ASSINE
Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Dary Pagung: quem é o novo homem forte de Casagrande na Assembleia

Saiba por que um deputado pacato e discretíssimo de Baixo Guandu se tornou, ao mesmo tempo, líder do governo, líder de bloco partidário e 1° secretário da Mesa Diretora

Publicado em 16/02/2021 às 02h02
Atualizado em 18/02/2021 às 22h21
Dary Pagung virou o homem forte de Casagrande na Assembleia
Dary Pagung virou o homem forte de Casagrande na Assembleia. Crédito: Amarildo

O deputado estadual Dary Pagung (PSB) é um cara “simplesão”. Prova material disso é que, em sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa, em 2010, incluiu em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral o seu automóvel à época, utilizado por ele na campanha: um Fusca azul, ano 1977, estimado em R$ 2,8 mil (naquele ano). A campanha deu certo, o deputado reelegeu-se em 2014, novamente em 2018, e hoje é possível afirmar: no contexto da Assembleia, Dary está turbinado politicamente, e seu Fusquinha no momento está mais para o Herbie, o herói da franquia da Disney “Se Meu Fusca Falasse”, que tinha vida própria e era uma espécie de automóvel com superpoderes.

Contrastando com o seu perfil pacato e discretíssimo, Dary é o mais novo “super-poderoso” da Assembleia. No último dia 1º, após chegar a ser cotado como candidato do governo Casagrande à presidência, virou o 1º secretário da nova Mesa Diretora – o segundo na hierarquia da Casa, que continua presidida pelo deputado Erick Musso (Republicanos).

Ato contínuo, tornou-se o líder do bloco de partidos formado no mesmo dia e, como tal, foi o homem que distribuiu os colegas pelas vagas de todas as comissões permanentes. De quebra, permanece na condição de líder do governo no plenário, cargo que agora acumula com os outros postos de destaque.

É inegável que, nos últimos 15 dias, Dary adquiriu protagonismo e visibilidade sem par e atingiu o patamar político mais alto de sua carreira… O que intriga é que tal protagonismo não combina nem um pouco com a sua própria postura, nem com a visão que muitos pares mantêm sobre ele.

Aos 51 anos, o deputado de Baixo Guandu está longe de ser um líder natural ou um deputado expressivo em plenário. Em mais de uma década na Assembleia, usou pouquíssimo a tribuna e participou menos ainda dos debates sobre os projetos mais relevantes nas sessões plenárias (ou de qualquer debate). Por isso, o que buscamos responder aqui hoje é o que levou Dary, logo ele, a ser escolhido por Casagrande como o “homem forte” do governo na Assembleia neste momento.

Para isso, ouvimos alguns colegas de Dary (a maioria, sob condição de anonimato), a fim de traçar um miniperfil do deputado de fala mansa e simples falar; trato educado e tranquilíssimo com os pares; dono de uma calma inabalável, quase zen; cordial, mas ligeiramente bronco, sem nenhum refinamento ou traço de erudição.

Fontes ouvidas pela coluna apontaram qualidades e defeitos do líder do governador na Casa. De maneira muito interessante, tanto estes como aquelas parecem ter convergido para o mesmo resultado, isto é, “os defeitos de Dary” na verdade também o ajudaram a chegar às posições que ele hoje ocupa, por mais que isso pareça um paradoxo. O que a priori poderia ser tomado como ponto fraco ou debilidade também se reverteu a favor dele.

Começando pelas qualidades, uma unanimidade ouvida pela coluna é a sua serenidade. Uma fonte o define como “incapaz de brigar com alguém”. Mesmo deputados mais antigos nunca o viram se exaltar com quem quer que seja.

Outro ponto unânime, manifestado até por um deputado da oposição a Casagrande, é que o líder do governo sabe ouvir e é bom de diálogo. Essa virtude, somada a outra característica – sua já citada cordialidade –, leva Dary a cultivar excelente trânsito com todas as alas do plenário, inclusive com oposicionistas. No exercício da liderança, é um perfil muito diferente, por exemplo, daquele dos seus dois antecessores na função no atual governo Casagrande, Eustáquio de Freitas (PSB) e Enivaldo dos Anjos (PSD), ambos muito mais dados ao enfrentamento.

O próprio Freitas destaca o equilíbrio como traço marcante do seu sucessor na liderança: “Dary é uma pessoa equilibrada, que espera o desfecho das coisas. Não é ríspido. Não é um cara que age sem pensar”.

O ex-líder do governo cita outra característica fundamental para explicar essa ascensão de Dary no “conceito” do Palácio Anchieta: a lealdade que construiu em relação ao governo Casagrande. Em suas três eleições para deputado, Dary foi candidato pelo nanico PRP. No governo passado, foi um fiel aliado de Paulo Hartung, tanto que chegou à presidência da poderosa Comissão de Finanças e chegou a ser cogitado para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES).

Em 2019, o PRP foi absorvido pelo Patriota, e Dary então filiou-se ao PSB de Renato Casagrande. Desde então, aproximou-se bastante do governo. Em abril do ano passado, virou líder interino e acabou sendo efetivado na função. Considerado o deputado mais leal ao governo Casagrande, Freitas exalta a lealdade desenvolvida pelo correligionário:

“Só cresce quem tem credibilidade, e ele tem credibilidade. Tem verdade nas relações e lealdade. Quando você assume protagonismo, você precisa ter cada vez mais lealdade ao projeto em que está inserido. No governo passado, ele foi leal e alcançou a credibilidade do governador Paulo Hartung. Quando Renato voltou a ser governador, ele aos poucos passou a ser governo. E, dentro desse novo ambiente, mostrou-se muito leal.”

Isso em parte também explica, por exemplo, por que Dary chegou efetivamente a ser considerado por Casagrande como possível sucessor de Erick (ideia que acabou arquivada). “Ele foi sondado inclusive, pelo próprio governador, para ser presidente da Assembleia”, afirma Freitas. “Dary era a bola da vez naquele momento em que Renato entendia que o presidente deveria ser alguém com a digital dele. Eu me coloquei, mas Dary estava na frente. Isso até o governador identificar que o Republicanos [partido de Erick] é importante nesse projeto de construção de uma frente progressista que está se consolidando para o governo e para a reeleição do Renato.”

Ao mesmo tempo, pontos não tão abonadores citados por fontes da coluna como parte do perfil de Dary também contribuíram bastante para que ele fosse elevado às posições de relevo que atualmente acumula. É o que veremos em nossa próxima coluna, nesta quarta-feira (17).

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.