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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Coronel Ferrari afirma: “Defendo as bandeiras de Bolsonaro”

Candidato a prefeito de Guarapari diz ter no ex-governador Paulo Hartung, crítico do presidente, um incentivador. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra”

Publicado em 17/10/2020 às 17h02
Atualizado em 18/10/2020 às 11h47

Candidato a prefeito de Guarapari, o coronel Daltro Ferrari (PSD) se declara eleitor de Jair Bolsonaro (sem partido) e “defensor das bandeiras do presidente da República”. O coronel da ativa da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) concorre pela primeira vez à Prefeitura de Guarapari, após ter sido secretário-chefe da Casa Militar em administrações do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), um grande crítico de Bolsonaro desde antes de sua eleição, em 2018.

Política
O Coronel Ferrari é pré-candidato a prefeito de Guarapari. Crédito: Facebook

Em coluna publicada na última terça-feira (13), na qual analisamos a participação de expressivo número de militares na eleição municipal, citamos o coronel Ferrari como um dos poucos candidatos com origem militar que poderiam ser considerados “não bolsonaristas” – pelo fato de ser um colaborador histórico de Hartung e de contar com o apoio do ex-governador na eleição a prefeito de Guarapari. Essa informação, segundo o próprio candidato, está errada.

Em conversa com a coluna, Ferrari corrige a afirmação e esclarece: “Em Guarapari, Bolsonaro teve um alto índice de aprovação. Quando saiu daquela forma, que eu não sou bolsonarista, ficou parecendo que eu não sou brasileiro, que eu sou contra o Brasil. Não é o meu caso.”

Ferrari afirma que votou em Bolsonaro e que, em 2022, votará nele novamente, se o presidente for candidato à reeleição (como deve ser). E diz defender as bandeiras do presidente, assim listadas por ele: “Defendo as bandeiras que o nosso presidente defende, como pátria, família, contra a corrupção, a favor de valores democráticos e republicanos, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão, inclusive para os jornalistas”.

INCENTIVO DE HARTUNG

Quanto a Paulo Hartung, o candidato o elogia como governador e afirma tê-lo como um dos seus apoiadores e um dos principais incentivadores da sua candidatura em Guarapari. “O governador Paulo Hartung é um apoiador e é um dos incentivadores de novos nomes na política brasileira, capixaba, inclusive de Guarapari.” Por outro lado, Ferrari declara que não se considera “politicamente ligado” a Hartung:

“Eu, com muita honra, trabalhei por 12 anos com o governador Paulo Hartung, a quem intitulo um dos melhores governadores do Brasil. Mas é preciso fazer uma correção nessa sua fala: não sou politicamente ligado ao governador Paulo Hartung. Trabalhei como secretário de Estado nas três gestões do governador Paulo Hartung, exercendo um cargo extremamente técnico, por minha formação técnica como policial militar, além de bacharel em Direito e engenheiro mecânico, assim como fui subsecretário por quatro anos do atual governador [Renato Casagrande]. Não tenho ligação político-partidária com o ex-governador.”

Sobre as opiniões diferentes acerca de Bolsonaro expressadas por ele por Hartung, o ex-chefe da Casa Militar relativiza:

“O governador Paulo Hartung é favorável à pátria, à família, à liberdade de expressão e é contra a corrupção, o que faz parte de ser bolsonarista. Ele discorda de alguns pontos de aplicação da política do governo federal, sob a presidência do Jair Bolsonaro. Então é muito diferente ele ser contra os valores defendidos e contra o que se aplica na prática. O governador Paulo Hartung faz a crítica a alguns pontos de atuação do governo, na área econômica, na área educacional, na área de meio ambiente, em várias áreas, como qualquer um pode fazer.”

Sobre o fato de Hartung ter desaconselhado voto em Bolsonaro em 2018 e classificado o então candidato como “um descaminho para o país”, o coronel afirma que isso não tem conexão alguma com sua atual candidatura em Guarapari e se posiciona assim:

“A opinião do governador Paulo Hartung, você teria que perguntar para ele. O governador Paulo Hartung não é candidato em Guarapari. O candidato em Guarapari sou eu. O link que foi feito [na coluna do dia 13] é que, por eu ter trabalhado com Paulo Hartung e por ele ter desaconselhado voto em Bolsonaro, eu seria contra o Bolsonaro. Mas esse não é o caso. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Paulo Hartung é Paulo Hartung, Coronel Ferrari é Coronel Ferrari e Jair Bolsonaro é Jair Bolsonaro. As minhas bandeiras são as minhas bandeiras. E conectar a opinião que Paulo Hartung deu sobre Jair Bolsonaro com a minha figura aqui cria no imaginário de todos que, como trabalhei com Paulo Hartung e ele é um nome expressivo e é contra Bolsonaro, eu seria contra Bolsonaro. Isso definitivamente não é o caso.”

Retificando, então: diferentemente do que publicamos na última terça-feira (13), Daltro Ferrari apoia o presidente Bolsonaro.

RETROSPECTIVA DAS CRÍTICAS DE HARTUNG

Durante o ano de 2018, em mais de uma oportunidade, em entrevistas e discursos públicos, o então governador Paulo Hartung chegou a desaconselhar o voto em Jair Bolsonaro para a Presidência, alertando para “o risco de se votar com o fígado”, como, segundo ele, os americanos haviam feito ao elegerem Donald Trump em 2016. Mais de uma vez, ele definiu Bolsonaro como um extremista de direita, advertindo que “os extremos não são bons”, sejam de direita, sejam de esquerda.

Em 22 de agosto de 2018, em plena campanha presidencial, em uma palestra para empresários em evento promovido pela Findes, Hartung, ao lado de FHC, aconselhou-os diretamente a não apoiarem nem votarem em Bolsonaro, tratando o então candidato como “um descaminho” e apontando seu flerte com ideias autoritárias.

No fim de maio deste ano, ao lado de FHC (PSDB), Fernando Haddad (PT), Jean Wyllys (PSOL), Marcelo Freixo (PSOL), Flávio Dino (PCdoB), Luciano Huck (sem partido) e outros, o ex-governador foi uma das personalidades que assinaram o manifesto “Estamos Juntos” – resumidamente, alertando para o risco de retrocessos antidemocráticos no país sob o governo Bolsonaro.

Em 6 junho, em nova entrevista à coluna, explicou seu endosso ao manifesto, afirmando que Bolsonaro estava “mal-intencionado” e “testando as instituições democráticas” (nos meses anteriores, o presidente dera seu apoio pessoal a alguns atos cuja pauta passava pelo fechamento do STF e do Congresso).

Na mesma entrevista, Hartung criticou a postura do governo Bolsonaro em relação à pandemia do novo coronavírus, tanto no campo sanitário como no econômico. Um exemplo dado por ele foi a distribuição de auxílio emergencial - segundo o ex-governador, sem critério. “Vamos sair dessa crise de joelhos.”

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