje. “O Avante tem alguns cargos lá. Tanto o Dejalma como o Tenório estão empregados no governo”, sublinha Von.
O deputado relata que, talvez precisamente em virtude da relação do Avante com o governo, enfrentou dificuldades dentro do próprio partido para viabilizar sua pré-candidatura a prefeito. Conta que, há cerca de um mês, assumiu pessoalmente a presidência do Avante em Guarapari, substituindo o dirigente Max Júnior, que, de acordo com ele, não queria sua candidatura. “Fizeram um movimento para me tirar da disputa, com adversários meus de outros partidos, então tive que assumir a presidência do Avante em Guarapari, para pegar esse boi pelo chifre.”

MERÍZIO: “VON É OPOSIÇÃO”

Enquanto isso, Gedson Merízio também rechaça qualquer hipótese de reedição da aliança com Von, a quem vê como adversário do governo Casagrande, em contraposição a ele mesmo nessa disputa local: “Hoje o Von se coloca, pelas votações e pelo discurso, como um candidato de oposição ao governo, apesar de o partido dele ser da base. Ele se distanciou do próprio partido e se tornou opositor do governo Casagrande”.

MARIA HELENA TAMBÉM ESTAVA NO GOVERNO

Também apontada como pré-candidata à Prefeitura de Guarapari, a ex-secretária municipal de Saúde e de Assistência Social Maria Helena Netto filiou-se ao Progressistas (PP) em dezembro do ano passado, após passagem pelo Cidadania. De abril de 2019 até julho deste ano, ela também ocupava cargo comissionado no governo Casagrande. Era assessora especial na Secretaria de Estado da Saúde e se desligou do cargo para ficar apta a disputar a eleição municipal.
Como o PP também integra a base política de Casagrande, Merízio conserva a esperança de que o partido (com a própria Maria Helena) adense a sua coligação.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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