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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Como opera a mente de um cacique?

Semana perdida: a sessão da Assembleia de quarta-feira caiu (de novo!) por falta de quórum, uma hora e meia após aberta. A de terça durou 1h05min. A de segunda, nem isso. E a campanha nem começara...

Publicado em 15/08/2018 às 21h40
 . Crédito: Amarildo
. Crédito: Amarildo

Baseado nas coligações e na distribuição proporcional das vagas em razão do quociente eleitoral, o sistema proporcional de eleição de deputados é um desastre. Hoje explicaremos por que tal sistema não tem chance alguma de dar certo. A partir de uma simulação, procuraremos demonstrar como funciona a cabeça de um dirigente partidário.

Vamos supor que eu seja o presidente estadual do partido A. Ao mesmo tempo, sou candidato a deputado federal. Um número não sai da minha cabeça: o do quociente eleitoral. Trata-se daquele índice, sagrado para os dirigentes e candidatos a deputado, que garante a uma coligação o preenchimento de uma das vagas em disputa. O quociente é o resultado da divisão do número de votos válidos em um Estado pelo número de vagas em jogo. Na Câmara, a bancada capixaba possui dez cadeiras. Para efeito de simulação, suponha-se que o quociente será de 200 mil votos. Assim, essa é a marca que uma coligação precisa atingir para eleger um deputado federal.

Eu, candidato/dirigente, calculo ser capaz de obter em torno de 100 mil votos sozinho (os números estão todos arredondados para simplificar a explanação). Desse modo, não consigo me eleger por minha conta. Vou precisar encaixar meu partido em uma boa coligação proporcional. Aí começa a confusão.

A princípio, na eleição majoritária, eu e meu partido apoiamos o candidato X a governador do Estado. No início das negociações, faço parte da coligação desse candidato, que reúne dez partidos, de A (o meu) a J. No entanto, à medida que se intensificam as conversas para formações das pernas para a Câmara, dou-me conta de um problema: dentro dessa coligação, o melhor arranjo que encontro é uma chapa com outros três partidos: B, C e D.

Juntos, eu e os demais dirigentes estimamos que essa chapa alcance 600 mil votos. É capaz, portanto, de eleger três deputados federais. O problema, para mim, é que eu não serei um deles. Com meus 100 mil votos, não consigo entrar por essa chapa, pois sei que ali há pelo menos outros três candidatos que fazem individualmente mais votos que eu. Fulano, de B, faz 150 mil. Beltrano, de C, faz 130 mil. E Sicrano, de D, 120 mil. No fim das contas, vou trabalhar à toa, para eleger esses três outros nomes de outros três partidos na minha chapa. Estou fora!

Aí, em que pese minha predileção inicial pelo candidato X ao governo, vou lá negociar com a coligação encabeçada pelo adversário de X, o candidato Y. Vamos ver o que eles têm a me oferecer. Em torno de Y, há uma coligação mais modesta, formada por cinco legendas: K, L, M, N e O. Mas, para meus interesses, encontro aqui um espaço muito mais convidativo. Com K e L, formo uma chapa para a Câmara capaz de fazer 400 mil votos – duas cadeiras, portanto.

E aqui eu, seguramente, serei no mínimo o 2º candidato mais votado individualmente da chapa, pois nem K nem L têm grandes puxadores de voto. Aqui, ao contrário, os demais candidatos é que vão trabalhar para me eleger. Mal sabe o eleitor que, se votar no João do partido K, estará me ajudando a chegar à Câmara.

Sem remorso, então, dou adeus à coligação do candidato X ao governo e pulo para a do Y, onde encontro mais chances de êxito na eleição a deputado federal. E eleger-me deputado é tudo o que me importa. O partido, a disputa ao governo, a coerência... Tudo isso fica em 2º plano.

Vida resolvida então, certo? Não, espera um pouco: ainda falta a definição da chapa de deputados estaduais. E os candidatos do meu partido estão no meu pé. Ali, na coligação de Y, já não encontro um espaço tão bom para eles. A coligação de X acena com melhores condições. Vou voltar a negociar com o outro lado...

Funchal com Aridelmo

De dentro do comitê de campanha de Aridelmo Teixeira (PTB), a coluna recebe a informação de que o secretário estadual da Fazenda, Bruno Funchal, é o coordenador geral do plano de governo de Aridelmo. A informação é confirmada pelo candidato e pelo presidente estadual do PTB, Serjão Magalhães.

“Ajudei”

O próprio Funchal também confirma, ainda que minimizando um pouco o peso de sua participação. “Ajudei no programa do Aridelmo, sim.”

Dedão do governador

Pelo que apuramos, a participação de Funchal na retaguarda da campanha serve para reforçar a digital da atual gestão na candidatura de Aridelmo, o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e a defesa do atual governo – tarefa que, ao fim e ao cabo, cabe inteiramente ao economista na disputa estadual.

“Sinal verde”

Funchal confirma ter consultado Hartung. “Consultei o governador e ele deu sinal verde. Nos horários livres, em geral noites e finais de semana, lá na Fucape mesmo.”

“Na Fucape”

Aridelmo e Funchal foram colegas por mais de dez anos na faculdade que pertence ao primeiro e onde o segundo também dava aula antes de virar secretário.

“O presidente sou eu”

Eleito na quarta-feira (15) para presidir a Câmara de Vitória, o vereador Clebinho (PP) nega que o colega e padrinho político, Davi Esmael (PSB), terá influência em sua futura gestão. “Nossa amizade está além da política. Mas Davi não vai interferir na nossa gestão. Vai ser mais um vereador para nos ajudar. O presidente sou eu. Davi não vai ter nenhuma influência.”

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