Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Com apoio de Magno e Do Val, Wagner Borges é candidato em Vila Velha

E mais: em Vitória, Martins não quer nem Gandini nem Assumção; capitão da PMES se lança a prefeito de Cachoeiro pela Rede e pelo movimento “Policiais Antifascismo”, enquanto outro capitão da tropa se lança em Colatina pelo PTB bolsonarista; em Marataízes, Norma confunde a cidade pela qual é candidata a prefeita

Publicado em 09/09/2020 às 10h07
Atualizado em 09/09/2020 às 10h07
Wagner Borges pode reunir apoio de Marcos do Val e de Magno Malta ao mesmo tempo
Wagner Borges pode reunir apoio de Marcos do Val e de Magno Malta ao mesmo tempo. Crédito: Amarildo

O tenente-coronel Wagner Borges, do Corpo de Bombeiros, informa que, na manhã desta segunda-feira (7), anunciará “se será candidato a prefeito de Vila Velha”. Para isso, marcou até evento em um conhecido hotel na orla da Praia da Costa. Como já registramos aqui, se tem alguém em Vila Velha fazendo desde julho movimentos ostensivos de quem quer disputar a eleição, esse alguém chama-se Wagner Borges. Podemos carimbar aqui (aliás, carimbo triplo):

1) Wagner Borges é candidatíssimo a prefeito de Vila Velha e anunciará isso nesta segunda-feira;

2) Ao que tudo indica, ele será candidato pelo Partido Liberal (PL), a sigla controlada no Espírito Santo pelo ex-senador Magno Malta. O partido não só o acolheu e lhe assegura legenda, como o próprio Magno está abraçando com força a pré-candidatura de Wagner – também evangélico e dito conservador de direita. O PL também convém ao oficial dos Bombeiros pensando em um plano de crescimento político no Estado.

Além disso, o PL será o escolhido até por eliminação: em outras siglas com as quais o pré-candidato chegou a flertar, a conversa não evoluiu. Foi o caso do PSB (agora entre Max Filho e Neucimar Fraga), do Patriota e do Podemos, que têm candidatos próprios a prefeito: respectivamente, o deputado estadual Rafael Favatto e o vereador Arnaldinho Borgo.

3) O tenente-coronel dos Bombeiros virá, de um lado, com o apoio de Magno; do outro, com o apoio do senador Marcos do Val (Podemos). Espera-se a presença de Do Val no evento em que Wagner anunciará a candidatura. A expectativa também é a de que Magno manifeste o seu apoio (ainda que não presencialmente).

A interseção entre Do Val e Magno não deixa de ser curiosa, já que o primeiro foi um dos responsáveis pela derrota do segundo na eleição ao Senado em 2018. Havia duas vagas em disputa. O delegado Fabiano Contarato (Rede) foi o candidato mais votado, e Do Val ficou com a segunda vaga, deixando Magno em terceiro lugar.

Desde antes da campanha presidencial de 2018, Magno é um forte apoiador de Jair Bolsonaro e chegou a ser cotado pelo então candidato ao Planalto como vice em sua chapa. Por sua vez, no exercício do mandato, Do Val tem adotado posições alinhadas com o governo Bolsonaro.

Se o vínculo de Magno com Wagner é recente, o de Do Val com o bombeiro militar antecede a eleição de 2018. Wagner é cofundador do chamado Projeto Político Militar (PPM) no Espírito Santo e, de 2017 a 2019, foi o seu primeiro coordenador no Estado. Em linhas gerais, o movimento visa eleger o maior número possível de candidatos, para os diversos mandatos em disputa, com origem em corporações militares ou outras forças de segurança pública.

Do Val pertenceu ao Exército e, antes de chegar ao Senado, foi instrutor particular de segurança, inclusive nos Estados Unidos. Em sua campanha ao Senado em 2018, contou com o apoio do PPM – e, por conseguinte, do próprio Wagner Borges.

“NÃO CONTE COMIGO PARA NADA”

Wagner Borges é candidatíssimo a prefeito de Vila Velha até porque vamos combinar: nunca se viu alguém que “não era candidato” se dar ao trabalho de marcar evento com pompa e circunstância só para chegar na hora, na frente de todo mundo, e anunciar: “Não serei mesmo candidato”. Seria um caso sem precedentes. É como alguém responder a um anúncio de emprego e aparecer para a entrevista só para dizer ao contratante: “Não estou interessado na vaga. Não conte comigo para nada”.

WAGNER BORGES: TÁ “PINTADO CANDIDATO”

Por falar em Wagner, um dos últimos “teasers” da sua pré-campanha veio com um erro de ortografia. Mas “o erro virou acerto”. Na arte, com ajuda do Photoshop, ele está “pintado” mesmo. Pintado de preto.

