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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Colatina à espera de uma resposta: Meneguelli é ou não é candidato?

Presidente municipal do Republicanos, partido do atual prefeito, diz que prioridade é lançá-lo à reeleição. Mas, diante da indecisão de Meneguelli, partido já prepara alternativas, enquanto adversários esperam ansiosos para poderem definir a própria vida

Publicado em 11/08/2020 às 05h00
Atualizado em 11/08/2020 às 05h02
Sérgio Meneguelli
Sérgio Meneguelli. Crédito: Amarildo

Colatina hoje é uma cidade à espera de uma resposta: o atual prefeito, Sérgio Meneguelli, é ou não é candidato à reeleição? Todo o processo eleitoral no município do Noroeste capixaba depende dessa decisão do prefeito. É ela que ditará os posicionamentos de vários outros líderes políticos envolvidos na eleição municipal. Em se tratando de Meneguelli, político absolutamente imprevisível, nenhuma decisão deverá surpreender.

A tendência natural, reforçada por sinais recentes fornecidos pelo próprio Meneguelli, é que ele concorra a novo mandato (afinal, raríssimos são os prefeitos que não buscam a reeleição estando aptos a fazê-lo). No meio político de Colatina, praticamente todo mundo acredita que ele no fim das contas será mesmo candidato. Ao mesmo tempo, todo mundo se mantém com um pé atrás e alerta para qualquer surpresa vinda dele. Ou seja, todos esperam que ele seja, mas ninguém ficará surpreso se ele decidir não ser.

Diante de tal relutância, até o partido do prefeito, o Republicanos, já trabalha com alternativas para o caso de Meneguelli decidir não encabeçar a chapa.

Segundo o presidente municipal do partido, o empresário Marcos Guerra, o Republicanos com certeza terá candidato próprio à Prefeitura de Colatina. Ainda segundo Guerra, a prioridade é lançar Meneguelli à reeleição e é nisso que o partido aposta. No entanto, em face da hesitação do prefeito, o partido já se prepara para eventual necessidade de mudar a estratégia: o plano B do Republicanos seria lançar à prefeitura outro quadro do partido, que pode ser o próprio Guerra (como este confirma à coluna) ou outros nomes que o dirigente prefere não declinar.

Preferindo não se identificar, um membro do staff de Meneguelli na prefeitura confirma que o Republicanos prepara um plano B, enquanto ele mesmo e outros colaboradores do prefeito se empenham em convencê-lo a disputar a reeleição. Até o momento, o prefeito se recusa a tocar no tema não só com a imprensa, mas até com os próprios auxiliares. “Ele ainda é capaz de te dar uma bronca se você tentar puxar o assunto”, conta um deles. Mas a eleição é logo ali, dobrando a esquina de setembro. Já não é possível adiar essa definição.

Com urgência em bater um martelo que o próprio Meneguelli mantém suspenso, a Executiva do Republicanos em Colatina realizaria uma reunião decisiva nesta segunda-feira (10) e tem outra, ampliada, com o grupo político do prefeito, marcada para esta terça-feira (11), conforme informações de Marcos Guerra.

Procurado pela coluna, Meneguelli, fiel à própria ordem, não quis se pronunciar sobre o assunto. Esse silêncio todo do prefeito, que alimenta ainda mais as incertezas eleitorais em Colatina, pode ser compreendido de duas formas: ou como pura estratégia eleitoral por parte de Meneguelli, ou como expressão genuína de uma dúvida sincera que acomete o prefeito a esta altura.

A primeira hipótese faria total sentido. Tratar-se-ia do bom e velho “esconder o jogo” dos adversários para os confundir e os desorientar (estratégia que tinha no ex-governador Paulo Hartung, por exemplo, um especialista). A recusa em admitir candidatura e até em tratar publicamente de eleições é a atitude mantida no momento por muitos prefeitos em posição semelhante à de Meneguelli, como os “reelegíveis” Max Filho (PSDB) em Vila Velha e Victor Coelho (PSB) em Cachoeiro.

