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Como a desistência de Amaro influencia a eleição em Vila Velha?

Com a não candidatura do deputado federal a prefeito da Serra, Neucimar Fraga fica mais à vontade para não concorrer novamente à Prefeitura de Vila Velha, enquanto Hudson Leal é mais candidato que nunca

Publicado em 15/08/2020 às 14h00
Atualizado em 15/08/2020 às 22h49
Da esquerda para a direita: Hudson Leal, Amaro Neto e Neucimar Fraga
Da esquerda para a direita: Hudson Leal, Amaro Neto e Neucimar Fraga. Crédito: Agência Câmara e Facebook / Montagem de Vitor Vogas

A decisão do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) de não concorrer à Prefeitura da Serra na eleição municipal de novembro produz repercussões também no processo eleitoral em outros municípios. Um deles é Vila Velha

Na segunda cidade mais populosa do Estado (atrás justamente da Serra), o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) fica bem mais à vontade, com o recuo de Amaro, para não ser candidato a prefeito e compor de fato uma aliança com o deputado estadual Hércules Silveira (MDB), já anunciada por ambos.

Isso aumenta as chances, inclusive, de Neucimar abrir mão da cabeça da chapa para ser vice de Hércules ou até para não disputar nenhum cargo. À coluna, na última quarta-feira (12), Neucimar afirmou que a preferência na cabeça de chapa é de Hércules.

O nosso raciocínio é muito simples: Neucimar é o 1º suplente, na Câmara Federal, dos deputados Norma Ayub (DEM) e Sérgio Vidigal (PDT). E a chave está no pedetista.

Neucimar está ali, com o terno de deputado já vestido e a pasta já na mão, só esperando abrir-se a brecha para ele voltar a ingressar na Câmara. Para isso, precisa que Vidigal se eleja prefeito da Serra ou que Norma se torne prefeita de Marataízes. Se um dos dois levar nos respectivos municípios, Neucimar herda a vaga na Câmara.

Pois então: com Amaro fora do páreo nesta eleição, em tese aumentam as chances de Vidigal voltar à Prefeitura da Serra, liberando para Neucimar uma vaga na Câmara Federal. E é isso que deixa Neucimar mais à vontade para se abster de concorrer novamente à Prefeitura de Vila Velha.

Curiosamente, no dia 14 de abril, fizemos aqui precisamente a análise contrária: logo após Amaro transferir seu título eleitoral de Vitória para a Serra, observamos que esse primeiro movimento de Amaro praticamente empurraria Neucimar a disputar a Prefeitura de Vila Velha, para não correr o risco de ficar mais uma vez sem nenhum mandato (já que, em tese, a possível candidatura de Amaro na Serra reduziria a probabilidade de êxito de Sérgio Vidigal).

HUDSON LEAL GANHA FORÇA NO PROCESSO

Ainda no capítulo “rebatimentos em Vila Velha”, é preciso dizer que a desistência de Amaro na Serra torna ainda mais viável e plausível a candidatura do deputado estadual Hudson Leal a prefeito canela-verde.

Hudson é correligionário de Amaro no Republicanos. Como ponderamos aqui mais de uma vez, a candidatura dele em Vila Velha, por mais resoluto que ele esteja desde o início, poderia perder força ou até ser removida em função da chamada “lei da reciprocidade”.

Na Grande Vitória, o Republicanos já tem pré-candidato a prefeito de Vitória, com Lorenzo Pazolini. Se Amaro fosse candidato a prefeito da Serra, seriam dois candidatos a prefeito considerados muito competitivos em dois municípios da região. Manter ainda um terceiro (no caso, Hudson) poderia ser difícil na medida em que poderia dificultar alianças do Republicanos em favor de Pazolini e de Amaro nos respectivos municípios.

Afinal, nesta fase de definições de alianças entre os dirigentes partidários, prevalecem com frequência acordos baseados em contrapartidas (a “lei da reciprocidade”): “Meu partido apoia o seu candidato na cidade A, desde que o seu partido apoie o meu candidato na cidade B".

Com a saída de Amaro, porém, Hudson ganha força no processo, como aposta do Republicanos na Grande Vitória. E é mais candidato que nunca a prefeito de Vila Velha.

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