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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Curtas Políticas: Hércules diz que “Max é bom rapaz, mas não bom prefeito”

E mais: as divergências entre deputados médicos e autoridades médicas sobre uso precoce da cloroquina para a Covid-19; os desencontros entre os deputados do Patriota, Rafael Favatto e Capitão Assumção

Publicado em 13/07/2020 às 13h40
Atualizado em 13/07/2020 às 15h14
Hércules Silveira e Max Filho
Hércules Silveira e Max Filho. Crédito: Montagem de Vitor Vogas

Trabalhando para viabilizar a sua candidatura a prefeito de Vila Velha, o deputado estadual Hércules Silveira mantém conversas com muitos outros pré-candidatos na cidade, inclusive com Neucimar Fraga (PSD). Segundo Hércules, desse diálogo com o ex-prefeito pode até surgir uma parceria já no 1º turno. O deputado indica que não voltará a apoiar o atual prefeito, Max Filho (PSDB), como fez em 2016, até porque tem elevado o tom das críticas a Max:

“Eu me decepcionei muito com ele. A cidade está parada. Max é um bom rapaz. Mas ser um bom rapaz não quer dizer que seja um bom prefeito”, disse Hércules à coluna.

O SILÊNCIO DE HÉRCULES

Tem chamado a atenção, em sessões da Assembleia, a postura neutra de Hércules, especializado em obstetrícia, no frequente debate sobre o uso ou não da cloroquina/hidroxicloroquina no tratamento precoce para a Covid-19. Perguntamos ao deputado se, como presidente (há muitos anos) da Comissão de Saúde, não caberia a ele um posicionamento mais assertivo. Ele respondeu:

“Não sou especialista. Não me cabe dizer nem que se deve prescrever nem que não se deve prescrever [a cloroquina]. Prefiro ouvir a ciência. As associações científicas fizeram uma nota que, salvo melhor juízo, foi um puxão de orelha para quem esteja prescrevendo medicamentos sem eficácia comprovada. Prefiro não falar com certeza sobre aquilo que não sei, mas esperar as conclusões da ciência para me posicionar.”

OMISSÃO OU RESPONSABILIDADE?

“Não é omissão e sim responsabilidade”, prossegue o deputado. “Em vez de falar de medicamento, prefiro falar em como evitar a doença. O médico pode, sim, receitar determinado remédio [fora da bula], desde que esclareça o paciente sobre os riscos. Mas eu não vou receitar isso a ninguém, porque não tenho certeza se isso realmente resolve.”

BANCADA DOS MÉDICOS DIVIDIDA

Na Assembleia, quatro deputados são médicos. Entre eles, Hudson Leal (Republicanos) se mostra um entusiasta da cloroquina, mas também é um grande partidário do isolamento social. Rafael Favatto (Patriota) se mostra favorável ao uso do medicamento. Assim como Hércules, os dois são pré-candidatos a prefeito de Vila Velha, ambos por partidos de direita. O quarto médico, Emilio Mameri (PSDB), é voz solitária nessa “bancada dos doutores” contra a prescrição em larga escala da droga.

FAVATTO X ASSUMÇÃO

Ressalve-se, no entanto, que Favatto muitas vezes tem adotado um discurso condescendente com o governo Casagrande e com o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB), chegando a justificar algumas das medidas da Sesa. Ele, que já pegou o coronavírus, não é contrário ao isolamento. Nesse aspecto, diverge do deputado Capitão Assumção, radicalmente contrário às estratégias do governo Casagrande. Chama a atenção a divergência porque Favatto é o presidente estadual do Patriota, sigla à qual Assumção se filiou em abril para ser candidato à Prefeitura de Vitória.

LEGENDA NÃO TÃO SEGURA PARA O CAPITÃO

No ano passado, Favatto chegou a se alinhar à oposição a Casagrande na Assembleia, mas parece ter sido chamado para uma conversa há pouco tempo no Palácio Anchieta. Neste ano, tem votado com o governo. Em última instância, num partido pequeno como é o Patriota, o presidente estadual tem o poder até de frear ou frustrar o lançamento de uma candidatura a prefeito, como a de Assumção em Vitória. Principalmente se houver eventual acordo com o Palácio que passe por sua candidatura em Vila Velha...

CRM-ES E AMES

Em um lado do debate sobre a utilização da cloroquina para a Covid-19 está a direção de dois órgãos vinculados à classe médica no Estado: o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) e a Ames. A direção do CRM-ES chegou a se reunir, na metade de junho, com os seis deputados de direita que fazem oposição ao governo Casagrande, logo após a “visita técnica” (para o governo, “invasão”) desses parlamentares ao hospital Dório Silva, em 12 de junho.

De certa forma dando sustentação à narrativa bolsonarista, ambas se mostram favoráveis à ampliação do tratamento à base de cloroquina na rede pública desde a manifestação dos primeiros sintomas, mesmo sem eficácia cientificamente lastreada dessas drogas no tratamento farmacológico da nova doença.

UMA DOUTORA LEVANTA…

No outro lado desse debate encontram-se sociedades científicas, associações de especialistas (intensivistas, infectologistas, pneumologistas) e várias autoridades no assunto. Em seu artigo publicado no site de A Gazeta na última segunda-feira (6), a professora Elda Bussinguer, pós-doutora em Saúde Coletiva pela UFRJ, arrematou com uma pergunta retórica:

“Por que, ao invés de seguir as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), das experiências já vivenciadas em vários países e das orientações dos principais consensos científicos do mundo, o município de Vitória e todos os outros Estados e municípios que estejam caminhando na mesma direção, decidem assumir os riscos de medidas não validadas cientificamente e pelas quais poderão ser demandados ética e juridicamente?”

A OUTRA CORTA

Em entrevista à reportagem de A Gazeta, publicada no dia 2 de julho, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pneumologista Margareth Dalcolmo já havia cortado essa bola antes mesmo do levantamento da colega: “Mais uma vez uma decisão que é política, contrariando recomendações científicas”.

JOEL RANGEL É CANDIDATO

Ex-vereador de Vila Velha, Joel Rangel (PTB) se desincompatibilizou, no último dia 3, do cargo de secretário de Gestão de Pessoas (RH) da Assembleia Legislativa. Tentará retornar à Câmara do mesmo município.

ASSEMBLEIA REDUZ CONTRATO

Falando em gestão de pessoal na Assembleia, a direção da Casa de Leis reduziu em 20% o valor do contrato de auxílio-alimentação e refeição por cartão magnético, inicialmente estimado em mil unidades. Com isso, o valor global do contrato caiu de R$ 11,7 milhões para R$ 9,4 milhões. A assessoria da Assembleia informa, no entanto, que isso não implicará em diminuição do valor mensal do auxílio por servidor, que continua no valor de R$ 1.196,42.

BENEFÍCIO DIRETO NA CONTA

A readequação do contrato se deu porque muitos servidores aderiram à modalidade de recebimento do auxílio em folha. Nesse caso, em vez de receber a recarga desse valor no cartão, o funcionário recebe o dinheiro diretamente no contracheque, como acréscimo ao salário.

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