Estando na máquina, o prefeito não tem por que precipitar o processo e dar munição a adversários locais. O silêncio obstinado, nesse caso, é um recurso usado pelo ocupante do cargo basicamente para se preservar de opositores e não passar a impressão de que "já está preocupado com eleição" em meio à pandemia do novo coronavírus. Nessa hipótese, o prefeito só estaria esperando o momento certo para fazer o anúncio (em meados de setembro). Sentido faz, mas não parece ser o caso de Meneguelli.

Nos casos dos supracitados Max Filho e Victor Coelho, os próprios prefeitos não falam sobre candidatura, mas seus aliados falam por eles, e ninguém tem a menor dúvida de que serão (aliás, são) candidatos à reeleição. O silêncio então não passa de senso de autopreservação. Só estão adiando ao máximo o anúncio por estratégia, pois não têm nada a ganhar entrando nesse jogo agora.

O caso de Meneguelli é diferente. No caso dele, existe, sim, uma dúvida. Sua indefinição é real. O prefeito hoje é devorado pelo dilema entre ser ou não ser candidato à reeleição.

A conversa de Guerra com a coluna deixa isso muito claro: nem o próprio partido está tão seguro quanto à candidatura do prefeito.

Aliados e até adversários de Meneguelli também ouvidos para esta coluna tampouco têm certeza de que ele seja candidato e não acreditam que ele esteja tão-somente “escondendo o jogo”, até por seu perfil político (repita-se: absolutamente imprevisível). “Conheço o Sérgio há mais de 30 anos. Ele pode tomar uma decisão de manhã, tomar outra de tarde e outra diferente de noite. Ele é assim”, define um experiente político colatinense.

“Ninguém sabe se o Sérgio será candidato ou não”, resume outro veterano político local. Mas esse mesmo veterano observa um sinal muito característico de quem no fundo planeja renovar o mandato no Executivo: “De dois meses para cá, ele vem intensificando obras de asfaltamento em bairros periféricos”.

Resta saber se o prefeito também pretende pavimentar a própria reeleição. Se isso não ocorrer, anotem aí: correndo pelo acostamento dessa via, o ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSC) pode até despontar como solução para o possível problema do Republicanos na cidade.

Em Colatina, já há quem aposte que Guerino pode realmente concorrer de novo à prefeitura, mas se (e apenas se) Meneguelli não entrar no páreo. Nesse caso, o ex-prefeito pode até emergir como o candidato do grupo de Meneguelli no município do Noroeste, com o apoio do Republicanos.

O FATOR PARTIDÁRIO

Falando em Republicanos, um dos fatores que faz soar muito difícil, quase inverossímil, eventual não candidatura de Meneguelli é sua filiação, em março, ao partido que tem como expoentes no Estado o deputado federal Amaro Neto, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, e o diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro.

Notoriamente, o Republicanos (ex-PRB) tem grande apetite e grandes ambições relacionadas a seu crescimento político no Espírito Santo, o que passa diretamente por um bom desempenho no pleito municipal de novembro (escala para 2022).

Por esse prisma, parece bem pouco factível que o Republicanos tenha filiado Meneguelli em março (limite do prazo) como uma de suas maiores apostas eleitorais só para vê-lo declinar da candidatura poucos meses depois, às vésperas do pleito.

POTENCIAIS PARCEIROS: PSDB E MDB

De acordo com Marcos Guerra, o Republicanos não pretende fazer uma grande coligação na disputa a prefeito de Colatina, e sim com poucos partidos. Além do Republicanos na cabeça da chapa, podem ser agregados o PSDB e o MDB, partidos com os quais há maior proximidade na cidade.

O PSDB é o ex-partido do próprio Guerra, enquanto o MDB é a ex-legenda de Meneguelli (em 2016, ele elegeu-se prefeito pelo MDB, mas deixou o partido no meio do mandato).

Guerra, por outro lado, não descarta a ideia de uma chapa puro-sangue do Republicanos.

POSSÍVEL VICE DE MENEGUELLI

Se Meneguelli for candidato, um nome fortemente cotado para ser seu vice é o de Junior Zaché. Presidente municipal do PSDB, ele é advogado e foi procurador do município de Colatina durante a administração de Meneguelli, até se desincompatibilizar neste ano justamente a fim de se habilitar a participar do pleito.

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