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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Casagrande e suas indiretas a Bolsonaro

Mesmo sem menções diretas ao governo federal, muito menos nominais ao atual inquilino do Palácio da Alvorada, o teor das declarações de Casagrande não dá margem a dúvida

Publicado em 26/03/2019 às 06h38

O governador Renato Casagrande (PSB) tem feito nos últimos dias algumas falas, em pronunciamentos públicos, que podem ser tranquilamente interpretadas como indiretas com um destinatário certo: o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Mesmo sem menções diretas ao governo federal, muito menos nominais ao atual inquilino do Palácio da Alvorada, o teor das declarações de Casagrande não dá margem a dúvida. O governador demonstra preocupação com a falta de “capacidade de agregar”, diretamente proporcional à eficiência em “espalhar brasa”. Também tem expressado temor com relação ao possível enfraquecimento de alguns “mecanismos de proteção social”.

Na última quinta-feira, enquanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), era alvo de ataques virtuais de Carlos Bolsonaro e ameaçava abandonar a dianteira da articulação da reforma da Previdência, Casagrande, sem citar ninguém, desabafou publicamente sobre notícias que vêm de Brasília:

“Para governar tem que ter paz, tem que ter diálogo, não só fazer o enfrentamento. Às vezes vemos algumas atitudes lá em cima que nos deixam meio desesperados. Para governar é preciso juntar, agregar. Não só espalhar brasa.”

A fala de Casagrande foi feita no Salão São Tiago, o principal do Palácio Anchieta, durante cerimônia de relançamento de programas sociais do seu governo. E a rede de proteção social voltada para os mais vulneráveis foi outra preocupação manifestada pelo governador. Casagrande defendeu políticas de assistência, inclusão social e inclusão produtiva. E sustentou que defender o fim de políticas sociais “é uma ofensa a quem precisa delas”.

No dia seguinte, em ato público na Praça do Papa, para a entrega de veículos a unidades da Apae e da Pestalozzi, ao lado do secretário nacional de Desenvolvimento Social, Lelo Coimbra (MDB), Casagrande defendeu a preservação de mecanismos de proteção social. “Não podemos permitir que a crise seja motivo para os governos acabarem com eles. É importante fazer a economia crescer, mas não podemos deixar de fazer políticas para proteger as pessoas mais pobres deste país. E é decisão política manter e fortalecer as políticas de proteção social.” Em seguida, dirigiu-se a Lelo, tratando-o como um aliado para travar essa luta no lugar estratégico hoje ocupado pelo ex-deputado: dentro do governo Bolsonaro. “É muito importante que você esteja lá para que possa defender que esses mecanismos sejam perenes, independentemente da ideologia de quem está no poder.”

Liderança semestral

A Assembleia aprovou ontem o projeto de resolução do líder do governo, Enivaldo dos Anjos (PSD), que fixa prazo de seis meses para o governador revalidar a indicação do seu líder em plenário.

Crise? Que crise?

Na última terça-feira, a troca de 9 superintendentes regionais de Educação pegou de surpresa os deputados e gerou uma série de manifestações críticas ao governo Casagrande, puxadas por Vandinho Leite (PSDB). No próprio governo, contudo, a irritação de alguns integrantes da base, externada em plenário, não está sendo tratada como “princípio de rebelião”, mas como “insatisfações pontuais”.

Bastidores da briga

Todos os novos superintendentes interinos de Educação foram escolhidos pessoalmente pelo secretário de Educação, Vitor de Angelo. O próprio confirmou isso ontem à coluna. Segundo ele, não houve nenhuma indicação superior, imposta a ele. Para exemplificar, o secretário (sem partido) conta que ficou sabendo pela coluna que a nova superintendente de Nova Venécia, Adriana Bonatto Merlo, é filiada ao PSB. “Eu não sabia, e não fez a menor diferença. Ela é uma diretora premiada pelo trabalho que realizou em sua escola (a Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança).”

O motivo de tanto alvoroço por causa dessas nomeações pode ser também a quebra de certa tradição vigente até então: normalmente esses superintendentes eram indicados pelo deputado mais votado no respectivo município. Por esse critério, seria “natural”, por exemplo, que Theodorico Ferraço (DEM), o mais votado em Cachoeiro, indicasse o novo superintendente na cidade. Do mesmo modo, Renzo Vasconcelos (PP) em Colatina. E assim sucessivamente. O rompimento sem aviso prévio com essa “regra não escrita” pode ajudar a explicar os protestos dos deputados. Isso, é claro, além da sensação (justificada) de que o PSB, partido do governador, está ficando com cargos demais na máquina estadual, deixando “pouco” para os aliados.

De todo modo, na cozinha política de Casagrande, há o reconhecimento de que a articulação política falhou ao não ter chamado os deputados interessados nas nomeações de superintendentes antes da publicação dos atos, para explicar os novos critérios adotados. Ou seja, para avisar que eles não seriam atendidos nesse pleito político. Ficaram sabendo pelo DIO. No mínimo, foi falta de tato.

CENA POLÍTICA

Por ser vaidoso ao extremo e constantemente se gabar em detrimento dos outros deputados, Hércules Silveira passa longe da lista de mais queridos pelos colegas de Assembleia... que às vezes nem sequer disfarçam isso. Na terça, havia 20 deputados em plenário. Hércules subiu à tribuna para discursar, enquanto, do outro lado do plenário, uma roda de nove deputados conversava alegremente. Hércules interrompeu o discurso no início: “Vou parar de falar porque acho que estou atrapalhando as risadas ali”. Os “colegas” nem olharam para ele. Continuaram o papo. E as gargalhadas.

 

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