Wagner Borges:
Wagner Borges: "PIntado". Crédito: Assessoria de Wagner Borges

ROBERTO MARTINS: “NEM GANDINI NEM ASSUMÇÃO”

Enquanto alguns entram, outros saem. Antes de anunciar que não será candidato a prefeito de Vitória, o vereador Roberto Martins (Rede) reuniu-se com quase todos os pré-candidatos à sucessão de Luciano Rezende (Cidadania), segundo ele, para conhecer o perfil de todos. Só não falou com dois: “Com Gandini e Assumção não converso, nem que me chamem”. Em bate-papo com a coluna, ele fez projeções para o 2º turno: “Se o 2º turno for Gandini contra Coser, vou com Coser. Se for Coser contra Luiz Paulo, vou com Luiz Paulo”.

REDE LANÇA CANDIDATO EM CACHOEIRO

Enquanto alguns saem, outros entram. A Rede definiu, na última segunda-feira (31), lançar candidato a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Será Vinícius Sousa, capitão da ativa da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) com atuação no município. Nome de combate e de urna: Capitão Sousa.

CANDIDATO É CAPITÃO ANTIFASCISTA

Integrante do movimento “Policiais Antifascismo – Espírito Santo” (formado por não apoiadores do governo Bolsonaro), ele diz ter tido o nome referendado pelos porta-vozes estaduais do partido, André Toscano e Laís Garcia, além do ex-deputado estadual Roberto Carlos, atualmente assessor parlamentar do senador Fabiano Contarato. Sousa diz contar com o apoio do senador e de toda “a rede da Rede”.

PT COM REDE NÃO DEU LIGA NO SUL

Com isso, fica mais distante uma aliança de centro-esquerda no 1º turno entre a Rede e o PT em Cachoeiro. Na maior cidade do sul do Estado, o PT também tem candidata própria a prefeita: a professora Joana D'Arck Caetano. A aliança com a Rede chegou a ser buscada pelo ex-prefeito Carlos Casteglione (PT), principal cabo eleitoral e padrinho político da pré-candidata, em interlocução com o ex-petista Roberto Carlos.

MAS CASTEGLIONE NÃO DESISTIU

Mas Casteglione ainda não desistiu: “Estamos conversando com o senador Contarato já há bastante tempo, na perspectiva de ter o apoio dele aqui no nosso palanque. Nosso interlocutor é o Roberto Carlos. Eles diziam que não teriam candidato. Agora surgiu a filiação do Capitão Sousa. Estamos conversando bastante. Então é real a possibilidade de fecharmos uma chapa majoritária juntos: PT e Rede”.

ALGUÉM VAI TER QUE CEDER...

Nesse caso, emendamos a pergunta inevitável: o PT, então, dispõe-se a retirar a candidatura de Joana D'Arck para compor com a Rede e apoiar Sousa? “Isso não está colocado. A minha impressão é que ele [Sousa] quer compor independentemente da posição”, responde Casteglione. Ou seja, para o ex-prefeito, Sousa é quem deve vir como vice de Joana D'Arck. Enfim, para a concretização dessa “frente progressista” em Cachoeiro, alguém vai ter que ceder...

DE CACHOEIRO PARA MARATAÍZES (OU NÃO...)

Tem candidato entrando na disputa, tem candidato saindo da disputa e tem candidato entrando na disputa em outra cidade, mas confundindo o nome do município. A deputada federal Norma Ayub (DEM), ex-prefeita de Itapemirim por dois mandatos, transferiu seu domicílio eleitoral para Marataízes para concorrer ao cargo de prefeita do outro município do Litoral Sul, também vizinho a Cachoeiro – terra de seu marido, Theodorico Ferraço, também do DEM.

Mas, na convenção do DEM em Marataízes, durante o lançamento da própria candidatura, Norma trocou as bolas e discursou: “Se for da vontade de Deus, nós teremos a primeira mulher eleita prefeita do município de Itapemirim”.

COLATINA: PTB LANÇA (MAIS UM) MILITAR BOLSONARISTA

Passando do sul para o norte e do antifascismo para o bolsonarismo na PMES, o PTB de Roberto Jefferson (preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão e novo aliado de Jair Bolsonaro) lançará a prefeito de Colatina mais um oficial da tropa que apoia o presidente da República. Será o capitão da ativa Anderson Zambon Alves, na PMES desde 2003. Ele tem 39 anos, é bacharel em Direito, tem duas pós-graduações e mestrado em Segurança Pública pela UVV.

"CENAS IMPOSSÍVEIS"

Em Vitória, o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato a prefeito de Vitória, foi prestigiar a convenção do Democratas, que pode indicar o vice em sua chapa. Republicanos com Democratas na mesma convenção: o Estado do Espírito Santo ensinando aos Estados Unidos da América.

Deputado Lorenzo Pazolini prestigiou a convenção do DEM em Vitória
Deputado Lorenzo Pazolini prestigiou a convenção do DEM em Vitória. Crédito: Nilson Basílio Teixeira

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